As viúvas do calvário, por Ricardo Mezavila

O grupo de, mais ou menos, quarenta mulheres, se reuniu para a foto oficial com Bolsonaro e duas coisas chamaram atenção sem causar surpresa: Apenas cinco empresárias usavam máscara e não havia nenhuma mulher negra no grupo.

Alan Santos/Presidência da República

As viúvas do calvário

por Ricardo Mezavila

O presidente Jair Bolsonaro se reuniu com empresárias em um almoço, em São Paulo. Durante dezessete minutos o presidente discursou e disse que não teme a CPI da Pandemia, criticando governadores e prefeitos pela gestão no combate ao coronavírus. 

O grupo de, mais ou menos, quarenta mulheres, se reuniu para a foto oficial com Bolsonaro e duas coisas chamaram atenção sem causar surpresa: Apenas cinco empresárias usavam máscara e não havia nenhuma mulher negra no grupo. 

Vendo a foto de Bolsonaro rodeado por mulheres, penso no calvário das viúvas, que ficou conhecido como a ‘limpeza’ das mulheres no território pós segunda guerra, quando soldados nazistas invadiram as cidades e estupraram mulheres e as mantinham sob ameaças. 

Essas mulheres perderam seus maridos na guerra e eram obrigadas a fazer todo o tipo de serviço para os soldados invasores, mas eram mal interpretadas pelas famílias tradicionais das cidades. 

Quando terminava a ocupação e os soldados iam embora, eram levadas, pelas mãos daqueles que defendiam os bons costumes, para as praças públicas e tinham seus cabelos raspados, eram despidas e suas testas marcadas a ferro com o símbolo da suástica. Muitas não suportaram a humilhação e cometeram suicídio. 

Essa narrativa não tem nada a ver com Bolsonaro, aliás, é tido como fake news que ele tenha dito em uma entrevista que mulheres que se consideram feministas merecem o calvário das viúvas. Essa entrevista, supostamente, não existe.  

Ao contrário do que disse sobre a cavalaria brasileira e os indígenas, quando era deputado: “A cavalaria brasileira foi muito incompetente. Competente, sim, foi a cavalaria norte-americana, que dizimou seus índios no passado e hoje em dia não tem esse problema em seu país” 

Ricardo Mezavila é cientista político

Este artigo não expressa necessariamente a opinião do Jornal GGN

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