A venda do Banco Votorantim

Atualizado às 16:50

Coluna Econômica – 13/01/2008

Ontem o Banco do Brasil acertou a compra de 50% do Banco Votorantim e de 49,99% do capital votante. O valor pago foi de R$ 4,2 bilhões. Aprovada a operação pelo Banco Central, o BB deverá desembolsar R$ 3,75 bilhões a vista. Outros R$ 450 milhões serão pagos após seis meses da liberação do negócio. Ao final da operação, o patrimônio líquido do Votorantim será de R$ 6,87 bilhões.

***

Segundo levantou o repórter Klinger Portella, a idéia do BB ficar com 49.99% do controle visa permitir ao banco manter a estrutura privada, que lhe garante maior agilidade decisória e administrativa.

De acordo com estimativas do Banco do Brasil, a operação trará um lucro adicional de R$ 0,03 por ação, saltando de R$ 2,76 para R$ 2,79 o lucro por ação do banco, uma expansão de 1,2%. Os dados não consideram eventuais sinergias e são referentes ao balanço das duas instituições nos 12 meses encerrados em setembro do ano passado.

Para Aldo Luiz Mendes, vice-presidente de Finanças do Banco do Brasil, a parceria consolida e amplia a participação do banco no mercado. “Por meio da BV Financeira, passaremos a ter maior competitividade, com destaque para o segmento de veículos”. Com a operação, Banco do Brasil e Votorantim manterão o quarto lugar no mercado de financiamento de veículos – posição já ocupada pelo Votorantim -, mas a participação no mercado saltará de 12% para 16%.

***

Apesar de, para alguns, a operação soar como salva-banco, na verdade foi uma operação salva-grupo. A rapidez com que a Votorantim se desfez do banco mostra que foi muito mais atingida pelas operações especulativas com derivativos do que se supunha inicialmente.

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O próprio banco deve ter esqueletos no armário. Tanto que o preço final foi de R$ 8 bilhões – contra R$ 10 bi da avaliação inicial. Significou um múltiplo de 1,3 vezes o patrimônio do banco – contra, por exemplo, um de 2,4 na aquisição da NossaCaixa.

Em parte, essa redução se deveu ao desaquecimento do mercado de veículos – já que o financiamento tinha um bom peso nos resultados do banco.

“No caso da Votorantim, o mercado de veículos, que é o carro-chefe, teve um desaquecimento acentuado. Basta ver os dados da Anfavea, que mostraram redução de produção gigantesca. Nos sindicatos, há expectativa de demissões no setor. Nessa operação, há um múltiplo que está esperando retração da atividade, com maior dificuldade de precificação”, explica Luiz Miguel Santacreu, analista de instituições financeiras da Austin Ratings.

Mas devem ter sido encontrados alguns esqueletos no banco.

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A tendência do Banco Votorantim é passar totalmente para o controle do BB – deve haver cláusula no contrato prevendo. No caso da NossaCaixa, era um esqueleto sem produtos na prateleira. Como o BB tem um bom leque de produtos, haverá uma otimização da rede.

A Votorantim deverá completar sua reestruturação vendendo sua participação na Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL), uma empresa modelo. Tudo isso devido a uma única lição quie os herdeiros do grupo não aprenderam com os consolidadores: dinheiro fácil não é boa receita de negócios.

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Por Igor Cornelsen

Caro Luis

Aparentemente você achou cara a compra da Nossa Caixa, por ser um banco sem produtos na prateleira, comparado ao Votorantim, especializado no financiamento de veículos usados.

Eu achei o contrário, a Nossa Caixa tinha bons clientes cativos, os funcionários públicos, e uma rede de agências respeitável. Para o futuro do Brasil é sempre bom acabar com mais um banco estadual.

Achei o Votorantim vazio, sem agências e sem clientes cativos.

Quem quiser financiar carteira de carro usado não precisa comprar banco, basta contratar gerentes com experiência no ramo e montar o setor, o custo é bem mais baixo do que o BB pagou.

Acho que o governo e o BB devem uma boa explicação pela compra. O BB porque tem acionistas e precisa justificar o preço que pagou pelo Votorantin,e o governo porque comprometeu o capital de seu principal banco numa aquisição que parece muito mais uma operação socorro feita próxima da eleição de 2010.

Eu pessoalmente estou esperando ser convencido que a compra do Votorantim é um bom negócio,

A compra da Nossa Caixa, e de todos os bancos estaduais, parece vantajosa, pelo menos evita que futuros governadores não venham a dizer, quebrei o banco estadual mas elegi o meu sucessor!

