Opinião: “ ‘Na USP, hein?!’… Permanência e saúde mental na Universidade de São Paulo”

Para autoras, a USP “tem falhado especialmente em um dos principais pontos da dimensão do cuidado como ética e práxis para enfrentar os impactos das desigualdades: a escuta das pessoas envolvidas, a adoção do diálogo como prática institucional”

da ADUSP – Associação dos Docentes da Universidade de São Paulo

Opinião: “ ‘Na USP, hein?!’… Permanência e saúde mental na Universidade de São Paulo”

Como pode haver excelência se as políticas de acolhimento estudantil são tão precárias?, indagam as professoras signatárias deste artigo.A USP muitas vezes parece expressar, em discursos e medidas institucionais, que ações afirmativas e benefícios sociais são uma espécie de generosidade que vai além de sua esfera de atuação. Parece ter sido forçada a adotar um sistema de reserva de vagas, sem escolha diante dos dados irrefutáveis sobre a eficácia das cotas”. Para elas, a USP “tem falhado especialmente em um dos principais pontos da dimensão do cuidado como ética e práxis para enfrentar os impactos das desigualdades: a escuta das pessoas envolvidas, a adoção do diálogo como prática institucional”

A indignação que está expressa no título deste texto foi manifestada pelo apresentador do telejornal SP TV, César Tralli, em matéria[1] na qual foram apresentadas questões desafiadoras vividas por estudantes da universidade: dificuldade de alimentação, moradia e a precariedade da estrutura do Crusp — sem luz, sem Internet, com cozinhas coletivas destruídas.

Com o uso da interjeição podemos subentender que essa precariedade poderia até ser esperada em outros espaços, mas na USP?! O espanto decorre do paradoxo, pois o cenário é incompatível com o que se poderia esperar de uma instituição do porte da USP, que se considera, e é considerada, a maior e melhor da América Latina.

Infelizmente, sabemos que essa precariedade também é a USP. Em 2020, enquanto realizávamos rodas de escuta e acolhimento para moradores do Crusp, um aluno de um proeminente curso de graduação disse para a docente que o acolhia: “Eu sonhava em estudar na USP! Sonhava em viver na moradia estudantil! Estudei muito para entrar. Agora estou aqui e é muito difícil o que estamos vivendo! Dá um desânimo da universidade!” A professora se viu no estudante, pensando que também já havia sonhado em estar na USP. Que capacidade é essa de soterrar sonhos que a Universidade de São Paulo possui? Tão bonita e importante para gerar expectativas e tão cruel para produzir situações que podem esmagá-las?

Sem dúvida a USP é uma universidade com pesquisa, ensino e extensão de relevância tecnológica, científica e social; com uma comunidade formada por pessoas que agregam conhecimentos e reflexões à formação pessoal e profissional. Mas precisamos ter a coragem de olhar para a parte vexatória que também existe em nossa instituição, especialmente aquela presente no campo do cuidado com as pessoas – sendo o cuidado importante campo de construção educacional e social. A forma como a USP tem tratado questões de permanência e de saúde mental antagoniza com a perspectiva da excelência. Como pode haver excelência com a existência de estudantes que se alimentam mal (e alguns que até passam fome) e vivem em condições muito precárias na moradia que é de responsabilidade da universidade? Como pode haver excelência se as políticas de acolhimento estudantil são tão precárias?

Essa situação é suficientemente conhecida por todos nós. Especialmente no período pandêmico, docentes de diversas áreas atuaram no Crusp. A questão é: por que mesmo após tantas solicitações de estudantes, docentes e funcionários/as, após tantos comunicados, relatórios e apresentação de propostas o cenário persiste?

Ideário meritocrático e produtivista de “busca da excelência” estreita atuação institucional da USP

Pensamos que as respostas das instâncias da administração central para essas questões são há muito tempo inconsistentes e insuficientes porque o paradigma que as subsidia é problemático. Uma perspectiva organizacional balizada por noções operacionais de inovação, meritocracia e produtivismo sustenta a chamada busca de excelência da USP atual. Como revelam numerosos estudos contemporâneos sobre o tema, desenvolvidos em diferentes domínios disciplinares, esse ideário implica um estreitamento da atuação institucional, afastando-a de sua fundamental função de educar, produzir conhecimento, colaborar com a sociedade e aprofundar o debate sobre a democracia. Nesse ideário de alcance estrito, tudo o que sai do modelo de sucesso preconizado, ou seja: dessa norma, é visto como obstáculo e não como possível contribuição ao avanço do conhecimento e de sua necessária socialização. De um ponto de vista orientado unicamente à concorrência em um campo internacional de competição entre instituições de ensino superior, só é visível o que se traduz em medidas de rendimento e produtividade. Como são, então, tratados estudantes que não têm alimentação adequada, moradia e condições apropriadas de estudo?

