As figuras referenciais no reino da hipocrisia, por Luis Nassif

 
Uma análise histórica das crises nacionais revelaria o seguinte
 
1. Fases de turbulência e de perda de referenciais. Morre o velho sem o que o novo tenha sido criado, gerando a grande crise.
 
2. Em períodos de estabilidade, o processo de criação de reputações é lento. Na transição, especialmente quando surgem novas formas de comunicação – como o rádio, nos anos 20, e as redes sociais, agora – a construção de reputações muda de padrão. Surgem novos personagens, dando um bypass nos caminhos tradicionais, esboroando a hierarquia anterior e abrindo espaço para novas celebridades.
 
3. Sem referenciais, há uma disputa selvagem pelo novo protagonismo. É a chamada síndrome da teoria do caos. Se o caos é completo, sem nenhuma espécie de pré-requisitos, se não é mais pré-condição a erudição, os diplomas, a hierarquia, a biografia, porque não eu, Zebedeu? A meritocracia entre juízes, procuradores, delegados em geral, Ministros do Supremo não se dá mais no terreno especializado das respectivas corporações, mas na qualidade de aparecer na mídia.

 
4. Esse processo se torna mais agudo devido à crise de confiança na racionalidade que supostamente imperava no mundo que acabou. Hoje em dia, uma meme de rede social vale mais do que a verborragia – muitas vezes vazia – dos velhos personagens.
 
5. Em algum momento, novos valores se consolidarão, como os positivistas gaúchos nos anos 30, o MDB dos anos 80. Haverá uma reorganização inicial no mercado de ideias, uma reconstrução penosa de valores, que, pouco a pouco, irão entrando pelas instituições, criando um novo normal até a crise seguinte.
 
Na transição, mais do que em qualquer outro, as figuras referenciais se tornam imprescindíveis. Cada instituição precisa do seu estadista, da sua figura referencial que impeça o esboroamento dos valores constituídos ao longo de décadas.
 
A figura referencial precisa ter historia coerente, clareza sobre o chamado interesse público ou nacional; desprendimento para não se contaminar pelo oportunismo, grandeza para sobrepor os princípios ao lero-lero do dia a dia e coragem para investir contra a voz da besta.
 
O Brasil anda tão carente dessas figuras que ontem Elio Gáspari tentou transformar Rosa Weber, a frágil Rosa Weber, em um monumento de solidez. Por falar pouco e ter tido a suprema coragem de derrubar a sentença de um juiz de 1a instância, nos cafundós do país, pretendendo impedir que os serviços públicos atendam  venezuelanos no país.
 
Eça de Queiroz consagrou personagens que falavam pouco – e nada diziam. Gaspari acredita piamente silêncio dos acacianos.
 
Como jabuti não sobe em árvore, é de se indagar qual o condicionamento pavloviano que se pretende impingir na frágil Rosa. Porque nesses tempos de perda de rumo, de alarido infernal, o exercício predileto de alguns colunistas e veículos é o direcionar votos de Ministros. É o que explica Merval Pereira, a voz mais oficiosa dos Marinhos, requerer o cancelamento da inscrição do PT nas próximas eleições.
 
E não são apenas os tribunais que seguem o clamor das ruas e os ventos medievais. 
 
O MPF tem uma luta épica histórica contra a lei da anistia. O combate à tortura deveria ser cláusula pétrea em sua hierarquia de valores. No entanto, há procuradores na rede enaltecendo Brilhante Ustra, o mais notório do torturadores. E nada acontece, sequer a censura moral de seus colegas, muito menos sanções dos conselhos de classe. 
 
Entrou-se definitivamente no reino da hipocrisia, que marca a última etapa da transição.
 
No Supremo, bravos Ministros votam em defesa da Constituição, desde que haja garantia de maioria para o votos em favor do golpe.
 
Esse mesmo jogo de cena se dá nos inquéritos da Procuradoria Geral da República. 
 
O caso da conta de Aécio Neves em Liechtenstein está na PGR desde 2010. Mesmo com a lista da Odebrecht, com a delação detalhada de como recebia as propinas de Furnas, o então PGR Rodrigo Janot recomendou o arquivamento da denúncia, enquanto investida destemidamente contra Lindbergh Farias e Gleisi Hoffmann.
 
Apenas após o grampo da JBS, Janot solicitou acesso à conta, através da cooperação internacional.
 
Semana passada, a Policia Federal apresentou seu inquérito sobre Aécio, sem levantar uma prova sequer. Em função disso, o Ministro Gilmar Mendes arquivou o inquérito.
 
