21 de maio de 2026

Um mapa para entender a estrutura de poder na economia, por Luís Nassif

Essa rede define sistemas de poder no país. Quanto maior a centralidade de intermediação, maior o poder para influenciar jornais e políticos.

Pós-doutor em Economia Política pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Doutor em Planejamento Territorial e pesquisador do Centro de Estudos de Saúde Coletiva da Faculdade de Medicina do ABC, Eduardo Magalhães produziu um estudo relevante sobre o controle da economia brasileira pelos supergrupos.

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Ele foi entrevistado ontem pela bancada do TV GGN Nova Economia. Recomendo vivamente o programa.

Valendo-se de metodologia utilizada por pesquisadores estrangeiros para mapeamento dos grandes grupos na economia mundial, Magalhães mapeou a economia brasileira, com base nos anuários do Valor Econômico. A metodologia permite cruzar dados de todas as empresas, de maneira a descobrir as imbricações societárias.

A partir do levantamento, ele distribuiu as empresas por cinco rankings de avaliação. Um deles é o da “centralidade de intermediação”. Explica qual o grau de influência da empresa na economia, tomando por base todas as suas controladas e as controladas das controladas.

O trabalho permite mapear toda a estratégia da 3G – de Jorge Paulo Lemann, Beto Sicupira e Marcel Telles.

A liderança é da Eletrobras. A segunda estatal colocada é a Copel (Companhia Paranense de Energia), em processo de privatização. E a terceira é a Cemig Geração e Transmissão, também sob risco de privatização. Provavelmente, o trio das Americanas foi orientada por trabalho similar na hora de definir suas estratégias de tomada de controle.

O mapeamento montado por Magalhães poderá ser um bom ponto de partida para as estratégias de investimento do BNDESPar e fundos de pensão de empresas públicas, por ajudar a definir peças chaves no universo econômico brasileiro.

Mas não apenas isso. Essa rede intrincada define também sistemas de poder no país. Quanto maior a centralidade de intermediação, maior o poder político para influenciar jornais e políticos. O trabalho permitirá identificar, uma a uma, as relações entre todos os grupos.

E ajudará a entender mecanismos sofisticados em torno das estratégias de privatização. Como a Petrobras dificilmente seria privatizada, todo o trabalho nos períodos Temer-Bolsonaro consistiu em quebrar suas pernas para não participar, no futuro, de competição com os super-grupos privados.

É hora de começar a incluir o tema na relação das disfunções da economia brasileira.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.
luis.nassif@gmail.com

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6 Comentários
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  1. ed.

    6 de outubro de 2023 8:53 am

    Poor braZil…

  2. esaidel

    6 de outubro de 2023 11:30 am

    Achei a matéria bem interessante, gostaria de ter acesso à publicação completa, pois também tenho pesquisas nessa área.

  3. Antonio Uchoa Neto

    6 de outubro de 2023 12:46 pm

    Eis aí o Binômio Bancos/Corporações, ou o que podemos ver (e supor) dele. Um esboço de organograma da verdadeira governança do mundo, da qual jornais e políticos – e os três poderes em geral – são meros moleques de recados. Não existem mais povos e nações. Existem bancos e corporações. Pela enésima vez, reproduzo a fala do Sr. Jensen, em “Rede de Intrigas”, de 1976 (não deixem de ver o filme), em que basta trocar a televisão pela internet e redes sociais, para entender o funcionamento desse mundo, hoje: Sr. Jensen: “Você interferiu com as forças primais da natureza, sr. Beale, e isso eu não vou tolerar!! Fui claro?! Você pensa apenas que interrompeu uma negociação. Não é o caso. Os árabes tiraram bilhões de dólares desse país, e agora tem que devolvê-los! É o fluxo da maré, maré gravitacional! É equilíbrio ecológico! Você é um homem das antigas, que pensa em termos de nações e povos. Não há nações. Não há povos. Não há russos. Não há árabes. Não há terceiros mundos. Não há ocidente. Há apenas um sistema holístico de sistemas, um vasto e imenso, entrelaçado, interativo, multifacetado, multinacional domínio de dólares. Petrodólares, eletrodólares, multidólares, marcos, letras, rublos, libras, e shekels. É o sistema monetário internacional que determina a quantidade de vida neste planeta. Essa é a ordem natural das coisas, hoje. Essa é a estrutura atômica, subatômica e galática das coisas, hoje. E você interferiu com as forças primais da natureza, e vai pagar por isso! Estou me fazendo entender, sr. Beale? Você se ergueu em sua pequena tela de 21 polegadas e gritou sobre a América e a democracia. Não há nenhuma América. Não há nenhuma democracia. Há a IBM e a ITT e a AT&T, e DuPont, Dow, Union Carbide, e Exxon. Essas são as nações do mundo, hoje. Do que você acha que os russos falam, em seus conselhos de Estado – Karl Marx? Eles consultam seus gráficos de programação de linha, teorias de decisão estatísticas, planejamento, e computam as probabilidades e o custo-benefício de suas transações e investimentos, assim como nós. Não vivemos mais em um mundo de nações e ideologias, sr. Beale. O mundo é um colegiado de corporações, inexoravelmente determinado pelos estatutos imutáveis dos negócios. O mundo é um negócio, sr. Beale. Tem sido assim desde que o homem engatinhou para fora do limo. E nossos filhos viverão, sr. Beale, para ver esse mundo perfeito em que não haverá guerra ou fome, opressão ou violência – apenas uma imensa e ecumênica companhia corporativa, para quem todos os homens trabalharão em prol de um ganho comum, em que todos terão sua cota de ações, todas suas necessidades satisfeitas, todas suas ansiedades pacificadas, e todo tédio dissipado. E eu estou escolhendo você, sr. Beale, para pregar esse evangelho. Sr. Beale: “Mas por que eu?” Sr. Jensen: “Por que você está na televisão, idiota. Sessenta milhões de pessoas o assistem toda noite, de segunda à sexta.”