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38 comentários

  1. “Outros R$ 450 bilhões serão
    “Outros R$ 450 bilhões serão pagos após seis meses da liberação do negócio”

    Caramba, é quase 1/3 do PIB do país, não ta errado não?

    Corrigido.

  2. “…Apesar de, para alguns, a
    “…Apesar de, para alguns, a operação soar como salva-banco, na verdade foi uma operação salva-grupo. A rapidez com que a Votorantim se desfez do banco mostra que foi muito mais atingida pelas operações especulativas com derivativos do que se supunha inicialmente…”

    nem precisava ter dito mais nada

    Quem mandou o rei da produção se meter com especulação ?

    Pra mim pelo menos esta solução é melhor do que vermos o grupo ser vendido a estrangeiros …ou mesmo a outros bancos brasileiros

  3. Uma questão que vem crescendo
    Uma questão que vem crescendo nesses temos de crise é se um governo deve ajudar empresas que perdem dinheiro por especulação. No Brasil ainda parece uma heresia falar em estatização,mas pegar dinheiro do povo para livrar a situação de quem se deu mal é difiil engolir, mesmo sabendo que preservará muitos empregos.

    Pelas avaliações de mercado, o BB fez um bom negócio, pagando um múltiplo de 1,3 sobre o patrimônio líquido do banco. Não deve ter sido nem questão de preservar empregos, já que o Votorantim não era banco de muias agências.

  4. Para a “alta economia” do
    Para a “alta economia” do país o governo Lula tem conserto. Até a família Ermirio de Moraes merece ajuda. Já crédito para a pequena e micro empresa não vi uma medida até agora.
    Aqui pra baixo o crédito foi reduzido pela metade, inclusive pelo Banco do Brasil. Ninguém consegue trocar duplicata. Nem a imprensa, que tanto noticia a crise, fala da falta de crédito para os pequenos.

  5. 13 de janeiro 1999.

    Fim do
    13 de janeiro 1999.

    Fim do cambio fixo e o euro torna-se moeda oficial na C.E.

    Câmbio flutuante: FHC não fez, foi atropelado

    Na excelente entrevista ao jornalista Ricardo Kotcho, publicada aqui no IG, no fim de semana, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso insiste na fabulação de que a mudança do regime cambial foi uma ação deliberada de seu governo. Quando perguntado do que se arrependia, FHC declara que “poderia ter tentado a mudança no sistema de câmbio antes”. E completa: “deixei para fazer isso no começo do segundo mandato” (clique aqui para ler a íntegra da entrevista de FHC a Ricardo Kotscho).

    Quem olha para os oito anos de governo de Fernando Henrique Cardoso – e para as conseqüências deles – sem óculos ideológicos ou partidários não pode ter nenhuma dúvida de que o resultado em favor da consolidação da democracia, da estabilidade dos preços e, enfim, do progresso do País, é maior do que os problemas que deixou ou deixou de atacar. Mesmo com o mau passo da reeleição imposta em causa própria e os transtornos do apagão de energia, o saldo do governo FHC é positivo.

    http://colunistas.ig.com.br/jpkupfer/2008/05/19/cambio-flutuante-fhc-nao-fez-foi-atropelado/

    TAXAS DE JURO DO BCE APLICÁVEIS NO INÍCIO DA TERCEIRA FASE

    (Tradução da responsabilidade do Banco de Portugal)

    No dia 1 de Janeiro de 1999, o SEBC assumirá a responsabilidade pela definição e execução da política monetária única na área do euro. Na reunião realizada hoje, o Conselho do BCE decidiu sobre as taxas de juro que serão aplicadas aos instrumentos de política monetária do SEBC a partir do início da Terceira Fase da UEM. As taxas de juro do BCE desempenharão um papel primordial ao sinalizar a orientação da política monetária do SEBC.

    Neste contexto, o Conselho do BCE recordou que no dia 3 de Dezembro de 1998, numa decisão concertada, todos os bancos centrais nacionais participantes na política monetária única reduziram as respectivas taxas de juro oficiais para 3% (à excepção da Banca d’Italia, que reduziu a taxa de desconto para 3.5%). Conforme foi explicado pelo BCE nessa ocasião, estas decisões tiveram por base o consenso verificado no Conselho do BCE, na sequência da avaliação efectuada em conjunto da situação económica, monetária e financeira na área do euro. Aquela redução conjunta das taxas teve de ser vista como uma decisão de facto sobre o nível das taxas de juro com as quais o SEBC iniciará a Terceira Fase e que tenciona manter no futuro previsível.

    http://www.bportugal.pt/euro/ecbcom/1998/22_12_98/rates_p.htm

  6. Nassif,

    “Outros R$ 450
    Nassif,

    “Outros R$ 450 bilhões serão pagos após seis meses…”

    Trocar bilhões por milhões.