Em seguida, a PGR cumpriu burocraticamente sua missão de questionar o arquivamento, argumentando que a PF não tinha provas porque ainda não consultara a conta. E a decisão de Gilmar proibia de consultar. Não explicou porque a conta jamais foi entregue à PF antes da decisão e Gilmar. E porque a Globo é mencionada em inquéritos da Espanha, Suíça e Estados Unidos sobre os escândalos da FIFA, e continua imune à ação do MPF.
 
Muitas vezes, vozes sensatas se indagam a razão desses personagens não zelarem por sua biografia. É que eles não têm o menor sentimento de história, de país, da própria instituição. É como se pudessem entrar na próxima etapa vitoriosos e, portanto, com a sua biografia zerada, da mesma maneira que os Ministros que julgaram Olga Benário os ou coronéis que conduziam os IPMs da pré-ditadura.
 
Esse jogo de cena é mantido pela Associação Nacional pela Hipocrisia, um órgão supra-institucional que se garante pela máxima “sou, mas quem não é?”.
 
Chegará o momento em que a bolha será furada. E aí, será possível que, 25 anos depois, se ouça alguma autocrítica, sincera como foi a da Globo sobre o apoio à ditadura.
 

36 comentários

  1. Divergência, apenas

    Divergência, apenas filosófica, do brilhante post do Nassif : O que existe são 2 lados antagônicos, que se alternam ora com período de transicão pacífico, lento e gradual (FHC/Lula), ora abruptamente, sem período de transição (qualquer tipo de golpe). As figuras referenciais estão sempre presentes, são elas as propulsoras das mudanças, seja por ação ou por inação. A História é a encarregada de classificá-las. Num dos lados,  Lula é a referência maior no atual século, pelas suas ações. Não consigo nominar ninguém, nesse mesmo lado do Lula, que possa ter contribuido com inação.Talvez pudesse incluir eu, o Eremildo e o Velhinho de Taubaté, que pelo menos acreditavam na estabilidade. Do outro lado, por absolutamente evidente, até pelos 3 personagens inativos do lado oposto, não vou nominar nenhum ativo referencial, também porque a fila é longa demais.  Mas que referência maior do que a Ministra citada por Gaspari dos que agem por inacão ? Talvez perdesse o pódio para o outro Ministro que deixou Cunha conduzir um impedimento ilegítimo, mas isso já é História.

  2. Sinceramente eu não entendo a

    Sinceramente eu não entendo a suspresa do nassif

    Há décadas o judiciário ven blindando sistematicamente os barbalhos, Sarneys, malufs, neves e magalhães

    A postura que o judiciário assume hoje é a sua forma mais verdadeira, até nisso o PT foi bom, porque mostrou a verdadeira face do judiciário brasileiro: o grande auxiliar da burguesia rentista e corrupta

    A população sabe disso, o planeta sabe disso, que o judiciário é meramente um algoz do desenvolvimento social e econômico brasileiro, sempre foi, há exemplos claros de como o judiciário age em prol de si e de sua burguesia, a ultrapassagem do teto constitucional em seus salários até a blindagem de corruptos notórios

    O povo sabe de tudo e por isso que nessa eleição presidencial vai ganhar o voto nulo, branco e abstenções 

    Ninguém aguenta mais esse sistema, ninguém acredita mais nesse sistema e por isso os hipocritas deitam e chafurdam na ignorância abissal de si mesmos 


    • A postura que o judiciário

      A postura que o judiciário assume hoje é a sua forma mais verdadeira, até nisso o PT foi bom, porque mostrou a verdadeira face do judiciário brasileiro: o grande auxiliar da burguesia rentista e corrupta

      A população sabe disso, o planeta sabe disso, que o judiciário é meramente um algoz do desenvolvimento social e econômico brasileiro, sempre foi, há exemplos claros de como o judiciário age em prol de si e de sua burguesia, a ultrapassagem do teto constitucional em seus salários até a blindagem de corruptos notórios”

       

      Tirando a parte em destaque(meu), esta é a maior verdade que vi e li nos últimos 30 anos.

      O poder juidicário, que não é eleito, é o segundo maior inimigo do desenvolvimento político, econômico e social do Brasil. Depois da globo, é claro. Mas são sócios na tarefa de arrebentar com o país.

      Tem de mudar tudo, a começar pela forma de ingresso desse pessoal no serviço público.

    • Tanto o judiciário quanto as

      Tanto o judiciário quanto as polícias são os capatazes responsáveis por blindarem ricos e socar pau na tigrada caso haja alguma ameaça ao “status quo”.

