Brasil é “máquina de moer gente preta”, aponta relatório de violência

Relatório da Rede de Observatórios da Segurança, que monitorou 21.563 eventos violentos em 7 estados do país.

Foto: Felipe Iruata / Relatório Rede de Observatórios da Segurança

O Brasil é uma “máquina de moer gente preta”. É o que mostra o relatório da Rede de Observatórios da Segurança, que monitorou 21.563 eventos violentos em 7 estados do país. Racismo e a responsabilidade das ações policiais são os destaques deste retrato no país. As pessoas negras são as principais vítimas e os policiais os principais agentes de violência.

A Rede de Observatórios acompanhou os dados de agosto de 2021 a julho de 2022, diariamente a partir de veículos da imprensa, alimentando um banco de dados.

“A Rede de Observatórios busca suprir a ausência ou omissão do Estado em produzir e divulgar amplamente dados confiáveis e de qualidade para que políticas públicas sejam avaliadas. E comprova que sob qualquer parâmetro estatístico, é a população negra a que mais morre no Brasil de hoje”, concluiu.

Na prática, uma pessoa negra foi vítima de violência a cada meia hora, no período analisado.

Violência policial. Mas não só eles.

Nos 7 estados, os eventos ligados às polícias representaram 55% dos registrados, chegando 67% no Rio de Janeiro, sendo este o estado que também apresentou maior letalidade a partir da violência policial.

Mas, para Dudu Ribeiro, coordenador do Observatório da Segurança na Bahia e da Iniciativa Negra por Nova Política sobre Drogas, “não devemos olhar apenas para o dedo que aperta o gatilho e produz a morte de forma direta”. “As condições que são criadas antes mesmo da arma ser engatilhada nos preocupam ainda mais. Pois é atrás desse véu que ‘os brancos calam, e deixam a sala com veludo nos tamancos’. É neste ponto que visualizamos o tamanho da sofisticação do racismo brasileiro.”

E as mulheres

Também quase 7 casos por dia de violência contra mulher foram monitorados. A Bahia teve o maior crescimento neste índice, de 47% em comparação ao ano anterior. E Pernambuco é o estado que mais registrou feminicídios e transfeminicídios.

“O desafio que nos impomos neste relatório é apontar para a branquitude como ela tem passado ilesa quando tratamos do tema de segurança pública e violência no Brasil”, escreveu Ribeiro na introdução do documento.

Abaixo, algumas constatações do relatório:

  • Foram 59 eventos violentos monitorados por dia em sete estados;
  • Polícia do Rio de Janeiro mata mais que todos os outros estados juntos;
  • No Nordeste, polícia baiana é a que mais mata;
  • Maranhão tem o maior número de ações de policiamento no Nordeste;
  • Bahia teve aumento de 47% em índices de violência contra a mulher;
  • Pernambuco é o estado que mais mata mulheres trans;
  • Piauí é o estado com maior registro de linchamentos por número de habitantes;
  • Ceará quase dobra número de  chacinas com aumento de 75%, estado também é onde mais policiais morrem no Nordeste;
  • Maranhão e Piauí têm os maiores indices de violência sexual contra crianças no Nordeste;
  • São Paulo registra aumento de 15% na violência contra crianças e adolescentes.

Leia a íntegra:

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Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile, repórter de Política, Justiça e América Latina do GGN há 10 anos.

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