4 de junho de 2026

Pelo direito dos meninos, de Sílvia Amélia de Araujo

imagem: filme Meninos de Kichute, de Guta Galli

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Pelo Direito dos Meninos

por Sílvia Amélia de Araujo

Que nenhum menino seja coagido pelo pai a ter a primeira relação sexual da vida dele com uma prostituta (isso ainda acontece muito nos interiores do Brasil!).

Que nenhum menino seja exposto à pornografia precocemente para estimular sua “macheza” quando o que ele quer ver é só desenho animado infantil (isso acontece em todo lugar!).

Que ele possa aprender a dançar livremente, sem que lhe digam que isso é coisa de menina.

Que ele possa chorar quando se sentir emocionado, e que não lhe digam que isso é coisa de menina.

Que não lhe ensinem a ser cavalheiro, mas educado e solidário, com meninas e com os outros meninos também.

Que ele aprenda a não se sentir inferior quando uma menina for melhor que ele em alguma habilidade específica – já que ele entende que homens e mulheres são igualmente capazes intelectualmente e não é vergonha nenhuma perder para uma menina em alguma coisa.

Que ele aprenda a cozinhar, lavar prato, limpar o chão para quando tiver sua casa poder dividir as tarefas com sua mulher – e também ensinar isso aos seus filhos e filhas.

Na adolescência, que não lhe estimulem a ser agressivo na paquera, a puxar as meninas pelo braço ou cabelos nas boates, ou a falar obscenidades no ouvido de uma garota só porque ela está de minisaia.

Que ele não tenha que transar com qualquer mulher que queira transar com ele, que se sinta livre para negar quando não estiver a fim – sem pressão dos amigos.

Que ele possa sonhar com casar e ser pai, sem ser criticado por isso. E, quando adulto, que possa decidir com sua mulher quem é que vai ficar mais tempo em casa – sem a prerrogativa de que ele é obrigado a prover o sustento e ela é que tem que cuidar da cria.

Que, ao longo do seu crescimento, se ele perceber que ama meninos e não meninas, que ele sinta confiança na mãe – e também no pai! – para falar com eles sobre isso e ser compreendido.

Que todo menino seja educado para ser um cara legal, um ser humano livre e com profundo respeito pelos outros. E não um machão insensível! Acredito que se todos os meninos forem criados assim eles se tornarão homens mais felizes. E as mulheres também serão mais felizes ao lado de homens assim. E o mundo inteiro será mais feliz.

O machismo não faz mal só às mulheres, mas aos homens também, à humanidade toda.

Meu ativismo político é a favor da alegria. Só isso.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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4 Comentários
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  1. Anarquista Lúcida

    1 de junho de 2016 11:24 pm

    Belo texto.

    Sem besteirol dizendo que as feministas dizem que todo homem é estuprador.

  2. Aleandro Chavez

    2 de junho de 2016 2:16 am

    Que a sociedade não cobre dos

    Que a sociedade não cobre dos meninos que eles sejam ao menos tão bem sucedidos quanto suas parceiras no futuro;

    Que a obrigatoriedade do serviço militar seja abolida;

    Que seja criada a licença parental que possa ser usufruída também pelos pais para os primeiros meses de vida de seus filhos;

    Que os trabalhos perigosos e insalubres não sejam encargos apenas dos homens;

    Que o Estado gaste com os meninos o mesmo valor que gasta com as meninas ao longo da vida com despesas de saúde;

    Que ele trabalhe o mesmo tempo de suas companheiras pra se aposentar.

    1. Anarquista Lúcida

      2 de junho de 2016 7:13 pm

      Muita má fé nesse comentário…

      OK para 1 e 2.

      OK para 3, desde que eles realmente façam parte do cuidado com o bebê, e nao estejam lá só para “usufruir dos primeiros meses de vida de seus filhos”. 

      4 nao é verdadeiro — há mulheres que fazem trabalhos perigosos e insalubres; e isso apesar de terem menos força física, em geral.

      5 só pode ser piada! As “despesas de saúde” com as mulheres com que o Estado gasta mais sao as relativas à maternidade! E homens brigam mais, fumam mais, bebem mais, correm mais de carro… quem te disse que o Estado gasta menos com eles? qual a sua fonte?

      5 iguala coisas desiguais; mulheres tem dupla jornada de trabalho; o dia em que for estatisticamente verdadeiro que os homens gastam o mesmo tempo com a casa e o CUIDADO (diversoes nao vale…) com os filhos, aí eu estarei de acordo

  3. Carlos Alberto Freitas Lima

    2 de junho de 2016 4:40 am

    ISSO É UMA BRINCADEIRA NÉ NASSIF.
    Nunca li mais babaquice que isto, comportamento de marginal , não tem nada a ver com convivência humana de diversidade sexual. Só falta legislar que atração sexual sseja crime. O problema não é esse. Pelo amor de Deus não afaste mais o ser humano um do outro, isso é insanidade. Devemos é aprender a respeitar. Como acabar com prostitutas, como, isso é costume feminino e fantasia masculina. Homem nasce de uma mulher. Que loucura é essa? Por favor Nassif , agora tudo é culpa do homem, vamos ser sensatos, isso precisa mais estudo para sabermos do que se trata. Não vamos afastar as pessoas ainda mais.

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