  3. Referências

    O mundo vive um momento de indeterminismo e o Brasil em particular vive um momento unico, de tão bizarro. E essa crise das instituições é mais forte e aparente num Pais como o nosso porque ha uma forma de lidar com as coisas que eu diria que ainda é muito imatura, sem levar em conta nuances e complexidades; muito crua mesmo. 

    A falta de referências acontece também porque a maior preocupação desse grupo todo que participou direta ou indiretamente do golpe, o qual vão morrer defendendo, é a retirada do PT do caminho. Desde Vargas, passando pelo infeliz João Goulart, que não usavam de um vale tudo tão tosco em favor de seus interesses. 

    Fernando Haddad e Manuela D’Avila vão sofrer multiplos ataques das frentes do Judicario-TSE, imprensa e de seus opositores, claro, com golpes baixos via redes sociais. Teremos mais uma eleição dificil.

    Ou saimos dessas eleições para refundar uma nova Republica ou iremos patinar nesse caos pouco republicano e nada democratico em que se encontra o Pais nas mãos do grupo como PSDB-PMDB, Congresso, Fiesp, empresarios, imprensa e, ja o historico, com STF, com tudo.

    • Quem vai pagar a conta ?

      Maria Luiza: você reconhece o que está evidente para muita gente – Haddad e Manu vão ser bombardeados (principalmente com mentiras ou meia-verdades). Isso vai acontecer com qualquer candidato do PT, aproveitando o antipetismo disseminado, para eleger Alckmin.

      Por isso, se tivesse optado por uma política de interesse nacional, o PT organizaria decididamente uma Frente Democrática e iria para a retaguarda. Isto significa, apoiar um candidado Democrata, sem ser do PT. O objetivo seria derrotar o golpe e restabelecer o Estado Democrático de Direito com todas as mudanças necessárias.

      Mas como disse alguém: “O PT prefere perder liderando, do que ganhar sendo liderado”. Tomara que Lula esteja certo, pois a conta a ser paga será altíssima com os golpistas legitimados pelo voto.

      • Toc toc toc ! Licença para

        Toc toc toc ! Licença para entrar e fazer 2 perguntas:  1) Se o PT estivesse na retaguarda apoiando um canditado de outro partido chamado Ciro Gomes ele não  seria bombardeado e conseguiria o objetivo de ser eleito e derrotar o golpe, apesar dos  4% de intenções de voto, mais facilmente do que um candidato do PT ? 2) “O PT prefere perder liderando, do que ganhar sendo liderado” não parece mais uma frase vazia, dita por uma pessoa de cabeça cheia, que tem enorme capacidade de escrever coisas muito melhores, sem necessidade de se inspirar em… sei lá quem, já me esqueci, que disse “Prefiro ganhar perdendo do que perder ganhando” , ah !, me lembrei, não vou escrever o nome, é deprimente demais se inspirar nela, que acabou perdendo perdendo, e hoje não passa de um fantasma do passado ?

    • A fel-lha de sum pablo, já

      A fel-lha de sum pablo, já começou hj a mandar pau no Haddad. Lembrando que esse “jornal” odeia o Haddad desde os tempos dos causos do Enem com gráfica da fel-lha. O caso de ódio parece pessoal do otavinho….

    • Exatamente!

      Exatamente, esse é um fenômeno universal, planetário, de grandes mudanças, a começar pelas mudanças climáticas que se acelerarão exponencialmente nos próximos anos, afetando severamente a agricultura, o abastecimento de água dos grandes centros urbanos, etc. Pouco a pouco os mais de 7 bilhões e meio de humanos que caminham sobre a superfície da terra estão percebendo, de forma intuitiva ou racional, o FATO de que a civilização como a conhecemos é insustentável e que está com os seus dias contados. O fim da velha ordem mundial está próximo. Quem viver verá.

  4. O que assusta é o silêncio da
    O que assusta é o silêncio da inteligência nacional, se é que ela existe.
    Ressalvadas as exceções, a regra geral é de um silêncio criminoso.
    Parece que se houver solução ela virá do exterior, via constrangimento público.
    Porque a situação está escancarada e fora de controle.

  5. Não é o caos da racionalidade é racionalidade do caos!!!!

    O intuito (o objetivo) do texto é grande, portanto, acho que merece atenção promenorizada.