    Bom dia!

    Obrigado

  7. Nassif
    Lembre-se de que nos
    Nassif
    Lembre-se de que nos negócios dos Ermírio de Moraes sempre existiram duas concepções: a do Antonio e a do José.
    A do Antonio sempre foi contra as especulações financeiras e a favor da ética nos negócios. Quanto ao José… . Lembra-se das “contribuições” ao PC Faria e o apoio a Paulo Maluf ?

  8. Caso a Votorantin esteja
    Caso a Votorantin esteja mesmo assim debilitada, vai ser um caso e tanto para ilustrar o poder devastador das crises capitalistas. Espero mesmo que o banco inteiro seja estatizado, senão, é dar dinheiro para um grupo incapaz de gerir o patrimônio que tem – afinal, quase faliram o banco. Não concorco apenas com o BB colocar dinheiro mas não assumir o poder.

  9. Depois de aguentar o Antônio
    Depois de aguentar o Antônio Ermírio falando mal da gestão estatal por anos em sua coluna da Folha acordo com essa notícia. Tem certas coisas que não tem preço! Será que o BB pagou com Mastercard?

  10. A aquisição do Banco
    A aquisição do Banco Votorantin pelo BB é uma imoralidade, por isso mesmo inaceitável.
    Realizou-se, não por motivos e interesses do BB, mas para salva o Antonio Ermírio de Moraes, eterno sugador das tetas governamentais e que sempre pousou de empresário competente e “crítico” das gastanças do Estado. Mas agora não teve escrúpulos de praticar essa negociata esdrúxula com o dinheiro público.

  11. Mais uma estatização do
    Mais uma estatização do governo Lula (Ypiranga, Votorantim…)

    Porque não é feita concorrência para saber qual empresa privada deve ser vendida? Porque o governo não pagou metade do preço? Eu acho que o Votorantim só vale uns R$ 200 milhões. Alguém fez auditoria para avaliar se esse banco vale os 4,2 bilhões? Quero que o governo Lula compre a minha empresa por R$ 2 milhões de reais!

    Pelo menos as privatizações de FHC eram feitas com concorrência aberta a todos, pagando o valor de mercado. Se valesse mais alguém teria pago.

  12. Nassif,
    Você diz que o 1,3 é
    Nassif,
    Você diz que o 1,3 é um bom negócio, mas também disse que o Grupo está em risco. Tanto é que vai vender a CPFL, ou sejá, pode ser mais do que uma compra vantajosa para o BB. Veja, não quero condenar a compra “a priori”, só que pelo seus comentários não há toda a transparência de informações aí e, pelo jeito nem sei se dá para haver…

    Dificuldades do grupo nada têm a ver, em princípio, com dificuldades do banco. São PJs diferentes. O que coloquei é que o mercado avaliou que poderia haver algum esqueleto que derrubou o preço em R$ 2 bi. Se derrubou o preço, significava que foi considerado.

  13. Cara Luka,acho que você não
    Cara Luka,acho que você não está analisando a compra destes 49,99% do Banco Votorantim,pelo B.B,como uma negociação favorável ao banco estatal,pois ao contrário do que você entende,não será usado nenhum centavo dos contribuintes nesta operação,e simplesmente os recursos disponíveis do B.B,que está dentro da rotina bancária atualmente praticada neste setor,e que independe de autorização governamental,pois como já foi claramente explicado ao mercado,a operação foi melhor para o banco estatal,que para o Grupo Votorantim,que ao aventurar-se por caminhos diferente das suas atribuições tradicionais,”entrou pelo cano”com operações com derivativos e especulações de risco,agora precisa desfazer-se de seu braço financeiro.

  14. “Mesmo com o mau passo da
    “Mesmo com o mau passo da reeleição imposta em causa própria e os transtornos do apagão de energia, o saldo do governo FHC é positivo.”:

    Bom achado, Paulo! Perola das perolas: exceto pela sabotagem da populacao com a reeleicao comprada e exceto pelo “apagao” intencional da abundante energia eletrica que o Brasil sempre teve para que o modelo Enron-neoliberal de energia norte americano fosse seguido, o saldo eh positivo. Entao ta…

  15. Ivan,
    Não sei qual seria o
    Ivan,
    Não sei qual seria o motivo para um governo, seja qual for, criar intencionalmente um “apagão”. No caso do governo FHC, o apagão lhe custou o que ainda restava de popularidade após a desvalorização de 1999.
    Me parece muito mais uma tremenda incompetência aliada à total falta de planejamento do que uma política intencional.

