Alimentos e transportes impulsionam inflação oficial em maio

Tatiane Correia
Repórter do GGN desde 2019. Graduada em Comunicação Social - Habilitação em Jornalismo pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo.
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IPCA sobe 0,46% no mês, segundo IBGE; montante acumulado no ano é de 2,27%, abaixo dos 2,97% apurados no mesmo período de 2023

Foto de Towfiqu barbhuiya via pexels.com

O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) apurado no mês de maio chegou a 0,46%, acima dos 0,38% vistos no mês anterior, segundo os dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

No ano, a inflação acumulada é de 2,27% e, nos últimos 12 meses, de 3,93%. Veja o comportamento de todos os grupos no gráfico abaixo, elaborado pelo Jornal GGN.

No caso do grupo Alimentos e Bebidas, o índice fechou em alta de 0,62% – em desaceleração ante os 0,70% vistos em abril. Tal categoria respondeu pela maior influência no índice geral, com 21,5% do resultado geral.

O destaque do mês ficou com a alta dos tubérculos, raízes e legumes (6,33%), em especial a batata-inglesa, com aumento de 20,61%, o maior impacto individual sobre o índice geral.

O grupo Transportes – que subiu de 0,14% em abril para 0,44% em maio – foi responsável por 20,5% do índice geral, o segundo maior na composição geral.

Segundo o IBGE, a categoria foi influenciada pela alta da passagem aérea (5,91%), sendo o quarto item individual de maior impacto na inflação do país. Em abril, a deflação desse item foi de 12,09%.

Além dele, houve alta nos combustíveis (0,45%), impactada pelo etanol (0,53%), pelo óleo diesel (0,51%) e pela gasolina (0,45%). Também subiram os preços do metrô (1,21%) e do táxi (0,55%).

Na sequência, a terceira maior influência (15,2%) ficou com o grupo Habitação, que reverteu a deflação de -0,01% vista em maio para subir 0,67%. O destaque foi a alta da energia elétrica residencial (0,94%), o terceiro item de maior impacto individual sobre o resultado geral.

O resultado é explicado pela aplicação dos reajustes tarifários em diversas capitais, mas a taxa de água e esgoto (1,62%) e o gás encanado (0,30%) também contribuíram para a alta do grupo.

Outro destaque do mês foi o grupo Saúde e Cuidados Pessoais, que apresentou a maior variação percentual em maio (0,69%), mas ficou abaixo do total apurado em abril (1,16%). Tal grupo foi responsável por 13,5% de influência no cálculo geral

O grupo foi influenciado pelo aumento nos preços do plano de saúde (0,77%) e dos itens de higiene pessoal (1,04%), com destaque para perfume (2,59%) e produto para pele (2,26%) – neste caso, é possível ver a influência da busca por presentes para o Dia das Mães.

Difusão de preços com comportamento de queda

Quanto à difusão das altas dentre todos os produtos que compõem o IPCA, o gráfico abaixo mostra que 230 itens fecharam o mês de maio com tendência de alta, acima dos 225 contabilizados em abril.

Contudo, é possível ver um comportamento de desaceleração desde dezembro de 2023, quando 261 itens registraram trajetória de alta.

Na outra ponta, o volume de produtos em queda segue em trajetória de alta, com algumas oscilações: em abril, 154 itens apresentaram trajetória de baixa, ficando abaixo dos 161 vistos em fevereiro, mas bem acima dos 107 vistos em dezembro do ano passado.

Comportamento semelhante é visto dentre os subgrupos do IPCA: em maio, 34 subgrupos apresentaram trajetória de alta. Neste caso, é possível ver um aumento gradual desde fevereiro, quando 29 subgrupos apresentaram trajetória de alta.

Na outra ponta, onze subgrupos apresentaram difusão em queda – mantendo o ritmo desde fevereiro, quando tal difusão foi de 16 subgrupos, que vem diminuindo desde então.