    Vou de parte em parte, mas antes um preâmbulo: 

    Que análise histórica é possível sem distanciamento histórico que nos permita olhar com amplitude o fenômeno que observamos? Não é possível. Portanto, o que o sêo Nassif faz é o que todo mundo faz: pitaco.

    E como o que é pitaco pode ser combatido com pitaco, aí vamos, por partes, como jack, O Estripador:

     

    “Uma análise histórica das crises nacionais revelaria o seguinte 1. Fases de turbulência e de perda de referenciais. Morre o velho sem o que o novo tenha sido criado, gerando a grande crise. Comentário: Se Hegel fosse vivo, se mataria. Como achamos que ele está morto, mas não o que ensinou, deve estar se revirando no túmulo com essa “dialética capenga nassifiana”. Não, não há “morte do velho” sem criação “do novo”, e pior, talvez nem haja como determinar o que é tanto velho ou novo, desembocando na noção clássica: a “crise” não é a anormalidade, é o estado permanente da dinâmica das coisas!O problema nassifiano e sua lógica é que ele desconhece que o processo de morte e nascimento é político (e voluntário), e o fato dele (ou de nós todos) não gostarmos do que surge não o torna menos novo ou mais parecido com o velho, ou ainda, não determina uma ausência de referências.As referências estão lá (e falaremos sobre isso em outros pontos do texto dele), mas não as reconhecemos por as rejeitamos como tais. 2. Em períodos de estabilidade, o processo de criação de reputações é lento. Na transição, especialmente quando surgem novas formas de comunicação – como o rádio, nos anos 20, e as redes sociais, agora – a construção de reputações muda de padrão. Surgem novos personagens, dando um bypass nos caminhos tradicionais, esboroando a hierarquia anterior e abrindo espaço para novas celebridades. Comentário: Ver o comentário anterior. Ora bolas, é justamente a (des)construção de hierarquias para criação de novas hierarquias e baseadas em novos parâmetros de classificação que chamamos de História. Só que esse processo não é, como dissemos, linear. O stf, ao qual se refere o texto, sempre agiu da forma que está agindo. Quando julgaram a extradição de Olga Benário, os cretinos juízes estavam de acordo com “a nova moda” política internacional, o fascismo, e desejavam passar a História como guardiões daquela ordem, e só não obtiveram sucesso em serem bem avaliados porque Hitler tomou na tarraqueta, e sabemos, a História é de quem vence. 3. Sem referenciais, há uma disputa selvagem pelo novo protagonismo. É a chamada síndrome da teoria do caos. Se o caos é completo, sem nenhuma espécie de pré-requisitos, se não é mais pré-condição a erudição, os diplomas, a hierarquia, a biografia, porque não eu, Zebedeu? A meritocracia entre juízes, procuradores, delegados em geral, Ministros do Supremo não se dá mais no terreno especializado das respectivas corporações, mas na qualidade de aparecer na mídia. Comentário: Putz, “sindrome da teoria do caos” (risos). Meritocracia (?). Zeus, alguém ainda acredita nisso em algum tipo de formato? Será que pessoas inteligentes como Nassif não enxergarão nunca que aquilo que ele imagina ser referências ou “pré-requisitos” sejam construções ideológicas de justificação de hierarquias? E é justamente a distorção dessa cegueira dele (e de outras boas pessoas aqui) é que é instrumentalizada pelos bolsopatas para legitimarem suas posições (fake) de anti-estamento, justamente porque o apelo (contra academia, diplomas e “meritocracias”) é sedutor (sempre!) para as maiorias alijadas do acesso a tais “pré-requisitos”?Por favor, se não gostam da minha agressiva verve, leiam o texto de ontem do Luis Felipe Miguel sobre socialismo e acesso a autonomia, ao invés da falácia das oportunidades iguais.O que ele escreveu ontem encaixa aqui, na visão nassifiana de mundo. 4. Esse processo se torna mais agudo devido à crise de confiança na racionalidade que supostamente imperava no mundo que acabou. Hoje em dia, uma meme de rede social vale mais do que a verborragia – muitas vezes vazia – dos velhos personagens. Comentário: “Crise de confiança na racionalidade”????? Racionalidade? Que racionalidade em um mundo onde 1% detém 80% da riqueza somada dos outros 99%Meu zeus, o que Nassif não entende é que a manifestação “vazia” dos bolsopatas e seus coleguinhas é justamente o que mais se aproxima da denúncia da irracionalidade que vivemos desde sempre, ou seja, eles estão a ganhar a batalha pelo domínio da narrativa dessa irracionalidade, enquanto sêo Nassif e outros sonham em resgatar uma “racionalidade” que só existiu para confortar suas consciências classe média e o lucro da banca. 