    Claro.

  16. Será que Antonio Ermíro de
    Será que Antonio Ermíro de Moraes continuará a falar mal de tudo que é estatal? E do governo Lula? Quem se lembra, o Ermíro de Moraes sempre esteve ao lado da oposição, principalmente dos tucanos. É o que dar falar mais do que a boca. Que sirva de lição. Nunca diga dessa água não beberei. Graças ao Banco do Brasil, banco estatal dirigido pelo governo Lula, o outrora poderoso grupo Votorantim não vai à breca. É ISSO.

  17. Eu compro um carro, o carro
    Eu compro um carro, o carro é meu faço com ele o que eu quiser, eu compro uma casa, a casa é minha faço com ela o que eu quiser, o BB comprou o BV , ele pode fazer com ele o que ele quiser? ao que parece não pois o controle continua com os Ermirios de Morais, então o que o BB comprou? Isso mais me parece um empréstimo a fundo perdido do que uma compra. Bem colocado pelo Sr. Evaristo de Almeida, Antônio Ermírio não era aquele que maldizia o excesso de estado na economia? Na hora do aperto as gordas tetas da porca estado é que salvam os nossa eficiente iniciativa privada, alguem ainda lembra do elefante na propaganda da privatização no governo FHC? Ele esta de volta para carregar os carrapatos do capitalismo brasileiro nas suas costas.

  18. Corre na internet outro
    Corre na internet outro motivo da compra do Banco Votorantim: O BB quer entrar no ramo de financiamento de carros usados, onde não tem experiencia e o Votorantim tem de sobra. Com esta jogada, o governo completa o lance da redução do IPI para carros novos, ou seja se não vender carros usados tambem, o comprador não compra carro novo, claro.

  19. “Eu achei o contrário, a
    “Eu achei o contrário, a Nossa Caixa tinha bons clientes cativos”

    Cativos não. Obrigatórios. Infelizmente tenho que ser cliente deste banquinho.

  20. Nassif
    O mundo da muitas
    Nassif
    O mundo da muitas voltas – Quando Lula foi eleito, Antonio Ermirio de
    Morais, numa entrevista na TV, chamou-o de “primário”. Tentou por
    diversas vezes ser recebido por Lula, nunca conseguindo, sendo sempre
    encaminhado a Secretarios ou Ministros.
    Agora, o seu Banco é salvo pelo Governo Lula.

  21. “Não sei qual seria o motivo
    “Não sei qual seria o motivo para um governo, seja qual for, criar intencionalmente um “apagão””: nao o sugeri! Nao eh o **governo** fazendo isso intencionalmente, eh as COMPANIAS DE ELETRICIDADE fazendo o intencionalmente pra tirrarem dinheiro do governo, portanto da populacao.

    Procure “Enron” no google pra conferir: eles fizeram a mesma coisa na California, legalmente, porque podiam. Nao havia governo, havia sistema economico/financeiro de sabotagem da populacao.

  22. “Pelo menos as privatizações
    “Pelo menos as privatizações de FHC eram feitas com concorrência aberta a todos, pagando o valor de mercado. Se valesse mais alguém teria pago.”
    Eu acredito em Papai Noel e em Saci Pererê.

  23. O Grupo Votorantim
    O Grupo Votorantim diversificou investimentos a partir do final do 80.
    Criou um banco cujo grande cliente era o próprio grupo.
    Na privatização ficou com parte da CPFL. Embora já tivesse empresa de energia no sudeste paulista.
    Investiu em biotecnologia visando a produção de laranja e cana.
    Estava tudo indo bem até que…
    Apostou num tal de derivativo e perdeu. Tem que refluir para a posição original.
    O rombo deve ter sido bem grande pois a CPFL era o embrião duma grande empresa de energia. E está à venda.
    A biotecnologia já foi e parte do banco tb.
    O Antônio deve estar inconformado.

    Baita besteira!

  24. Não é caso de quem levou
    Não é caso de quem levou vantagem.

    A venda do banco Votorantim é um péssimo sinal.

    Numa raciocínio rápido:

    Um dos homens mais ricos do país,vendendo banco?

