Desgastado, Ernesto Araújo cria novo conflito e pede demissão

Os ataques do ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo, contra a senadora Kátia Abreu (PP-TO) ofendem todo o Senado. Assim declarou o próprio presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (DEM-MG)

Foto: Divulgação

Jornal GGN – Os ataques do ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo, contra a senadora Kátia Abreu (PP-TO) ofendem todo o Senado Federal. Assim declarou o próprio presidente do Senado e do Congresso, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), em meio a um desgaste da imagem de Araújo entre o Legislativo. Após episódio, Araújo pediu demissão do cargo.

Na manhã de hoje (29), o chanceler brasileiro pediu demissão do cargo. A informação, ainda não confirmada oficialmente, ocorre um dia após Araújo criar novo conflito no Congresso, acusando a senadora de atuar em favor de interesses do 5G da China, durante um almoço reservado entre eles no Itamaraty.

No início da tarde deste domingo, o ministro de Bolsonaro publicou no Twitter: “Em 4/3, recebi a senadora Kátia Abreu para almoçar no MRE. Conversa cortês. Pouco ou nada falou de vacinas. No final, à mesa, disse: ‘Ministro, se o senhor fizer um gesto em relação ao 5G, será o rei do Senado’. Não fiz gesto algum”.

“Desconsiderei a sugestão inclusive porque o tema 5G depende do Ministério das Comunicações e do próprio Presidente da República, a quem compete a decisão última na matéria”, continuou o ministro.

As acusações trataram de indicar que a parlamentar estaria atuando em defesa de interesses da China na pauta 5G, mas também expõe uma suposta declaração ou intermediação de Kátia em uma reunião reservada.

Em nota, a senadora respondeu que o chanceler é ““a face de um marginal”, “à margem da boa diplomacia, à margem da verdade dos fatos, à margem do equilíbrio e à margem do respeito às instituições”.

“O Brasil não pode mais continuar tendo, perante o mundo, a face de um marginal. Alguém que insiste em viver à margem da boa diplomacia, à margem da verdade dos fatos, à margem do equilíbrio e à margem do respeito às instituições. Alguém que agride gratuitamente e desnecessariamente a Comissão de Relações Exteriores e o Senado Federal”, escreveu.

Ela negou que teria feito a declaração em reunião, e afirma que Araújo resumiu de forma equivocada o encontro, que contou ainda com outras pessoas testemunhando as declarações, que trataram de diversos temas, incluindo o desmatamento na Amazônia.

Logo após o confronto, o presidente do Senado saiu em defesa de Kátia: “A tentativa do ministro Ernesto Araújo de desqualificar a competente senadora Kátia Abreu atinge todo o Senado Federal. E justamente em um momento que estamos buscando unir, somar, pacificar as relações entre os Poderes. Essa constante desagregação é um grande desserviço ao País”, escreveu Pacheco.

Ainda, as críticas de Araújo à senadora ocorrem em momento de grave crise da imagem do chanceler junto ao Congresso, que desde a semana passada vem pressionando o presidente Jair Bolsonaro a demiti-lo do posto.

“Só posso imaginar desespero desse cidadão, que ainda se chama de chanceler, por sua possível saída do posto [de ministro] por falta de competência”, disse novamente a parlamentar, na manhã desta segunda (29), em entrevista à GloboNews.

Momentos depois, Araújo comunicou a assessores próximos que apresentou pedido de demissão a Bolsonaro.

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