5. Em algum momento, novos valores se consolidarão, como os positivistas gaúchos nos anos 30, o MDB dos anos 80. Haverá uma reorganização inicial no mercado de ideias, uma reconstrução penosa de valores, que, pouco a pouco, irão entrando pelas instituições, criando um novo normal até a crise seguinte. Comentário: Quem deseja um novo “normal”? A quem servirá essa nova “normalidade”? Não parece mais importante fazer tais perguntas a especular e contemplar uma suposta inevitabilidade determinista da “reorganização do mercado de ideias”?  Na transição, mais do que em qualquer outro, as figuras referenciais se tornam imprescindíveis. Cada instituição precisa do seu estadista, da sua figura referencial que impeça o esboroamento dos valores constituídos ao longo de décadas. A figura referencial precisa ter historia coerente, clareza sobre o chamado interesse público ou nacional; desprendimento para não se contaminar pelo oportunismo, grandeza para sobrepor os princípios ao lero-lero do dia a dia e coragem para investir contra a voz da besta. Comentário: Sei, sei, sei. Como De Gaulle, referência da resistência que mandou dizimar os anticolonialistas nas possessões francesas africanas e sul asiáticas, dando origem a Guerra da Coreia e Vietnã. Ou a coerência de Churchill que lutou pela liberdade do mundo enquanto esquartejava os indianos. Ou será a coerência de Vargas. Um nacionalista, pai dos pobres, mas mãe dos ricos, a ponto de deixar a “besta” Filinto Müllert dar as cartas, enquanto foi de seu interesse.  A ilsuão de que esse ou aquele personagem age como estadista ou como (argh, termo horrível) populista são construções políticas e ideológicas, meu filho. E como tais servem a propósitos ideológicos e políticos. (…) Entrou-se definitivamente no reino da hipocrisia, que marca a última etapa da transição. Comentário: Errado, sempre vivemos nesse reino, mas hipocritamente acreditamos que não. O perigo que nos ronda, venho dizendo é que os animais de rabo como os bolsopatas parecem que encontraram o tom para seduzir as massas e as instituições a saírem “dos armários” da hipocrisia. No Supremo, bravos Ministros votam em defesa da Constituição, desde que haja garantia de maioria para o votos em favor do golpe. Esse mesmo jogo de cena se dá nos inquéritos da Procuradoria Geral da República.  O caso da conta de Aécio Neves em Liechtenstein está na PGR desde 2010. Mesmo com a lista da Odebrecht, com a delação detalhada de como recebia as propinas de Furnas, o então PGR Rodrigo Janot recomendou o arquivamento da denúncia, enquanto investida destemidamente contra Lindbergh Farias e Gleisi Hoffmann. Apenas após o grampo da JBS, Janot solicitou acesso à conta, através da cooperação internacional. Semana passada, a Policia Federal apresentou seu inquérito sobre Aécio, sem levantar uma prova sequer. Em função disso, o Ministro Gilmar Mendes arquivou o inquérito. Em seguida, a PGR cumpriu burocraticamente sua missão de questionar o arquivamento, argumentando que a PF não tinha provas porque ainda não consultara a conta. E a decisão de Gilmar proibia de consultar. Não explicou porque a conta jamais foi entregue à PF antes da decisão e Gilmar. E porque a Globo é mencionada em inquéritos da Espanha, Suíça e Estados Unidos sobre os escândalos da FIFA, e continua imune à ação do MPF. Muitas vezes, vozes sensatas se indagam a razão desses personagens não zelarem por sua biografia. É que eles não têm o menor sentimento de história, de país, da própria instituição. É como se pudessem entrar na próxima etapa vitoriosos e, portanto, com a sua biografia zerada, da mesma maneira que os Ministros que julgaram Olga Benário os ou coronéis que conduziam os IPMs da pré-ditadura. Esse jogo de cena é mantido pela Associação Nacional pela Hipocrisia, um órgão supra-institucional que se garante pela máxima “sou, mas quem não é?”. Chegará o momento em que a bolha será furada. E aí, será possível que, 25 anos depois, se ouça alguma autocrítica, sincera como foi a da Globo sobre o apoio à ditadura.”

    Comentário final: Olha, se dermos uma olhada histórica (essa sim com a amplitude e distanciamento necessários) veremos que a história do judiciário brasileiro sempre foi parecida com a que passa hoje nas plataformas digitais e televisivas, e talvez a única diferença seja o grau de percepção percebido por nós, justamente pela maior exposição possível por essa mídias.