    Hum…….

    é grave.Muito grave.

    é essa questão a ser levantada.E não quem saiu lucrando com isso.

    Como vcs são míopes….e tarados ideológicos…

  25. 49,9%? E com esqueletos? O
    49,9%? E com esqueletos? O controle na mão dos caras? É, meio complicado de explicar…
    Será que o investidor privado concordaria em assumir esse risco por mais R$ 0,03 por ação?
    Ops! Ninguém precisa consultar o investidor privado. Afinal, o Governo tem 51% do BB. E o controle do banco.
    Quer dizer, o Votorantim pode fazer a bandalheira que quiser, sem consultar o minoritário. Ou dando-lhe mais – a expectativa – 3 centavos por ação…

    Eu ou o mundo. Alguém não está entendendo direito!

    Existe um acordo de acionistas permitindo o compartilhamento de gestão.

  26. Essa compra é, evidentemente,
    Essa compra é, evidentemente, um sinal dos tempos. A repetição de um erro paulista que vem das primeiras décadas do século vinte: confiar cegamente na solidez inquebrantável do sistema financeiro mundial e depositar seu destino nas mãos lascivas dos homens bem vestidos que dizem estar sintonizados com tudo o que se passa em Wall Street. Quando a bolsa quebrou em 29, ficaram sem chão para porem os pés. O acordo de Taubaté garantiria que o Governo Brasileiro(que lhes pertencia) comprasse seu café, para garantir-lhes os lucros, mesmo sem ter o que fazer com ele. Vargas golpeou esta conjuntura atrasada e espalhou a governança por todo o Brasil. Mas Vargas continuou fazendo muito por São Paulo. Como Lula, agora (com certeza a última palavra da compra foi sua) através do Banco do Brasil, que livra os últimos resquícios tradicionais do empresariado familiar paulista de um vexame, assume um bom negécio que daqui por diante será gerido pelo Banco do Brasil, não há a menor dúvida, e dá mais um drible de craque no poderoso time da crise.

  27. Não sei porque mas acho que
    Não sei porque mas acho que tudo termina em samba:
    “Nada como um dia após o outro, tenho essa virtude de esperar …”

  28. O “Convênio de Taubaté” foi
    O “Convênio de Taubaté” foi firmado em 1906, portanto, antes da crise de 29.

    Vargas manteve a política de “valorização do café “, ou seja, manteve o poder econômico de São Paulo e debilitou o poder politico.
    Em Fevereiro de 1906, reuniram-se em Taubaté, os governadores dos Estados de São Paulo (Jorge Tibiriçá), Minas Gerais (Francisco Sales) e Rio de Janeiro (Nilo Peçanha).

    Como resultado, assinaram, a 26 desse mês, um convênio que estabelecia as bases de uma política conjunta de valorização do café, condicionado à aprovação pelo presidente da República. (O presidente iria se recusar a assinar o acordo, que foi ratificado, então, pelo seu vice Afonso Pena)

    Celso Furtado, em sua obra Formação Econômica do Brasil, assim resumiu essas medidas:

    * Visando estabelecer um equilíbrio entre a oferta e a procura, o governo interviria no mercado, adquirindo os excedentes dos cafeicultores;
    * O financiamento das aquisições se efetuaria mediante o recurso a capitais obtidos por empréstimos no estrangeiro;
    * A amortização e os juros desses empréstimos seria efetuada mediante um novo imposto cobrado em ouro sobre cada saca de café exportado;
    * Visando solucionar a médio e longo prazo o problema do excesso de produção, os governadores dos estados produtores adotariam medidas visando desencorajar a expansão das lavouras pelos cafeicultores.

    Com isso, os preços do produto eram mantidos artificialmente altos, garantindo-se os lucros dos cafeicultores. Estes, ao invés de diminuirem a produção de café, continuaram produzindo-o em larga escala, obrigando o governo a contrair mais empréstimos para continuar adquirindo esses excedentes. O Estado adquiriu o produto para revenda em momentos mais favoráveis até 1924, ano em que foi criado o Instituto do Café de São Paulo, a partir de quando essa intervenção passou a se dar de forma indireta.

    http://pt.wikipedia.org/wiki/Conv%C3%AAnio_de_Taubat%C3%A9

  29. Se o super anarquista,
    Se o super anarquista, defensor dos fortes e opressores e aqueles q falam em nome do maroto sr. Mercado acharam bom… já viram né rs

    Michael, Villares e Nira… realmente, o mundo dá voltas, qdo se trata dos poderosos d sempre, geralmente d 360º …Abranchescamente – 1 Bailout à Brasileira.

