Alimentos e Transportes provocam deflação no IPCA

Tatiane Correia
Repórter do GGN desde 2019. Graduada em Comunicação Social - Habilitação em Jornalismo pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo.
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Índice oficial de inflação fica em -0,08%, primeiro resultado negativo do ano; acumulado no ano soma 2,87%, e em 12 meses atinge 3,16%

Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

A inflação oficial medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) apresentou sua primeira deflação do ano em junho, totalizando -0,08%, segundo cálculos do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Em junho de 2022, a variação havia sido de 0,67%. 

A variação apurada é a menor para o mês de junho desde 2017, quando o índice foi de -0,23%. No ano, o IPCA acumula alta de 2,87% e, nos últimos 12 meses, de 3,16%, abaixo dos 3,94% observados nos 12 meses imediatamente anteriores.

No gráfico abaixo, é possível verificar que a variação acumulada em 12 meses apresenta uma trajetória consistente de queda desde junho do ano passado.

As tabelas e gráficos são produzidos pelo Jornal GGN.

Segundo o IBGE, os grupos que mais contribuíram para a deflação foram Alimentação e bebidas (-0,66%) e Transportes (-0,41%), com impacto de -0,14 p.p. e -0,08 p.p no índice geral, respectivamente. Juntos, eles representam cerca de 42% do índice.

No gráfico abaixo, é possível acompanhar a variação acumulada em 12 meses tanto do índice geral como de seus componentes – destaque para a deflação vista no grupo Transportes.

Índice de difusão em queda generalizada

Os gráficos mostram que houve uma queda aguda na difusão de preços: o total de preços em alta despencaram de 251 para 189 e em queda aumentaram de 90 para 150.

Do mesmo modo, entre os subgrupos houve redução de 43 para 26 para os subgrupos em alta e aumentam de 4 para 21 dos subgrupos em queda.

Impacto do grupo Transportes

De acordo com o IBGE, o resultado do grupo Transportes (-0,41% e -0,08 p.p.) deve-se ao recuo nos preços dos automóveis novos (-2,76%) e dos automóveis usados (-0,93%).

Destaca-se, ainda, o resultado de combustíveis (-1,85%), com as quedas do óleo diesel (-6,68%), do etanol (-5,11%), do gás veicular (-2,77%) e da gasolina (-1,14%). No lado das altas, as passagens aéreas subiram 10,96%, após queda de 17,73% em maio. 

O impacto do grupo Transportes fica mais claro quando se calcula o IPCA sem ele. A taxa em 12 meses sobre de 3,89% para 4,96%.

Tatiane Correia

Repórter do GGN desde 2019. Graduada em Comunicação Social - Habilitação em Jornalismo pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo.

1 Comentário

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  1. Juros reais de mais de 10% a.a.!! PQP! É de causar inveja nos ladrões do Banco Central em Fortaleza, uns amadores! Roubo do trem pagador? Fichinha perto disso!

    Isso é um verdadeiro assalto ao Erário, um crime contra o futuro do Brasil e seu povo! Onde está a SECOM, para deixar isso claro para as pessoas??

    Juros pornograficamente altos, eis a autonomia do BC. Até alas mais “pudicas” do “mercado” começam a se preocupar: “Seus idiotas! Vão colocar tudo a perder! Não é para ser tão explícito assim!”

    Do que adiantam Bolsa Família e tantos outros programas de distribuição de renda, de migalhas, diante de tal magnitude de transferência de riqueza para o topo da pirâmide?

    É hora do governo arreganhar os dentes, ameaçando atrelar as políticas sociais à taxa de juros, enquanto não se obtém correlação de forças para revogar essa absurda autonomia.

    Jogar o feitiço de volta sobre o feiticeiro e partir para a queda de braço. Algo como “abaixe a p* do juro que eu tiro os bodes da sala”. Ver quem pisca primeiro.

    Mostrar claramente ao “mercado” o inferno que pode se tornar para ele uma guerra entre um BC independente nas mãos de um opositor e um governo tomando medidas de grande apoio popular.

    Que tal começar propondo que o reajuste do salário mínimo de 2024 na LDO seja a SELIC média do segundo semestre? Idem para o reajuste dos orçamentos de saúde, educação e pesquisa – por fora da meta fiscal do arcabouço, claro?

    Duvido que o COPOM não se “sensibilize” para a necessidade de baixar os juros com urgência…

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