    As cadeias estão cheias de pretos e pobres, desde 1808.

    Em todos os regimes de força, o judiciário seguiu funcionando, “normalmente”.

    Globo “sincera”?

    “Senitmento de história”, “de país”.

    Chega, vou dormir.

     

    PS: Se não quiser publicar, eu entendo, foi mais um desabafo mesmo!

    • As figuras referenciais no reino da hipocrisia

      “eles venceram, e o sinal está fechado para nós, que somos (nem tão) jovens”.

      -> Não é o caos da racionalidade é racionalidade do caos!!!!

      -> talvez nem haja como determinar o que é tanto velho ou novo,

      -> a “crise” não é a anormalidade, é o estado permanente da dinâmica das coisas!

      -> As referências estão lá (e falaremos sobre isso em outros pontos do texto dele), mas não as reconhecemos por as rejeitamos como tais.

      -> O perigo que nos ronda, venho dizendo é que os animais de rabo como os bolsopatas parecem que encontraram o tom para seduzir as massas e as instituições a saírem “dos armários” da hipocrisia.

      p.s.: pois vejo vir vindo no vento cheiro de nova estação, eu sinto tudo na ferida viva do meu coração

      vídeo: Elis Regina – “Como nossos pais” (1976)

      [video: https://www.youtube.com/watch?v=wzXWlWPPHU0%5D

      .

      • Não é da Elis Regina, é do

        Não é da Elis Regina, é do Cearense Belchior….. Como nosso pais compositor Belchior.Por favor, a grande cantora  Elis Regina só interpretou.   Belchior Grande Compositor Cearense.

        • As figuras referenciais no reino da hipocrisia

          -> Não é da Elis Regina, é do Cearense Belchior…..

          sim! mas como não? o vídeo postado é pela mais pungente interpretação de Elis Regina desta música. quanto a isto, veja a apresentação no próprio vídeo.

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    • Eu ia argumentar o artigo

      Eu ia argumentar o artigo exatamente como você fez. E quando o Nassif falou do judiciário lembrei-me de uma passagem do livro Infância de Graciliano Ramos em que ele apresenta o barbarismo do seu pai, que era juiz , frente ao mendigo Venta-Romba. Cante a sua aldeia que você cantará o mundo e compara o STF chapado frente a Olga Benário, ao regime militar e posterior perdão dos assassinos e torturadores  e à perseguição ao Lula e nada terá mudado.

      Quando eu era pequena morávamos numa casa vizinha a zona do meretrício da minha cidade ( por explicação desnecessária mas que faz justiça a dignidade dos meus pais fomos parar nessa casa porque um irmão doente fez  com que eles fossem vendendo tudo e trocando de casa para cuidá-lo). Na década de 60, por excesso de barulho e fatos obscenos,meu pai depois de chegar do trabalho numa fazenda que ficava a 9 quilômetros de distância percorridos a pé todos os dias, foi até a delegacia da cidade para reclamar. Quando o meu pai ia saindo um soldado que tinha uma amante na casa chutou meu paí e o fez cair 4 degraus abaixo numa escada. O Brasil que agrediu meu pai aprimorou-se no Brasil das 298 mortes na periferia em maio de 2006, o Brasil do Amarildo, o Brasil da Marielle, o Brasil que prende crianças.

      O otimismo com nossas instituições por parte da classe média progressista da qual o Nassif faz parte se dá porque eles nunca fizeram parte dos invisíveis da sociedade.  É a classe que ocupa a maioria das vagas em universidades públicas  e que se perpetua na condição social em que nasceram porque pelas relações sociais mantêm-se à margem das agruras, do descaso, da violências das classes mais baixas. Dessa classe média faz parte os médicos , o judiciário, policiais federais, os jornalistas etc. Mas pelas condições históricas cruéis do país e da mídia que os forma dessa classe média também faz parte os conservadores  broncos e  ignorantes que  formam a massa que apoia a policia tucana que matou oficialmente 943 pessoas em São Paulo e que urra junto com o Bolsonaro.

      PS. O Nassif ironizou a hipocrisia da Globo.

      • Bem…

        A “ironia” dentro daquele contexto soou pior do que se ele acreditasse, de fato, na sinceridade da auto-crítica.

