Advogado do setor financeiro que atua no caso XP é investigado por suspeita de fraude

Sócios são suspeitos de usar informações privilegiadas para lucrar na bolsa de valores; em resposta ao GGN, Marcos Cardoso nega ilícitos

Marcos Vinicius Silva Cardoso e Patricia de Carvalho Zaniboni, que atuam no caso XP, foram alvo de investigação por suspeita de fraude no mercado financeiro. Em nota ao GGN, Marcos afirmou que não existe processo criminal ou administrativo sobre o caso. Foto: Divulgação
Marcos Vinicius Silva Cardoso e Patricia de Carvalho Zaniboni, que atuam no caso XP, foram alvo de investigação por suspeita de fraude no mercado financeiro. Em nota ao GGN, Marcos afirmou que não existe processo criminal ou administrativo sobre o caso. Foto: Divulgação

O advogado Marcos Vinícius Silva Cardoso, do escritório Cardoso & Zaniboni Associados, que atua representando clientes supostamente lesados pela corretora XP Investimentos, é suspeito de envolvimento em operações fraudulentas do mercado financeiro, ao lado da sócia, Patrícia Zaniboni.

O caso da XP Investimento – que teria levado prejuízos milionários a investidores praticando churning – foi noticiado em primeira mão pelo site Metrópoles e checado pelos jornalistas Tatiane Correia e Luis Nassif, do GGN, que conversaram com outros investidores que validaram as suspeitas.

Citado na matéria do Metrópoles por ser um dos advogados a atuar no caso XP, Cardoso foi o entrevistado no programa TV GGN 20 horas na noite de quarta (7), para explicar as denúncias em torno da XP.

Nesta sexta (9), o GGN apurou que Cardoso e sua sócia, Patrícia de Carvalho Zaniboni, são suspeitos de envolvimento em operações fraudulentas no mercado financeiro.

As suspeitas contra os advogados

No site do escritório, a sócia Patrícia Zaniboni se autodenomina agente autônoma certificada e credenciada pela Ancord (Associação Nacional das Corretoras de Valores) e investidora profissional.

Cardoso, inclusive, foi sócio de uma corretora chamada Trader Diamante Investimentos e sócio-administrador da Mithra Research, localizada em São Caetano do Sul, em São Paulo.

A Mithra Research foi baixada em 2022, e a empresa foi alvo de investigação por parte da Polícia Federal, em parceria com a CVM (Comissão de Valores Imobiliários), por suspeita em torno da prática de Insider trading, que é considerado crime contra o mercado de capitais.

Pesquisa-CNPJ-Mithra

“A investigação foi iniciada em fevereiro de 2022, diante de suspeitas de que teriam sido realizadas operações na Bolsa de Valores Brasileira (B3), com possível utilização indevida de informação privilegiada”, disse a PF, em nota oficial à época do início das investigações.

“Posteriormente, com o avançar das investigações, foram colhidos elementos que indicaram a existência de fortes indícios da prática de insider trading em operações (mercados à vista, opções e termo), realizadas por alguns investidores suspeitos”, destaca a PF, ressaltando que um único investigado teria lucrado mais de R$ 3 milhões com operações suspeitas.

Em outubro de 2022, o jornal O Estado de S.Paulo revelou que a CVM encontrou sinais de “uso indevido de informação privilegiada em relação a negociações atípicas de valores mobiliários de emissão da Sul América S.A (SULA)’ realizadas por sete investidores – seis pessoas e uma empresa – entre 17 e 23 de fevereiro (…)”.

Uma segunda fase da operação foi realizada em março do ano passado para recolher provas da prática de crime de insider trading.

Outro lado

Procurado pelo GGN, o advogado Marcos Vinícius Cardoso argumentou que não existe nenhum processo criminal ou administrativo a respeito do caso de insider trading.

“Isso está paralisado, não existe processo criminal e muito menos processo administrativo. Ocorreu apenas uma busca e apreensão de celulares porque, na época, eu e a Patrícia compramos um ativo na bolsa de valores no mesmo dia que saiu um fato relevante entre SulAmérica e Rede D’or. Não existiu ilicitude alguma, estamos bem tranquilos quanto a isso, apresentamos todas provas e documentos desse contexto e tudo certo. Não foi instaurado nada”, respondeu o advogado ao GGN.

O advogado ainda acrescentou que “essa é mais uma tentativa da oposição/mercado nos atacar sem qualquer relevância para tentar nos silenciar. Estamos preparados porque estamos com a verdade.”

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Tatiane Correia

Repórter do GGN desde 2019. Graduada em Comunicação Social - Habilitação em Jornalismo pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo.

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