10 de junho de 2026

O Amazonas e a sua competitividade almejada, por Augusto Rocha

A falta de conexões multimodais impediu que Manaus e seu Polo Industrial se beneficiassem da proximidade com os países vizinhos.

O Amazonas e a sua competitividade almejada

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por Augusto Cesar Barreto Rocha

As economias Latino-americanas possuem muito em comum é o que destaca o livro “Innovation, Competitiveness, and Development in Latin America: Lessons from the Past and Perspectives for the Future” (Inovação, Competitividade e Desenvolvimento na América Latina: lições do passado e perspectivas para o futuro”, em tradução livre), publicado pela Universidade de Oxford em 20 de fevereiro deste ano, com autoria de Edmund Amann e Paulo Figueiredo.

Na análise dos autores, há um desafio estrutural em uma armadilha de renda média, frustrando um crescimento acelerado e sustentável. Esta imagem é muito do que temos em Manaus, em um contexto de pouca infraestrutura, muita riqueza natural e uma industrialização que viabilizou uma renda e arrecadação notáveis, em meio a um Estado pobre, isolado e cheio de oportunidades.

O microcosmo da Zona Franca de Manaus poderia ser um elemento indutor para a transformação, mas segue o mesmo desafio do restante da América Latina, em um paralelo meu, relativo ao que estudaram os autores do livro mencionado, pois possuímos um destaque para a inovação e a competitividade industrial (em si), grandes desafios estruturais e ótimas perspectivas futuras, caso saibamos nos apresentar adequadamente para elas.

A falta de conexões multimodais impediu que Manaus e seu Polo Industrial se beneficiassem da proximidade com os países vizinhos. Se reconhecêssemos e aproveitássemos este potencial, poderíamos nos posicionar melhor para explorar oportunidades, mas os problemas e as possibilidades no Brasil inteiro dificultam o foco que poderia ser dado para este mercado tão próximo em quilômetros, mas tão distante em decorrência da ausência de infraestrutura e conexões.

A distância de desenvolvimento entre Manaus e o interior do Amazonas tem razões muito semelhantes. A difícil conexão com a capital ou com os demais municípios entre si, no entorno de cada região do interior, leva a uma ausência de recursos vindos de outras regiões, pela troca comercial frustrada. Como constatado desde o início da história de Manaus, o posicionamento geográfico e as trocas comerciais possuem um potencial grande para a transformação das cidades.

A gigantesca malha fluvial do Amazonas precisa ser mais bem aproveitada, com a presença de portos no interior do Estado e na capital. Seguimos negligenciando as oportunidades do interior e as perspectivas futuras seguem sem indicativos de transformação. Enquanto o olhar for para o extrativismo mineral, sem tecnologia, sem oportunidades para os que aqui estão, seguiremos com a vocação retrógrada da colônia em busca de um império para retirar as oportunidades.

Em minha visão, os problemas e oportunidades da América Latina, como estudado no livro de Amann e Figueiredo, são muito semelhantes ao que se vê no Amazonas: grande capacidade competitiva, se usada a inovação tecnológica, colocando-se frente a um mercado global; muitos desafios estruturais, com uma lacuna histórica a ser transposta e ótimas perspectivas futuras, se reconhecermos as nossas fortalezas e sanarmos as nossas deficiências a partir do ponto de vista interno.

Augusto Cesar Barreto Rocha – Professor da UFAM.

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

Augusto Cesar Barreto Rocha

Augusto César Barreto Rocha é Professor Associado da UFAM. Possui Doutorado em Engenharia de Transportes pela UFRJ (2009), mestrado em Engenharia de Produção pela UFSC (2002), especialização em Gestão da Inovação pela Universidade de Santiago de Compostela-Espanha (2000) e graduação em Processamento de Dados pela UFAM (1998).

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1 Comentário
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  1. evandro condé

    11 de março de 2024 9:52 am

    Tudo bem que não era o tema, mas esqueceu de falar que a Zona França é um absurdo.

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