Estudantes pobres e negros/as estão constantemente manifestando os problemas da universidade, tanto nas interações cotidianas como na efetividade das políticas de permanência, em suas dimensões material e simbólica. Além da permanência, o debate amplo e fundamentado sobre o ensino e a pesquisa é importante para compor caminhos com os/as estudantes e alcançar a almejada diversidade universitária.[2]

A USP muitas vezes parece expressar, em discursos e medidas institucionais, que as ações afirmativas e os benefícios sociais são uma espécie de generosidade, algo que vai além de sua esfera de atuação. Parece ter sido forçada a adotar um sistema de reserva de vagas, sem escolha diante dos dados irrefutáveis sobre a eficácia das cotas e sua importância na promoção de direitos. Talvez por isso as matérias no Jornal da USP reiterem, com frequência, o quanto a universidade é benevolente nos seus benefícios sociais — como se não fosse sua responsabilidade fazê-lo para a garantia da permanência e a efetivação do ensino.

A USP desenvolve algumas respostas, algumas iniciativas, mas tem falhado especialmente em um dos principais pontos da dimensão do cuidado como ética e práxis para enfrentar os impactos das desigualdades: a escuta das pessoas envolvidas, a adoção do diálogo como prática institucional. Essa escuta é necessária para que a administração possa compreender que existem lacunas nas propostas apresentadas e que estas precisam ser superadas para atender satisfatoriamente as necessidades dos estudantes, seguindo o modelo das melhores universidades do mundo.

Felizmente, a USP não é um bloco monolítico.  Majoritariamente nossa comunidade é composta por pensadores(as) desejosos de transformações estruturais, para os(as) quais a manutenção de um status quo meritocrático e produtivista é, no mínimo, questionável e frustrante. Contudo, a gestão da universidade tem realizado escolhas teórico-práticas que frequentemente são diferentes das expectativas de boa parte de sua comunidade. Neste texto, levantamos alguns pontos que geram essas disparidades e consideramos que explicitá-los brevemente poderá lançar luzes nos tensionamentos do momento. Acreditamos que somente um diálogo democrático e franco sobre as diferentes expectativas em relação à Universidade poderá nos dirigir a novos e profícuos horizontes, enevoados diante da crise atual.

Vejamos, por exemplo, as questões de permanência e saúde mental. Permanência seria um direito ou uma caridade? Uma concessão para ajudar os menos favorecidos? Qual é o papel da universidade pública no que tange à permanência? Causa espanto que a direção da USP apresente o quanto fez e faz, ignorando a violência de manter, por muitos anos, o Crusp nas condições deterioradas em que se encontra. Ou a precariedade seria parte de um projeto para justificar sua inviabilidade, eliminando aos poucos a moradia que nunca foi exatamente ofertada, mas sim reivindicada e conquistada pelos estudantes?

Universidade desvaloriza suas assistentes sociais e as sobrecarrega

A Universidade confunde assistencialismo com assistência para garantia de direitos e, ao fugir do primeiro, nega a segunda, deixando sua comunidade, especialmente os e as estudantes negros/as e pobres, em situação de abandono. A USP desvaloriza as assistentes sociais que possui, as sobrecarrega, reduzindo o quadro que já era insuficiente ao não repor as vagas ociosas após as aposentadorias. E, note-se, não possui um curso de Serviço Social, o que é bastante emblemático.

O mesmo se passa em relação à saúde mental. Para professoras, especialmente com formação em psicologia e saúde, é uma lástima observar que as questões de saúde mental têm, na maior parte das respostas, um manejo orientado por perspectiva individualista e psicopatologizante, que discursa sobre adoecimento individual como se a vida psíquica não fosse intersubjetiva, intercorporal e não estabelecesse diálogo com a dimensão social e estrutural na qual os sujeitos estão imersos.

