Imagens do Metrô podem solucionar caso Macalé, arquiteto negro encontrado morto em SP

Principal pergunta sobre a morte do arquiteto é se ele teria se suicidado ou se foi empurrado do Viaduto Sumaré

Luiz Felipe Bernardes dos Santos, o Macalé, morreu aos 36 anos - Foto: Reprodução / Facebook

do Brasil de Fato

Imagens do Metrô podem solucionar caso Macalé, arquiteto negro encontrado morto em SP

por Igor Carvalho

Câmeras posicionadas nas saídas da estação Sumaré no Viaduto Sumaré, zona oeste de São Paulo, podem elucidar a morte do arquiteto Luiz Felipe Bernardes dos Santos, o Macalé, de 36 anos.

De acordo com a Polícia Militar, ele teria se suicidado saltando da ponte para a avenida Paulo VI, despencando de uma altura de 30 metros. A tese é rechaçada por amigos e pela namorada.

A reportagem do Brasil de Fato esteve no viaduto Sumaré e contou cinco câmeras posicionadas nas duas saídas da estação Sumaré e voltadas para a direção da ponte. As imagens, no entanto, só podem ser solicitadas pelas autoridades policiais, como explicou a assessoria de imprensa do Metrô.

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Na manhã desta quarta-feira (2), Patrícia Brasil, companheira de Macalé, esteve na 23ª Delegacia de Polícia de Perdizes, zona oeste de São Paulo e recebeu a notícia de que a polícia ainda não instaurou inquérito e que seu depoimento está marcado para o dia 9 de junho.

“Moroso demais”, reclamou Brasil. “Eu acho que tem que ser imediatamente [solicitar as imagens]. Se as câmeras podem explicar o que aconteceu, temos muito interesse em saber exatamente o que aconteceu.”

A advogada de Patrícia Brasil, Ana Paula Vieira, esteve na região da residência de Macalé, na Água Branca, zona oeste da capital paulista, buscando imagens que mostrem o momento em que o arquiteto sai de casa e se estaria sozinho ou acompanhado.

“Todas as informações que puderem elucidar qual é o trajeto, o que aconteceu, como ele chegou ao local da morte dele são importantes. Nós nos comprometemos com as autoridades que todas as informações que tivermos, entregaremos para eles”, explicou Vieira.

Perguntas abertas

O período entre 1h53 e 3h23 da madrugada de domingo (30), horário em que Macalé é deixado em casa pelo Uber, de acordo com seu primo e vizinho Alexandre Santos, e o momento em que seu corpo é encontrado no vão do Viaduto Sumaré é um mistério.

Até o momento, não há indícios sobre o que Macalé teria feito nesse intervalo. Em sua casa, as roupas e utensílios foram encontrados revirados e sumiram alguns itens, como seu notebook e o anel de formatura.

De acordo com Patrícia Brasil, a fechadura da porta dos fundos da casa de Macalé teria sido violada. O celular do arquiteto está com seu primo, Alexandre Santos, que não atendeu as ligações do Brasil de Fato. A namorada e sua defesa pedirão a Polícia Militar que peça o aparelho para análise do conteúdo.

Macalé saiu com vida da casa? Se saiu com vida, para onde estava indo? Havia alguém com Macalé, após às 2h, quando ele teria saído novamente de casa? A única testemunha do caso, um ciclista que passava embaixo do viaduto quando o corpo de Macalé caiu, não foi identificada pela Polícia Militar. Ele se jogou ou foi empurrado do alto da ponte? São perguntas que somente uma investigação poderá responder.

Edição: Leandro Melito

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