        Escrevendo as barbaridades que ele escreveu (e vem escrevendo), é quase uma frase de mão-dupla: se colar como ironia, bem, senão, vai bem também…

      • As figuras referenciais no reino da hipocrisia

        -> O otimismo com nossas instituições por parte da classe média progressista da qual o Nassif faz parte se dá porque eles nunca fizeram parte dos invisíveis da sociedade.

        aí, longe de mim querer puxar o saco da Chefia, mas com este sobrenome “Nassif”, em cidade do interior de MG, frequentada pela família imperial e com apogeu passado ligado ao jogo, pode ter certeza: é “turco”.

        a elite local nestas cidades tem o mesmo perfil: preconceituosos, racistas, misóginos, homofóbicos, xenofóbos, elitistas, autoritários, discriminatórios, reacionários e de forte viés fascista.

        p.s.:

        -> Quando eu era pequena morávamos numa casa vizinha a zona do meretrício da minha cidade

        história de vida impressionante. penso que todos temos muitos relatos parecidos. todos nós somos descendentes da escravidão.

        .

    • As figuras referenciais no reino da hipocrisia

      -> O perigo que nos ronda, venho dizendo é que os animais de rabo como os bolsopatas parecem que encontraram o tom para seduzir as massas e as instituições a saírem “dos armários” da hipocrisia.

      -> Talvez aí resida o verdadeiro perigo do bolsopata, ou seja, se ele for capaz de rasgar o véu da NOSSA hipocrisia, e tirar do armário nossa violência enrustida e latente, aí f*deu meu caro.

      um Brasil de duas caras:

      – Bolsonaro é a cara exposta de um Brasil fundado e mantido sobre o genocídio de índios, negros e pobres;

      – Alckmin é a cara cínica de nossa hipocrisia nacional.

      entre um e outro, a quem as massas abatidas e desesperançadas irão escolher?

      Haddad é a cara boa pinta de uma Esquerda asséptica e ávida por ser aceita e consentida por uma Elite do Atraso.

      pode dar certo? em algo concordo com o Lulismo, Lula segue sendo a última esperança das massas, mesmo que na verdade não o seja.

      mas para quem mesmo Lula transferirá seus votos? em outras palavras: sem Lula nas urnas, as massas elegerão BolsoNazi?

      andem pelas ruas e vejam um povo desiludido e desesperado, sem saber a quem recorrer, sem nenhum lugar para ir, sem saber o que fazer.

      como foi que nos permitimos chegar a este ponto?

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  6. A Globo não faz autocrítica,

    A Globo não faz autocrítica, trata-se de oportunismo. Tenho sérias dúvidas se essa “transição” nos levará a algum lugar que pareça humano e civilizado. Uma sociedade injusta e absurdamente desigual, num momento histórico de crise estrutural, caminha inercialmente para a barbárie. Nassif é um jornalista fora da curva, mas está apostando em um milagre.

  7. Dificuldades:O que é

    Dificuldades:

    O que é exatamente o “velho” e o que seria “novo”?

    O que sei é que o velho (o patrimonialismo, a exclusão social, o Estado social para as elites e o Estado policial para os pobres) é sustentado por um amplíssimo arco que inclui grupos locais e internacionais, classes médias. E que na verdade de “velho” não tem nada. Ao contrário, é exemplo de política que vêm sendo seguido no mundo inteiro. A exclusão social e a instrumentalização do Estado por parte de pequenos grupos, verdadeiras oligarquias internacionais, vem se alastrando por toda parte. Só não avança mais porque os povos resistem. 

    Daí as dificuldades de enfrentamento daquilo que constumamos chamar de “velho”.

    E aí vem outra dificuldade. Na história, momentos difícies como o atual, de agonia do “velho” e as dificuldades de estabelecimento do “novo” originaram o faxcismo. Será que teremos que passar por um holocausto para que o “velho” finalmente saia de cena? Será que ainda há espaço para pacificar o país? E como?

  8. As figuras referenciais no reino da hipocrisia

    foto de Jair Bolsonaro on Twitter:

    de um encontro semiclandestino entre Mãe Dináh e Pai Caboclo das Sete Encruzilhadas surge uma sinistra previsão: nas fatídicas Eleições de 2018 teremos um segundo turno entre Ciro Gomes e Jair BolsoNazi.

    mas como o futuro está sempre mudando, ainda resta uma última esperança?

    em caso positivo, qual seria ela, esta “última esperança”? Haddad, o poste sem alça, e Mana Manú? #LulaLivre? Café com Boulos? sei lá quem?

    agimos como se estivéssemos numa encruzilhada, mas já não há nenhuma escolha a ser feita. a opção se deu muito tempo atrás. nada vai nos levar de volta. aquele mundo está extinto. por mais que supliquemos, a vida não permitirá nenhum retorno. mas para aqueles que compreendem estarem vivendo os últimos dias de um mundo, a morte adquire um sentido diferente.

