Bolsonaro protagoniza 72 horas de tensão, colocando em risco apoio do Exército

Editorial do DefesaNet mostra a sequência de eventos, nos últimos três dias, onde o presidente quase pôs a perder a relação com as Forças Armadas

Presidente Jair Bolsonaro no Comando da Aeronáutica em reunião com oficiais-generais desarmando uma bomba ativada há 72 horas Foto - CECOMSAER

Jornal GGN – Em apenas três dias, o presidente Jair Bolsonaro protagonizou uma série de situações constrangedoras e de ataques aos membros das Forças Armadas causando um estado de alta-tensão no Planalto Central. A análise é do editorial do DefesaNet.

O primeiro passo constrangedor aconteceu na manhã de sexta-feira, 19 de julho, quando Bolsonaro fez uma série de declarações à imprensa estrangeira, insultando nordestinos, alegando que no Brasil a população não passava fome e criticando os dados sobre desmatamento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

O mesmo dia foi marcado pela ausência de Bolsonaro no “146º Aniversário de Nascimento de Alberto Santos-Dumont”, realizado na Base Aérea de Brasília.

“A ausência do Presidente no evento da FAB pode ter seus vários significados. Talvez o mais próximo seja o de inconformidade com a Força pelo constrangimento internacional, que sofreu, devido ao caso de Sevilha”, avalia Nelson Düring, editor-chefe do DefesaNet que assina o editorial.

O gerenciamento da crise dos 38 quilos de cocaína encontrados em uma aeronave militar, em um caso considerado de tráfico internacional, tem sido um desastre por parte do governo Bolsonaro em todos os níveis, passando pela GSI, PF, FAB e MD. “Para completar [a crise] as declarações do próprio presidente afirmando ‘que o caso deveria ter ocorrido na Indonésia’”, completa Düring.

Além de não comparecer ao evento onde foi entregue a Ordem do Mérito Santos Dumont para várias autoridades, o governo não foi representado pelo vice-presidente Hamilton Mourão, pelo Ministro da Defesa, General Fernando Azevedo e nem pelo Comandante do Exército, Edson Leal Pujol.

“Coube a um constrangido Comandante da Aeronáutica Tenente-Brigadeiro-do-Ar Antonio Carlos Moretti Bermudez ser o mestre de cerimônias”, escreve Düring. No palanque da cerimônia estavam presentes o representante dos Estados Unidos, o Encarregado de Negócios William Popp, o representante do Embaixador do Japão Embaixador Akira Yamada e o Embaixador da Ucrânia Sr Rostyslav Tronenko.

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Mais constrangedor ainda foi saber que Bolsonaro trocou a cerimônia da FAB para comemorar o Dia Nacional do Futebol, em um evento organizado pelo Ministro Osmar Terra, onde foram premiadas personalidades do esporte.

“Ali ocorreu algo interessante ou enigmático. Em vez do presidente receber um exemplar da canarinho recebeu uma camiseta do segundo uniforme de cor azul. Houve a troca do Azul Celeste da FAB pelo Azul da Seleção. DefesaNet foi a única publicação brasileira a mencionar a ausência do Presidente Jair Bolsonaro no evento da Base Aérea”, completa o portal.

No domingo, após a repercussão dos ataques que fez ao governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB) e que atingiu à população nordestina, Bolsonaro conseguiu criar mais um constrangimento com os membros do Exército.

Ao se referir às críticas do general Luiz da Rocha Paiva que, ao Estado de S.Paulo, disse que as declarações de Bolsonaro acabavam incentivando a divisão do país, Bolsonaro acusou o militar de “melancia”, expressão usada entre os verde-oliva para criticar inimigos na caserna, muitas vezes ligados à esquerda.

“Sem querer descobrimos um melancia, defensor da Guerrilha do Araguaia, em pleno século XXI”, tuitou Bolsonaro.

“A expressão usada de forma jocosa na caserna, no caso do Gen Div R1 Rocha Paiva, veio como uma ofensa ignominiosa e desonrosa a um oficial-general, que por sinal assumiu ao longo da carreira uma postura de defesa intransigente do Movimento de 1964”, destaca Düring.