Recentemente, alunos da nossa comunidade cometeram suicídio, o que nos deixou aterradas. Certamente compreendemos que não se pode reduzir a complexidade de um fenômeno como o suicídio à expressão “culpa da USP”, mas negar o contexto da universidade como parte da biografia de seus(suas) membros(as) e, portanto, como elemento engendrado nos processos de saúde-doença, é de um reducionismo extremo em uma instituição que busca a excelência.

Para além desses dois aspectos — permanência e saúde mental — diretamente ligados aos desafios que vivemos no atual momento,[3] seria oportuno pensar que não avançaremos na produção de respostas que façam sentido para boa parte da comunidade se o paradigma inovação-meritocracia-produtivismo, profundamente entrelaçado com o neoliberalismo, não for desconstruído, cedendo espaço para o paradigma democracia-equidade-cuidado.

A questão da democracia, assim como da universidade operacional, é pauta antiga de debates dentro da USP, tendo sido trabalhada por colegas como Marilena Chauí. A fragilização dos fluxos horizontais e bottom-up na USP pode ser observada a partir de numerosos exemplos, mas aqui mencionamos apenas dois: o mecanismo de esvaziamento do Conselho Universitário, com a realização de reuniões prévias exclusivas para dirigentes, fato frequentemente apontado pela Adusp como especialmente antidemocrático; e o caso recente da proposta do Estatuto de Conformidade de Condutas, pauta que foi apresentada ao CO para construção coletiva, a fim de incluir questões de gênero e direitos humanos, e que foi transformada em obra de teor autoritário. No caso desse segundo exemplo, o documento apresentado pela administração central foi redigido por um único colega e, sem a esperada inclusão das questões de gênero e direitos humanos, passa ao largo do que é realmente inovador no pensamento contemporâneo e evita atualizar e estreitar o relacionamento entre os membros da comunidade uspiana e mesmo da universidade com a sociedade em que se insere.

Por certo a democracia é ponto nevrálgico da organização da USP, mas consideramos igualmente relevante incluir a pauta da equidade e do cuidado como fundamentais para a construção de um paradigma contemporâneo e atualizado de sustentação da Universidade.

A valorização das diferenças (e não seu apagamento) é condição sine qua non para a dignidade da vida em sociedade. O entendimento dos efeitos anticivilizatórios dos marcadores sociais da diferença e a busca por equidade, por superação das desigualdades, são elementos básicos para a garantia dos direitos humanos. E a universidade, nesse encontro de diferenças, deveria almejar ser a expressão do debate plural, na construção de novas éticas a partir dessas muitas vozes que a compõem.

Nesse aspecto a USP tem deixado a desejar, especialmente se considerarmos três elementos fundamentais como gênero, classe e raça.

A naturalização de supostos lugares subalternos permanece nos “detalhes” da administração

As desigualdades de gênero, especialmente as questões ligadas ao assédio e à violência sexual, estão na origem da constituição da Rede Não Cala.  Apesar da nossa luta — colaborativa com a administração em tantos diferentes momentos — essa pauta teve avanços mínimos, bem aquém do razoável. Ainda temos agressores identificados, sem que sindicâncias tenham sido abertas; professores que gritam com professoras e alunas, ou as assediam sexualmente; estudantes sendo “expulsas” por violações de gênero e denúncias engavetadas sem resposta… A naturalização de supostos lugares subalternos permanece nos “detalhes” da administração, como a realização de eventos importantes sem a presença de mulheres ou a dificuldade de alunas e alunos trans de atualizarem seus documentos acadêmicos com seus nomes sociais.

Já as questões raciais têm sido objeto de muitas críticas do movimento negro dentro da USP, e objeto de recente manifestação de docentes negros e negras[4]. Muitas pessoas dentro da universidade não compreendem o que está em jogo porque ainda se apegam ao velho e historicamente insustentável “mito da democracia racial brasileira”, que supostamente confere a brancos e negros oportunidades iguais. Entretanto, basta olharmos com atenção para os dados produzidos em pesquisas acadêmicas desde o século passado para ver que essa igualdade é inexistente e são necessárias políticas que contemplem formas de inclusão para além das cotas no ingresso discente.

