Fórum Brasilianas-Cemig: Minas tem maior concentração de profissionais de TI do país

Por outro lado, dois em cada três mineiros do setor partem para São Paulo em busca de melhores salários 
 
Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil
 
Jornal GGN – Minas Gerais é o Estado com o maior número de empreendedores no setor da Tecnologia da Informação, mas perde para São Paulo quando o assunto é a renda. O tema foi destaque no Fórum Indústria Criativa Mineira, realizado pela Plataforma Brasilianas em parceria com a Cemig, na última terça-feira (04), em Belo Horizonte. 
 
Por causa do fator salário, dois em cada três profissionais de TI saem de Minas para São Paulo. 
 
“Estamos numa época bipolar, entre extremos, e ficamos meio perdidos. Em pouco tempo não existirá emprego, mas trabalho”, observou o superintendente Tecnologia da Informação e Telecomunicações da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), João Luiz Silva Barbosa convidado para o evento. 
 
Ele completou que o modelo de empregos de 30 anos atrás está cada vez mais frágil, uma vez que até concursados de empresas estatais como a Cemig, da nova geração, sentem-se rapidamente entediados em atividades tradicionais, e se recebem carta branca para agir apresentam resultados rápidos e espetaculares. Mas nem assim permanecem nas empresas. Preferem ser donos do próprio tempo.
 
Exemplos que diz ter acompanhado no dia a dia de uma grande companhia. “São rápidos, encontram saídas eficientes, como aconteceu com a criação da Agência Virtual da Cemig, e fazem em menos de três meses o que nem em um ano seria previsível anteriormente”. 
 
Esse é o perfil de quem inova, resolve rapidamente um problema, com uma ideia que ninguém teve antes, inventa um aplicativo (App) e parte para outra para não ter que se enquadrar numa rotina imposta por um sistema de trabalho formal e antiquado.
 
Silva Barbosa não esconde a sua admiração por esse novo perfil de profissional:  “Nossa bipolaridade acontece o tempo todo e precisamos ter cuidado para não matar essas novas iniciativas”, admite o superintendente. Isso porque, muitas vezes, o que se encontra no ambiente tradicional é que se faz uma grande licitação, contrata-se uma grande empresa, passando por cima de todo um ecossistema de criatividade.
 
Para o gestor, o preconceito está em se tratar iguais como iguais, diferentes como diferentes, minorias como minorias, quando todos deveriam estar integrados. Profissionais que fazem serviços voluntários, por exemplo, enriquecem a forma de ver o mundo e, a partir daí, passam a enxergar de forma mais ampla saídas para situações adversas.
 
O evento também contou com a participação de Leonardo Fares Menhem, presidente da Sociedade Mineira de Software (Fumsoft). Para ele, “não há como aumentar a produtividade sem Tecnologia da Inovação (TI) para transformar a cadeia produtiva, seja em consultoria, indústria pesada ou audiovisual”. É nessa questão que insiste há mais de 30 com a certeza de que existem lugares com potenciais relacionados à parte educacional que criam ambientes favoráveis nas cidades.
 
“Minas Gerais tem o Galo, o Verdemar, Araújo e diversas outras marcas de qualidade”, brincou o empresário ao incluir o time do coração, o Atlético Mineiro na lista, mas chamando a atenção para o fato de que no setor de TI existem também dificuldades relacionadas ao comportamento do mineiro. 
 
“Todo empreendedor nesta área quer ser um Steven Jobs ou Bill Gates, quer crescer sozinho e, geralmente, tem aversão à internacionalização”. Com isso, costumam ser engolidos por empresas, até mesmo pequenas, que são de fora do país.  “É preciso saber que essa é uma área globalizada e, portanto, sem fronteiras”, ensina.
 
A dificuldade de associação entre esses empreendimentos precisa ser melhor trabalhada, recomenda Menhem. E, para isso, o ambiente da Economia Criativa (EC) se destaca porque traz em si mudança cultural, abre as cabeças, supera medos e o complexo de vira-lata (inferioridade), um desafio para empreendedores em novos mercados.
 
Nesse aspecto, outras abordagens foram lembradas como fundamentais na formação de futuros empreendedores por Silva Barbosa, da Cemig, e Marcos Távora, presidente da Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação em Minas Gerais (Assespro-MG) que também palestrou no fórum. Eles lembraram dos Games, nas salas de jogos das escola, ou em casa. 
 
Partindo do princípio que nem todos os alunos são iguais, o professor pode atuar como aquele que ensina como superar obstáculos e vencer etapas, uma nova forma de ensinar, sugerem. O antigo jogo, com cartas de papel, como o Banco Imobiliário, conhecido de várias gerações, oferecia vitória individual para quem comprasse mais e melhor. Hoje, Games como Epidemia defendem soluções coletivas, onde todos participam para encontrar saída conjunta. “Ou todos ganham ou todos perdem”, arrematou Távora.
 
Segundo o porta-voz da Assespro-MG, que pode se orgulhar das 16 regionais da Associação instaladas em várias regiões do estado, “ecossistema de conhecimento como o de Minas Gerais não existe no Brasil”, reforçando a importância de  que “informar é uma forma de atrair”. Para Silva Barbosa, é um erro fechar as salas de jogos das escolas, como foi feito em São Paulo.
 
O importante para todos os participantes ao final do painel foi que esses ambientes se enriquecem ainda mais quando existe a convivência, a troca de ideias, o contato pessoal. E vencer a timidez pode ser a conclusão final como um recado aos mineiros, que, segundo Luis Nassif, coordenador do Brasilianas e mediador do evento, precisam perder o medo e parar com a mania de esconder o ouro. Afinal, conforme destacou Leonardo Fares Menhem, a iniciativa do P7 Criativo, prédio da Agência de Desenvolvimento da Indústria Criativa de Minas Gerais, que abriga empreendedores de TI, de misturar todos esses profissionais da indústria criativa num espaço único de trabalho estimulará invenções de destaque para o desenvolvimento de Minas Gerais, Brasil e América do Sul. 
 
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1 comentário

  1. Chuto que 50% desse pessoal

    Chuto que 50% desse pessoal sai do país até 2020.

    Engenharia e tecnologia é coisa de extrangeiro. No Brasil o agro que é pop.

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