    E d novo o melô do bailout – http://www.youtube.com/watch?v=dnT21hmlT4o

  30. Qual a intenção em tornar o
    Qual a intenção em tornar o BB o maior banco brasileiro (superior à fusão Itaú/Unibanco)? Delírio do governo ou há, realmente, alguma aplicação prática?

  31. O convênio de Taubaté foi
    O convênio de Taubaté foi firmado em 1906, mas seu objetivo era defender os barões do café em momentos de crises. Diante da crise deflagrada em 1929, os barões acharam por bem continuarem no poder, diante das eleições de 1930, para garantirem as benesses do acordo de Taubaté. Com isso, o Partido Republicano Paulista(único partido republicano do mundo que nasceu escravagista)resolveu romper com a política do café com leite, lançando outro candidato paulista à presendência quando seria a vez dos mineiros. Minas, desgostosa, uniu-se à Paraíba e ao Rio Grande do Sul na candidatura de Vargas. Com a vitória paulista por fraude escandalosa, veio o golpe que levou Getulio ao poder. Como se vê, o acordo de Taubaté e a crise estão por trás de tudo. Mas Getúlio não desamparou os barões paulistas e continuou uma política de amparo à cafeicultura. Só que o Norte, o Nordeste, o Centro Oeste e de certo modo até mesmo o Sul, que passaram por completo abandono governamental por toda a República Velha, que só tinha olhos para Minas, Rio e sobretudo São Paulo, com Vargas passaram a contar novamente com a atenção governamental.
    Meus parabéns ao senhor Paulo Kautscher. Não é todo mundo hoje que se interessa pela História.

  32. “Enviado por: Michael: Depois
    “Enviado por: Michael: Depois de aguentar o Antônio Ermírio falando mal da gestão estatal por anos em sua coluna da Folha acordo com essa notícia. Tem certas coisas que não tem preço! Será que o BB pagou com Mastercard?”

    Michael… essa foi a melhor de todas!!!

  33. Caro Nassif,
    Um PROERzinho?
    Caro Nassif,
    Um PROERzinho? Preço nominal? Preço de mercado?
    José Carlos

  34. Como sempre, dinheiro público
    Como sempre, dinheiro público para as mãos de uma pequena familia.
    E o povo comprando carro 1.0 a preço de carro de luxo (incluindo o juros).

  35. Nassif,
    “Tostines vende
    Nassif,
    “Tostines vende mais…”
    Esclarece pra gente, se for possível: pelo que já li, o Banco Votorantim era um dos maiores, senão o maior, no financiamento de veículos. O que ocorreu primeiro: o mercado ficou desaquecido e prejudicou a saúde do banco ou a traulitada que o banco levou com os derivativos o descapitalizou, prejudicou seriamente a concessão dos referidos financiamentos e fez com que o mercado desaquecesse?

  36. Apesar da censura, espero que
    Apesar da censura, espero que este passe, não sou o único a ver coisa errada.
    http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2009/1/14/cpi-do-votorantim

    CPI do Votorantim
    Panorama Político – Ilimar Franco
    O Globo – 14/01/2009

    A oposição vai começar a colher assinaturas para a criação de uma CPI para investigar a compra de ações do Banco Votorantim pelo Banco do Brasil. O negócio é de R$4,9 bilhões, e o controle do Votorantim se manteve nas mãos do grupo Ermírio de Moraes. Para a oposição, o governo usa dinheiro público para socorrer um banco privado, cujos controladores tiveram prejuízos de R$2,2 bilhões em operações com derivativos.

    “Uma história mal contada”

    A oposição quer ouvir os presidentes do BB, Antonio Lima Neto, do Votorantim, José Ermírio de Moraes Neto, do BC, Henrique Meirelles, e da CVM, Maria Helena Santana. O presidente do DEM, Rodrigo Maia (RJ), e o líder do PPS, Fernando Coruja (SC), articulam a investigação. Petistas também querem transparência. O ex-ministro José Dirceu, em blog de sexta-feira, diz: “A compra não parece aceitável nem republicana porque trata-se de uma história mal contada. Por que nenhum banco privado se interessou pelo Votorantim? Os contribuintes têm o direito de saber o que aconteceu no Votorantim e em operações de derivativos”.

    Prezado, que censura? Sugiro um pouco mais de calma porque não tenho máquina de aprovar comentários em massa.

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