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Ele lembra ainda que as críticas do Presidente ao Inpe, no Café com jornalistas estrangeiros, também representou ataques indiretos à FAB, que tem especialistas trabalhando em colaboração no instituto de pesquisas espaciais.

Não parando por aí, o guru da família Bolsonaro, Olavo de Carvalho, divulgou no domingo (21) novos ataques contra os militares. Para membros da FAB, o filho número 2 de Bolsonaro, Carlos, que estava em viagem a Virgínia (EUA) visitando Olavo, esta por trás das novas críticas do escritor.

Desarmando as bombas 

A tensão entre os militares e o governo estava próxima a explodir nesta segunda-feira (23) com a espera do “Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias do 3º bimestre de 2019”. Alguns dias antes, Bolsonaro disse que um único ministério iria sofrer o contingenciamento de R$ 2,5 bilhões.

“Segundo fontes informaram DefesaNet, na manhã de segunda-feira, o contingenciamento ocorreria todo no Ministério da Defesa”, pontua Düring lembrando que o MD ainda se recuperava do corte de R$ 5 bilhões nas verbas discricionárias feito em março.

“Ao abrir o relatório do Ministério da Economia, liberado no início da tarde, duas surpresas. O contingenciamento de R$ 2,3 Bilhões foi reduzido para 1,4 Bilhão com o uso de R$ 809 milhões das reservas orçamentárias. O surpreendente é que o ministério a ser premiado com os contingenciamento somente será anunciado na próxima semana”, escreve o editor-chefe.

Outra forma de reduzir a tensão com as Forças Armadas foi uma visita de Bolsonaro ao Comando da Aeronáutica, em um encontro com os oficiais-generais da Força Aérea, também nesta segunda. Para ler a cobertura especial da DefesaNet na íntegra, clique aqui.

16 comentários

  1. Ainda no começo deste pseudo governo,quando muitos comentavam,e até apostavam, na ascensão de milicos ao posto máximo da república, já havia comentado que está figura,defenestrada do exército, estava somente se ambientando e que mostraria suas garras com o passar do tempo.
    É ele está fazendo isso. Percebe-se pela sua verborragia escatológica que já sente-se tão à vontade como na Câmara Federal e,tal qual aquela casa,sem ninguém a censurar-lhe.
    Hoje,esta figura descobriu que corre sozinha.Todos os poderes da república continuam amarrados por uma chantagem promovida pelos falcões do norte e seus patrões sionistas.
    Nossa mídia, sempre golpista,além de chantageada está atolada até a alma já que,ao tentar acabar com o partido político que era legítimo detentor do poder,acabou acertando os seus que,neste momento tentam se reaglutinar para tentar conter o monstro criado. Obra difícil uma vez que não podem contar neste momento com a mão amiga desta mídia que não pode admitir seus erros sob pena de afogar-se de vez no grande latão de merda da história.
    É isso aí: Esta figura irá reinar sozinho enquanto não surgir alguém com capacidade de liderar nosso povo no caminho da democracia novamente,e nem adianta pensar no presidente Lula. Os golpistas já demonstraram que o presidente Lula somente sairá da prisão de duas formas: morto ou com a queda do regime.

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    • Aplausos a esta definição é muito claro sua percepção Vladimir, nosso país precisa que de pessoas atentas a realidade que cada dia fica pior, diante dos atos que estamos assitindo estarrecidos, sem perspectivas de um estanque por falta de líderes íntegros e capacitados de competência para esta ação patriota.

  2. Bolsonaro não tem a menor condição de aturar um mandato num cargo de tanta demanda. Já são tamanhas pressões para alguém com o psicológico mais em ordem, imagina um pavio curto. Não consegue ficar mais que dois dias sem se indispor e passar por consumição, ainda mais para quem sofre de doenças intestinais, por vezes conectadas a dificuldades emocionais e impaciência. Se conflitua com frequência mesmo entre os seus pares. E para nós, repito o que a mim coloquei em dezembro: vai precisar ter cabeça, coração e estômago em ordem para permanecer saudável.

  3. Fato – as FFAA jamais conseguirão apagar da história a agressão e participação direta delas no golpe.

    Constatado o erro que já custou centenas de bilhões de US$ ao país, menos emprego, renda e um desgaste memorável à nossa imagem, talvez restará agora elas ajudarem o país a remover este sociopata da presidência antes que pras novas gerações ele se faça dum novo paradigma.