Trata-se de uma mudança de pensamento e de atitudes, uma política de ações afirmativas. Adotamos as cotas tardiamente e agora estamos justamente perdendo estudantes pobres e negros(as). Em constante diálogo com esses alunos e alunas, acompanhamos relatos de vontade de desistir da universidade pelo modo antidemocrático e racista como são tratados. Aqui um ponto central precisa ser debatido: a ideia de meritocracia — um dos pilares de sustentação da Universidade — é histórica e notadamente articulada com a branquitude; ou seja, uma marca da branquitude é a meritocracia. Como estudantes negros(as) não sentiriam o racismo dentro da USP?

No que tange às questões de classe também não é diferente. Uma edição recente do formulário socioeconômico do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE) indagava sobre itens de conforto: ventilador, secador de cabelo, empregada doméstica. Uma ingressante da EACH indignou-se: “Minha mãe é empregada doméstica! Ela é um item?” Entendemos que esse tópico é utilizado em formulários de pesquisa de mercado, dirigidos para grupos sociais específicos, mas é sintomático que a administração da universidade o adote sem crítica ou  reflexão.

No que se refere ao cuidado podemos seguir a mesma linha de raciocínio. Corredores do Crusp estão sem luz há meses, a oferta de alimentação é precária, um bloco inteiro está sem água quente. No início da pandemia os estudantes se organizaram, desenharam suas necessidades com razoabilidade e dirigiram-se à Reitoria para entrega de uma carta e busca de diálogo. Para esses meninos e meninas foi terrível constatar o que suas vidas representam para a universidade: não foram recebidos nem ouvidos pelos órgãos e representantes da instituição. Nesse momento, começou a circular a ideia de “abandono institucional”. Algo tão básico num ambiente educacional, como a escuta e o acolhimento (ainda que os resultados demorem a surgir na complexa constituição da nossa administração), não aconteceram. O que ensinamos a esses/as jovens? Que não são bem-vindos/as, apesar das cotas? Que não têm voz, apesar de terem a vaga?

A USP mudou e não mudou. A universidade não é mais exclusivamente da elite, branca e heterocisnormativa, mas age como se ainda fosse. Os conflitos — e os sofrimentos deles decorrentes — são, desse modo, significativos. Assim, apesar de perspectivas individualistas e psicopatológicas de saúde mental, é compreensível que as subjetividades sejam abaladas em um espaço onde não se está representado, onde não se é ouvido. As normas, centralizadoras, antiquadas e enrijecidas, não contemplam as singularidades existentes.

Paradigma neoliberal é incapaz de oferecer respostas compatíveis com as demandas da comunidade

O Escritório de Saúde Mental da USP recebeu uma mensagem de uma estudante, abalada, no sétimo dia da morte por suicídio de estudante no Crusp. A autora informou que ambos moravam no mesmo bloco, falou de sua tristeza, do racismo a que estavam submetidos, inclusive enviando um vídeo de Grada Kilomba. Tratava-se de uma mensagem de luto, bastante sensível, que buscava um ponto de diálogo institucional. O Escritório de Saúde Mental ofereceu uma resposta automática, informando que, se precisasse de acolhimento, ela deveria preencher um formulário (frio, pouco acolhedor e, inclusive, invasivo). Que espécie de (não) cuidado seria esse?

O que estamos enunciando aqui é que o paradigma neoliberal-meritocrático-produtivista, na medida em que desconsidera o paradigma democrático, de equidade e cuidado, é incapaz de oferecer respostas compatíveis com as demandas de permanência e saúde mental da comunidade USP na atualidade. Nesse sentido, a gestão da universidade oferece respostas protocolares, carentes da escuta e interlocução que seriam necessárias para o cuidado e para a garantia de direitos.

A USP oferece respostas que não têm efetividade para as pessoas e talvez ressinta-se porque, afinal, supõe que ofereceu o cuidado. Contudo, o cuidado é de ordem relacional, algo que não pode ser percebido se a própria ideia de cuidado não for assumida como parte do sustentáculo da universidade no ensino, na pesquisa e na extensão, e reconhecida nesta perspectiva dialógica, de encontro entre sujeitos diversos. Temos visto como as instituições educativas e a produção teórica em educação têm incorporado, com muito sucesso, a dimensão do cuidado como eixo transversal na sua sustentação.