    .

    • Telegramas de Pasárgada…

      Cari amigo,

      Alvíssaras…

      Eu tenho martelado nisso faz tempo…tá difícil permanecer por aqui.

      Acho que a gente se ilude com a possibilidade de interlocução com a direita “menos canibal” representada por jornalistas como “sêo Nassif”.

      Assisto agora um ótimo filme-documentário chamado Guerra do Vietnam, feito pela PBS (canal público dos EUA).

      E claro, ali estão todas as contradições e um desgraçado sentimento de que o tempo nunca passsa.

      Me chamou a atenção um trecho sobre o massacre de My Lai, onde apenas um tenente sádico foi condenado, apesar do comandante da operação estar acima observando tudo de um helicóptero.

      O tenente teve a pena perpétua reduzida (por pressão da opinião pública) e cumpriu três anos de prisão em sua casa.

      Mas o que interessa é a louca discussão sobre crimes de guerra.

      Uai, masa guerra em si já não é um crime?

      Como julgar alguém que mata civis por sadismo alegando que só podemos matá-los por dever tático-militar?

      Então com fuzil no boca não pode, mas com toneladas de napalm pode?

      Mais ou menos como essa discussão (maluca) aqui sobre referências, novo, velho e outras “racionalidades”.

  9. “Em algum momento, novos

    “Em algum momento, novos valores se consolidarão, como os positivistas gaúchos nos anos 30, o MDB dos anos 80. Haverá uma reorganização inicial no mercado de ideias, uma reconstrução penosa de valores, que, pouco a pouco, irão entrando pelas instituições, criando um novo normal até a crise seguinte.”

    Esses valores “novos” já entraram nas instituições. É o que constitui o antipetismo. Essa empreitada moral foi gestada ao longo de décadas e décadas de persistente desinformação, manipulação e mentira.

    A Nova República foi fundada sob esse acordo tácito: manter a esquerda ou qualquer representaçao popular fora do poder, como mero coadjuvante.

    Por mais desastrosos que fossem os governos Sarney, Fernando I, II, III, o discurso marretado era de que com Brizola, Lula, etc, seria pior.

    Foi necessário o desemprego chegar a um em cada quatro brasileiros para que o “agora é Lula” tivesse chance.

    Mas o antipetismo jamais deu descanso, embora tenham dado uma pequena tregua em relaçao ao Lula, por dois singelissimos motivos (que os teóricos do “lulismo” negligenciam). 1) disfarçar o preconceito puro e simples; 2) a firme crença de que o Lula tropeçaria na propria lingua presa.

    E tome-lhe pau no PT, PT, PT. Aí nunca teve trégua, não. Faziam piadinha das “metáforas” do Lula; “dicionário” do Lula; mas, em relação ao PT, PT, PT, era “pau puro”.

    Hoje, o que temos? Um preconceito que cansou de ficar (mal) disfarçado; e a profunda decepção com o fato de que quanto mais o Lula falava, mais o povão gostava, sobretudo nos pontos sensíveis: a confrontação do neoliberalismo e da desigualdade.

    Não é a toa que essa ridícula ideologia chamada de meritocracia aliada à burrice sobre os Direitos Humanos esteja na base do programa de governo do “novo” candidato da direita. Que hoje se diz, “liberal”, diga-se (e é impressionante que tanta gente boa negligencie esse movimento).

    É lamentável que tanta gente “de esquerda” não insista que “novo” mesmo é combater a desigualdade; que sem enfrentar os juros nada muda. Vão eleger, eleger e eleger um, dois, tres, cinco, dez presidentes, cinquenta, cem, mil senadores e deputados e nada vai mudar.

    Alguem realmente estranha esse aumento de juizes?

    Fizeram pra dizer que podem. Não tem nada de novo nisso, muito ao contrario.

    “…É que eles não têm o menor sentimento de história, de país, da própria instituição.”

    “História”?! Isso é coisa de “comunista”…

  10. Por que ele, Elio Gáspari,

    Por que ele, Elio Gáspari, esqueceu do voto, da literatura juridica me permiti condenar, mesmo não tendo provas cabal, contra Dirceu,

    esqueceu do voto colegiado contra Lula. Só por isso, ele emaltece essa incompetencia lulante. Ela só tem que ler e segui a constituição, nada mais interessa ao povo brasileiro.

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