5 de junho de 2026

Pesquisador mostra que 62 empresas controlam 1/4 da economia corporativa no Brasil

Um exemplo de grupo hegemônico no Brasil é o Trio LST, acionista das Americanas, Eletrobras, Ambev e outras.
Reprodução

O programa Nova Economia desta quinta-feira (5) [confira pelo link abaixo] recebeu Eduardo Magalhães Rodrigues, pós-doutor em Economia Política pela PUC/SP, doutor em Planejamento Territorial e pesquisador no Centro de Estudos de Saúde Coletiva da Faculdade de Medicina do ABC.

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Rodrigues criou uma metodologia com grafos, que permite cruzar dados de todas as empresas, de maneira a descobrir as imbricações societárias, para mapear os grandes grupos hegemônicos do Brasil.

Em entrevista à bancada do programa, o pesquisador explica que o levantamento foi realizado durante dois anos, ao longo do isolamento social imposto pela pandemia de Covid-19.

Ao analisar a linha adotada por estrangeiros para mapear os grupos na economia mundial, com base nos anuários do Valor Econômico, Rodrigues mapeou a economia brasileira e constatou que existem 200 grandes grupos que controlam 63,5% do Produto Interno Bruto (PIB) da economia nacional, grupos compostos por 6.235 empresas.

“As empresas, na verdade, são pessoas, não são entidades abstratas metafísicas. São pessoas que têm vontades, interesses e, principalmente, interesses econômicos. Os interesses pessoais dessas pessoas prevalecem sobre a economia nacional e isso obviamente é um prejuízo e causa impactos na política”, ilustra.

O pesquisador observou que a concentração de riqueza é ainda maior quando levamos em conta que as 6.235 empresas dos 200 maiores grupos representam 0,03% dos quase 20 milhões de empresas de todo o Brasil.

Cenário brasileiro

Eduardo Rodrigues ficou surpreso ao constatar que, no Brasil, a hegemonia corporativa se concentra em três grandes setores: energia elétrica, mercado financeiro e saúde privada. “Estes três grupos compõem 1%, que controla os vínculos acionários do País. É uma concentração da concentração da concentração.”

Um exemplo de como a concentração funciona no mercado brasileiro é o Trio LST, composto por Carlos Alberto Sicupira, Jorge Paulo Lemann e Marcel Herrmann Telles. Os três empresários somam patrimônio de R$ 160 bilhões e são acionisas da Eletrobras, BRC Sarl, Ambev e das Lojas Americanas, empresa envolvida em um escândalo este ano, em que foi revelado ao mercado uma dívida de R$ 43 bilhões. “Mas continuam fortemente por cima da carne seca”, conclui o pesquisador.

Assista ao programa na íntegra:

Leia também a análise de Luis Nassif sobre a pesquisa:

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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