  4. Antonio Uchoa Neto

    6 de outubro de 2023 1:44 pm

    Eis aí o Binômio Bancos/Corporações, ou o que podemos ver (e/ou supor) de sua existência e funcionamento. Eis aí a verdadeira governança do mundo, da qual mídia e políticos e burocratas dos três poderes (executivo, legislativo e judiciário) são meros moleques de recados. Paddy Chayefsky escreveu o roteiro de “Rede de Intrigas”, lançado em 1976. Traduzo aqui no GGN, pela enésima vez, a fala do Sr. Jensen – que se gaba de ser capaz de vender qualquer coisa – ao atônito Sr. Beale, locutor de telejornal:

    Sr. Jensen: “Você interferiu com as forças primais da natureza, sr. Beale, e isso eu não vou tolerar!! Fui claro?! Você pensa apenas que interrompeu uma negociação. Não é o caso. Os árabes tiraram bilhões de dólares desse país, e agora tem que devolvê-los! É o fluxo da maré, maré gravitacional! É equilíbrio ecológico!
    Você é um homem das antigas, que pensa em termos de nações e povos. Não há nações. Não há povos. Não há russos. Não há árabes. Não há terceiros mundos. Não há ocidente. Há apenas um sistema holístico de sistemas, um vasto e imenso, entrelaçado, interativo, multifacetado, multinacional domínio de dólares. Petrodólares, eletrodólares, multidólares, marcos, letras, rublos, libras, e shekels.
    É o sistema monetário internacional que determina a quantidade de vida neste planeta. Essa é a ordem natural das coisas, hoje. Essa é a estrutura atômica, subatômica e galática das coisas, hoje. E você interferiu com as forças primais da natureza, e vai pagar por isso!
    Estou me fazendo entender, sr. Beale?
    Você se ergueu em sua pequena tela de 21 polegadas e gritou sobre a América e a democracia. Não há nenhuma América. Não há nenhuma democracia. Há a IBM e a ITT e a AT&T, e DuPont, Dow, Union Carbide, e Exxon. Essas são as nações do mundo, hoje.
    Do que você acha que os russos falam, em seus conselhos de Estado – Karl Marx? Eles consultam seus gráficos de programação de linha de produção, teorias e estatísticas de decisão, planejamento, e computam as probabilidades e o custo-benefício de suas transações e investimentos, assim como nós. Não vivemos mais em um mundo de nações e ideologias, sr. Beale. O mundo é um colegiado de corporações, inexoravelmente determinado pelos estatutos imutáveis dos negócios. O mundo é um negócio, sr. Beale. Tem sido assim desde que o homem engatinhou para fora do limo. E nossos filhos viverão, sr. Beale, para ver esse mundo perfeito em que não haverá guerra ou fome, opressão ou violência – apenas uma imensa e ecumênica companhia corporativa, para quem todos os homens trabalharão em prol de um ganho comum, em que todos terão sua cota de ações, todas suas necessidades satisfeitas, todas suas ansiedades pacificadas, e todo tédio dissipado. E eu estou escolhendo você, sr. Beale, para pregar esse evangelho.
    Sr. Beale: “Mas por que eu?”
    Sr. Jensen: “Por que você está na televisão, idiota. Sessenta milhões de pessoas o assistem toda noite, de segunda à sexta.”

    Isso em 1976. Basta substituir o nome de alguns países, o nome de algumas companhias, incluir as gigantes da tecnologia, e trocar a televisão pela internet e redes sociais, e percebemos que nada mudou, de lá para cá, a não ser a velocidade com que o controle social por parte do Binômio hoje avança, e a extensão que é capaz de alcançar.

  5. Anônimo

    6 de outubro de 2023 2:52 pm

    Não existe “pós doutor”…

  6. Antonio

    6 de outubro de 2023 5:15 pm

    Extremamente revelador o Trabalho (excelente) produzido pelo Eduardo Magalhães, que além de demonstrar a utilidade do software em várias áreas de interesse, expõe com clareza como os grandes investidores direcionam seus recursos na direção da obtenção primeiro do poder para na sequência dominarem o lucro financeiro colocados à sua mercê…como o Nassif mencionou, as pessoas intuíam, agora ficou patente.
    Parabéns Nassif, belo trabalho.

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