Nas práticas cotidianas, acumulam-se manifestações conscientes e inconscientes do modus operandi da instituição. Estudantes do Crusp tomam banho de água fria e, num cenário tenso mobilizado por três suicídios, estudantes recebem respostas automáticas do Escritório de Saúde Mental.

Sem uma revisão conceitual, ética e política, os membros da comunidade que apontam essas questões, embasadas cientificamente e seguindo o modelo das melhores universidades, serão somente considerados queixosos ou inimigos. Boas propostas serão engavetadas ou focalizadas na esteira automática da linha de produção que tritura subjetividades, atribuindo ao sucesso um caráter individual que desconsidera as desigualdades (especialmente as decorrentes dos marcadores sociais da diferença), ignora a ausência de direitos e de democracia, e trata os adoecimentos e a evasão como situações excepcionais.

Uma das autoras deste texto indagou suas alunas sobre a universidade e os docentes: tinham a percepção de que se importam com elas? A resposta foi: “Professora, 99% da USP não se importam conosco, alguns docentes, poucos, sim”. Triste realidade. Sabemos que palavras vazias não importam, mas também aprendemos com estudantes o quanto é importante dizer. Por isso — dentre nossas numerosas funções — atuamos no Crusp em 2020 e registramos aqui: Estudantes e colegas: nós nos importamos com vocês, com sua vida e trajetória, sua saúde, seu aprendizado e com sua felicidade e seu futuro.

Michel Foucault, dentre outros autores emblemáticos, chama atenção para a produção de novos modos de vida, pautados na amizade e em uma ética e estética da existência que possa fazer da vida uma obra de arte. Esta bem poderia ser uma perspectiva de excelência para a USP: investir nas potências da pluralidade da vida, criando vida com sentido, em um trabalho menos burocrático e mais artesanal. Vida sem racismo, elitismo, machismo, homofobia, xenofobia, sem hierarquias aristocráticas obsoletas.

Estamos preocupados(as) com suicídio? Sim. Mas temos sido capazes de cuidar da vida?

A prevenção ao suicídio e aos adoecimentos e, mais do que isso, a construção de projetos de vidas mais plenos (que incluem saúde, relacionamentos, trabalho e estudo) se materializam na construção dessas possibilidades de vida. É a vida com encontro, com equidade, com escuta ativa, com olhar e ser visto, com existências singulares, criatividade, construção democrática, debate e novas éticas e estéticas. É a vida como obra de arte, tecida nos encontros do cotidiano.

Para finalizar, observamos que estamos em um limite tão agudo nesse cenário produtivista e nesse modo de vida estéril, que percebemos — em vários grupos e unidades — força para conclamar outras respostas e possibilidades.

Estaria próxima uma primavera uspiana? Quem sabe a crise abra portas para a ampliação da reflexão sobre o esgarçamento e as dissonâncias existentes em nossa universidade hoje. Que possamos produzir outras éticas e estéticas para a existência da USP, que venham novas sementes e flores!

Professora Elizabete Franco Cruz, EACH

Professora Soraia Chung Saura, EEFE

Professora Heloisa Buarque de Almeida, FFLCH

Professora Ana Flavia Pires Lucas D Oliveira, FM

Professora Adriana Marcondes Machado, IP

Professora Maria Luiza Schmidt, IP

Professora Patrícia Izar, IP

Professora Christina Brech, IME

Professora Elizabeth Lima, TO/FM

Professora Silvana Nascimento, FFLCH

Professora Cláudia Vianna, FE

Professora Vima Lia de Rossi Martin, FFLCH

Professora Sylvia Gemignani Garcia, FFLCH


[1]https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2021/05/28/metade-dos-alunos-de-faculdade-de-ciencias-humanas-da-usp-deixou-de-receber-beneficio-e-tem-dificuldade-de-manter-estudos.ghtml

[2]https://piaui.folha.uol.com.br/dialogos-possiveis/

[3]Me dói  https://youtu.be/tmOXXjjbRBU

[4]https://www.adusp.org.br/index.php/defesauniv/4157-crusp-covid2?fbclid=IwAR1aak27r18LugPV0JzGnFXezYDLgHJh5C4B3Pxk7hoA0JyuCiVIgRCYfnk

Este artigo não expressa necessariamente a opinião do Jornal GGN

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