
Jornal GGN – Algumas empresas, como Samsung e LG, estão investindo em dispositivos de tela curva baseadas na tecnologia de OLED (diodos emissores de luz orgânica), mas especialistas afirmam que um cenário com smartphones e outros aparelhos de telas flexíveis e dobráveis ainda está longe da realidade. Isso porquê, apesar de mais de dez anos de intensas pesquisas sobre essa tecnologia, os custos de fabricação dessa tecnologia impossibilita a produção de produtos a preços viáveis.
Como exemplos recentes, há o Samsung Galaxy Round, smartphone de tela curva que, na Coreia do Sul, chega a US$ 1.000. A rival LG lançou a primeira tevê de tela curvada do mundo, que, no Brasil, não custa menos que R$ 45 mil. Os lançamentos não mostram que a tecnologia OLED é acessível e tão pouco vai permitir dispositivos de telas flexíveis, já que muitos pesquisadores do ramo da tecnologia ainda lutam para descobrir novas técnicas para produzir milhões de telas de baixo custo.
Dispositivos móveis de telas curvas – e eventualmente dobráveis – produzidos em larga escala podem estar pelo menos a uma década de distância, de acordo com Max McDaniel, diretor de marketing de negócios de um grupo especializado em aplicação de novos materiais. Segundo ele, um dos principais empecilhos é a própria tecnologia OLED. Apesar de permitir a fabricação de telas mais finas, nítidas e eficientes em termos de energia, os diodos orgânicos ainda são muito caros.
McDaniel afirma que, para produzir grandes quantidades dessas telas OLED, são necessárias máquinas que custam dezenas de milhões de dólares que podem depositar camadas microscópicas de materiais em vácuo. O custo se torna caro por conta da taxa de insucesso: uma pequena partícula de poeira pode ser o suficiente para mandar toda uma tela OLED para a sucata.
Caras e de vida curta
Além disso, as telas OLED não têm uma vida útil muito longa. Na prática, smartphones com esse tipo de tecnologia acabam durando cerca de dois anos ou mais, segundo explica McDaniel. Isso não significa, de acordo com o especialista, que os fabricantes estejam desistindo dos equipamentos em OLED – vide casos de Samsung e LG. “Mesmo com mais de dez anos de desenvolvimento e sendo incorporado em um dos os aparelhos mais vendidos lá fora, [o uso de OLED] ainda é apenas de 8% a 10% do mercado de celulares”, avalia Vinita Jakhanwal, analista da empresa de pesquisa IHS.
Além do mais, telas curvas ainda são mais difíceis de fazer. Elas envolvem um processo meticuloso, no qual uma película fina é colocada sobre uma superfície plana, levantada e depois “colada” a uma peça curvada de plástico, quase como uma etiqueta, explica Vinita. A especialista afirma que o índice de falhas na fabricação é muito elevada, deixando os custos ainda mais altos.
O Samsung Galaxy Round e o G Flex, da LG, que chega às lojas em Hong Kong já nesta sexta-feira (13), serão, provavelmente, os dois únicos telefones no mercado este ano a usarem a tecnologia OLED curva, avalia Jakhanwal. Mas McDaniel adianta que o cenário pode mudar daqui a pelo menos dez anos. “Você vai começar a ver mais e mais telas curvas. Os telefones de tela plana vão começar a parecer idiotas”, diz.
Uma pesquisa recente da Touch Display Research revela que telas curvas e flexíveis poderiam ser responsáveis por 16% do mercado em 2023, em comparação com menos de 1% neste ano. O mercado de telas OLED deverá subir para cerca de US$ 93,8 milhões em 2014, e as primeiras telas flexíveis poderiam vir com mais frequência até 2016, afirma o pesquisador. As dificuldades atuais, no entanto, podem impulsionar o desenvolvimento de novas tecnologias que poderiam reduzir os custos de telas OLED. “Mas ainda estamos muito longe da [tecnologia] dobrável”, diz McDaniel.
Com informações do Mashable.com
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