A novilíngua dos “progressistas” brasileiros, por Rogério Maestri

A novilíngua dos “progressistas” brasileiros

por Rogério Maestri

A esquerda e mais amplamente falando, os “progressistas” brasileiros estão tentando ganhar o espaço público através dos Blogs, dos Vídeos e outras facilidades que a Internet nos franqueia, porém essa entrada no debate por todo um setor “intelectual” começa a esbarrar em dois fenômenos, a “novilíngua” que empregam esses setores e a incapacidade desses de tirar o pulso da população sobre a evolução da situação recorrendo-se somente aos biscoitos caninos que são jogados a todos pelas grandes corporações. 

A pandemia por um lado levou uma série de intelectuais “progressistas” ou mesmo os socialistas e comunistas (depois explico a distinção) aos novos meios de comunicação de massa, todo o intelectual que se prese tem o seu blog, ou o seu canal de Youtube e muitas vezes os dois. Isso tem um aspecto altamente positivo pois como isso está sendo feito em massa, a narrativa está passando da extrema-direita para posições mais no sentido da esquerda, porém os vícios e o uso acadêmico dos “locais de fala” desses grupos “intelectualizados” estão ainda simplesmente transportando para os meios de massa a forma de falar que muitas vezes corta o acesso ao grande público. Para não ficar na pura abstração vou citar um exemplo típico de uma palavra típica desse meio que revela muita coisa. 

Vira e mexe em diversos meios vem a palavra “PROVOCAÇÃO” ou “PROVOCAÇÕES” se procurarmos no dicionário do Houaiss: 

PROVOCAÇÃO: s.f. ato ou efeito de provocar. 1 ato ou efeito de, com palavras atos, forçar alguém a uma luta, briga, discussão etc.; desafio, repto <atos de p. na fronteira para forçar uma guerra>\ 2. ato, fala ou atitude de desrespeito, insulto, afronta, ofensa …….. 

Se olharmos a raiz da palavra, provocar, é forçar alguém a responder um desafio; desafiar. 

Como vemos no Português normal e dicionarizado a palavra provocação é algo forte quase que uma intimidação para alguém reagir com força, entretanto os nossos “intelectuais” distorceram a palavra e utilizam na sua “novilíngua” dos “progressistas” e esquerdistas em geral (como analogamente utilizo uma expressão popular) levantar a bola para seu companheiro de provocações (que não são provocações) cortar. 

Para ficar claro vou dar um exemplo prático de uma provocação. “Provocação é uma palavra genérica utilizada por uma pequena burguesia “progressista” para que seus amiguinhos respondam as perguntas já combinadas e pareça que estão fazendo um imenso debate, ou seja, uma palavra típica de intelectual pequeno burguês BUNDÃO”. 

Por que faço essa provocação? Simplesmente para que esses intelectuais pequeno-burgueses procurem pelo menos se afastar de uma forma de falar estereotipada que dentro de uma discussão acadêmica é o máximo, mas fora dessa não tem o mínimo sentido. 

Seguindo na linha de provocações reais e não imaginárias, outra coisa que me surpreende é a santa ingenuidade em que os ditos intelectuais “progressistas” utilizam dados estatísticos das fontes menos confiáveis, como empresas que trabalham no mercado de capitais, de forma acrítica. Se na academia há alunos e professores que torturam alguns dados para ficarem completamente de acordo com as suas teses, porque uma empresa de venda de títulos e de especulação financeira não vão dar uma ligeira penteadinha no resultado de suas pesquisas dentro do intervalo de confiança da pesquisa? Como diria a minha avó: “Quem parte e reparte e não fica com a melhor parte é burro ou não tem arte.”  

Mas por que os intelectuais “progressistas” utilizam dados de forma acrítica das mais diversas fontes povoadas de conflito de interesses? Simplesmente porque eles vivem geralmente em condomínios (verticais, os mais pobres e horizontais os que já foram cooptados pelo grande capital) e o mais importante desses condomínios é o filtro promovidos pelas portarias de pedintes e pessoas que ofertam seu trabalho manual que passam pelo portão da minha casa todos os dias. Com a quantidade e qualidade dessas pessoas já definem a situação financeira de grande parte dos desempregados, não preciso esperar que um jornalão me diga que o desemprego aumentou, sei semana a semana desse aumento. 

Agora vem a última provocação, quem são as forças “progressistas”? Para mim existe dois grandes grupos nessas forças “progressistas”, a primeira é uma fração dos antigos direitistas, que por serem mais espertos do que os outros, estão se dando conta que a água ou já está batendo na sua bunda, ou baterá em breve e como diria Oscar Wilde: “Sou o amor que não ousa dizer seu nome.” E como não podem adotar parte dos discursos de esquerda que já ouviam há décadas se autodenominam forças progressistas, para na primeira oportunidade traírem todos aqueles que são de esquerda com a vantagem de dizer que sempre foram “progressistas”. 

Também existe uma outra categoria de “progressistas”, tão safada como a primeira, que eram intelectuais acadêmicos (atenção trabalhei na academia por quase quarenta anos, não é recalque) que levavam sua vidinha confortável, como qualquer elemento da pequena burguesia acadêmica na era PT, mas como ganhavam suas bolsas e conseguiam fazer diversos cursos de pós-doc, onde não faziam nada e ganhavam em moeda forte e estão sentindo a água bater na bunda. Geralmente essa turma é simpatizante do PSOL, criticaram Lula e principalmente Dilma, dizendo que o “minha casa minha vida” era nada mais do que um assistencialismo populista (atenção: todos esses já possuíam suas casas). 

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