  4. É apenas o desenvolvimento, palavra difícil de aplicar a este desgoverno, rs, de uma disputa, queda de braço, que já havia sido anunciada desde o início, entre os milicianos, da famiglia do Vergotinhoso e os milico de quartel, do vice-prepotente. O núcleo do desgoverno está se dirigindo para o confronto social, algo de que os miliquartel morrem de medo. E a proximidade emulatória do Vergotinhoso a Trump não é apenas de ser um sem noção, que pretende emplacar a famiglia, e seus negócios particulares, em jogadas do governo, e que faz a cortina de fumaça praticando o que tornou a ambos notórios, a retórica escandalizante e afrontosa; mas o inepto by brazil tem uma diferença em relação a seu modelo USamericano: este é do mundo dos negócios e negociatas, um terreno em que se exerce um tipo, tosco, de diplomacia, e tem segurado os hawks do departamento de defesa e de estado, que já teriam iniciado a terceira guerra mundial se o próprio Trump não os tivesse segurado – segundo suas próprias declarações; já no Bananal, o capetão foi expulso do Exército por ter viés terrorista, é despreparado para qualquer tipo de diplomacia e ele, ao contrário do Exército entre cauteloso e medroso daqui, é quem pretende botar fogo no país e no continente. O fato de seu desgoverno servir aos interesses do império USamericano, e este descompasso entre os setores de Defesa de ambos os países, somado ao fato de que a eminência parda do movimento de extrema-direita que sustenta Trump, a máfia de Steve Bannon é quem está, e não Olavo que também obedece ordens, orientando o Vergotinhoso e sua famiglia em como isolar qualquer resquício institucional que sirva de freio – e este eram os militares -, pode explicar onde o bromance BolsoTrump se insinua como o fio condutor deste segundo tempo de desmandato. Enquanto isso, as esquerdas, zzzzzzzzzzz, em coma induzido ou mordidas pela mosca tsé-tsé, rs (aviso aos minions, não é o mao tsé, hahahahahaha). Bom humor é melhor que… mau humor.

    Sampa/SP, 23/07/2019 – 23:03

  5. Bozo é a verdadeira Dona Maria A Louca.

    “As refinarias americanas já respondem por quase 90% de todo o óleo diesel importado pelo país. E hoje cerca de 25% do óleo diesel consumido no país é importado.
    Por realizar todo o seu transporte via estradas, e ser um dos maiores países do mundo em extensão, o Brasil é um dos maiores consumidores do mundo de diesel e gasolina. Quem controlar a distribuição desses combustíveis no país ganhará muito dinheiro.
    Agora só falta os americanos adquirirem as refinarias da Petrobras, que não por acaso são as indústrias mais importantes do país, para que o país fique totalmente sob controle dos interesses econômicos e políticos dos Estados Unidos.
    Na Época

    Petrobras vende 35% da BR Distribuidora por R$ 9 bilhões, via O Cafezinho

    Negócio foi fechado hoje

  6. O apoio ao PR cada vez mais restringe-se as baixas patentes das FFAA, somados a comandos , unidades e subalternos das “forças auxiliares”, militares e civis ( DPF ), as quais são em numero de efetivos muito mais relevantes, inclusive enquanto a presença para a população geral.
    TODOS os programas relativos as FFAA estão em risco de ainda uma maior descontinuidade, desde o PROSUB até o Gripen; o MCTI esta sendo desbastado, somente ainda alguns programas do exército, com apoio da iniciativa privada transnacional ( Ominysis, Elta, IAI …por ex. ) continuam “andando”, devagar quase parando, mas ainda em pauta.
    Se houvesse um “erramos” nas ordens do dia, ele seria longo, tanto da parte das FFAA ,como das ainda sobreviventes empresas relativas ao incipiente conglomerado classificado de “industrias de defesa”

  7. Fica aí um pequeno recado para o lado podre dessa maçâ chamada FFAA. Preserva-se o lado maravilhoso, simples assim!

  8. Pelo “geito” que a coisa anda, privativa o exército também, ao menos teremos uma força militar efetivamente nacionalista para um País só!

  9. + comentários

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