4 Comentários

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  1. Descobri em 1965 em minha terra natal , que as eleições se decidia pelo ” bucho” ,
    vazio ou cheio.
    Neste Governo ,onde a mediocridade campeia , junto com os ” inimigos intimos” ,
    que tomaram conta do Planalto , tentam vender que PIB , Balança Comercial é o que
    importa ao Eleitor . Este pouco se dá , pouco se importa com este palavrório .
    O que entende é que a feira está pela hora da morte , não consegue pagar o aluguel,
    a prestação , não toma mais cerveja , nem vai nunca aos Estádios , tampouco as praias.
    Olhem bem meus amigos , pelo andar da carruagem e do fedor de enxofre , o cramunhão
    está solto , Lula que ponha suas pálpebras de molho , e as mantenha bem abertas ,
    pois o espeto do guloso está a lhe espetar o traseiro murcho !!!

  2. Em um artigo de 27/04/2024 (IPCA-15 desmente pirações estatísticas de Campos Neto, por Luís Nassif) o Sr. Luis Nassif disse: “No acumulado de 12 meses, percebe-se todos os grupos sob controle. A maior influência no índice final foi Alimentos e Bebidas, em meros 0,8%” e “A maior pressão foi de alimentos com Irrisórios 0,13% de alta”. Essa é a visão de país da classe média, de um analista político-econômico da classe média, para essa classe social e seus representantes pouco importam as condições de subsistência da grande massa pobre da população que é espoliada em sua renda mensal através dos preços dos alimentos, transporte público, aluguéis. Como é bom ser classe média e não precisar se preocupar com o quê comer ou se será possível manter o pagamento de um aluguel.

    1. Depende do que consideras “classe média”, pois ela é muito heterogênea. Talvez seja uma referência à classe média alta. Pois, da média média para baixo… Eu mesmo considero o cenário é preocupante. Sim, os preços andam caríssimos, sobretudo em saúde, alimentação e transportes.
      Não está fácil, e falo por mim, “fechar as contas”.
      E a promessa de campanha de abrasileiramento do preço dos combustíveis? Pois isso impacta todos os
      outros preços.
      Enfim, a meu ver, a popularidade do governo cai justamente por motivos econômicos. A concretude do cotidiano em que um cidadão vê seu poder de compra diminuir.
      Perdão, economistas, se meu comentário é demasiado trivial.

      1. O seu comentário não é nada trivial, ao menos não para os que consideram os grandes e reais problemas brasileiros a partir das condições fundamentais de desigualdade do país (condições que dada a sua complexidade, plurissecularidade e violência, creio eu, devem ser a base para a avaliação dos problemas e objetivos do país). A popularidade de qualquer governo realmente cai por motivos econômicos, enquanto a crise de 2008 demorou a atingir drasticamente a economia brasileira a classe média estava segura de sua condição social e “satisfeita”, gozando de uma conjuntura econômica e política favoráveis (na parte econômica, pelo efeito benéfico das commodities na economia nacional, bem como pela expansão do consumo interno favorecido por programas mínimos de distribuição de renda / na parte política, pela expansão e alta atividade da máquina administrativa pública, servindo como geradora de empregos técnicos e burocráticos, bastante assumidos pela classe média), ainda que já manifestasse um rancor latente pela ligeira melhoria das condições de vida econômica e sociai das classes populares. Quando a crise se aprofundou no Brasil, bastou o fortalecimento da propaganda antigovernista, antipetista e antipolítica (todas disfarçadas de cruzada ética contra a corrupção) para que a classe média embarcasse na tentativa de golpe, como um agente de grande importância. Enfim, a sua ação foi motivada por preocupações estritamente econômicas e de classe ( a preocupação com a degradação do seu poder financeiro, antevista na retração da atividade econômica do país e na diminuição da afluência dos benefícios econômicos governamentais advindos do ciclo de pujança das commodities, e a preocupação com um nivelamento social, pressionado pela crise econômica, que a aproximasse mais das classes populares). Quanto ao que eu considero classe média (que foi um dúvida sua) considero-a tanto a partir da classe média alta (que notadamente não apresenta preocupação alguma com a profunda desigualdade econômica e social do país), quanto a partir de uma classe média intelectualizada e hipercivilizada, que insiste em querer parecer pairar acima dos seus estritos valores e interesses econômicos e de classe, que insiste em querer demonstrar um alto grau de civilidade e cultura pelo fato de não se deixar “levar” em suas avaliações e escolhas políticas, pelos interesses imediatos da necessidade de subsistência econômica, ao contrário das classes populares (é claro, a sua condição de classe lhe possibilita um capital econômico, social e político, que garantem sem preocupação a sua vida material e intelectual).

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