22 de junho de 2026

Amarrem os cintos, o mercado enlouqueceu, por Luis Nassif

Há um longo caminho de reconstrução nacional pela frente. Mas ele passa, fundamentalmente, pela melhoria da qualidade da imprensa, especialmente a econômica,

Há uma diferença fundamental entre os debates pela televisão e o debate econômico pela mídia. No primeiro caso, deram voz a candidatos sem votos. No segundo caso, não apenas deram voz, mas deram protagonismo principal para porta-vozes de grupos em votos.

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É impressionante a discussão sobre superávit fiscal. O gênio da economia, Paulo Guedes, anuncia superávit este ano. O mercado celebra. Para alcançar os números, cortou todos os recursos das Universidades, capou os financiamentos para pesquisa, cortou gastos com creches, com programas de defesas de mulheres, enfim, todos aqueles gastos que fazem a diferença entre a barbárie e a civilização. E o único defeito visto pelo mercado é que talvez não se repita o superávit no próximo ano.

Aí abre-se espaço nobre para os gritos de analistas que possuem os votos apenas de seus investidores, para proclamar que Lula não levou as eleições no primeiro turno porque queria um “cheque em branco”, pretendendo empurrar Henrique Meirelles goela abaixo de Lula.

Lula já declarou que terá uma “lei do emprego”, acima da “lei do teto”. Ou seja, a prioridade será geração de emprego e renda. Já definiu que seu governo repetirá os ensinamentos de 2008, que utilizará as estatais, os bancos públicos e o orçamento para financiar a infraestrutura. Garantiu que, nos financiamentos – inclusive do BNDES – a prioridade serão as pequenas e médias empresas. Definiu como prioridade máxima de seu governo o combate à fome e à miséria.

O que pretendem supostos “pensadores” como Ricardo Lacerda, da BR Partners, um sujeito tão pobre intelectualmente que a única coisa que lhe resta é riqueza monetária? O espaço que consegue na mídia é similar ao sem-voto Felipe “Á Meia Noite Privatizarei Sua Alma” D´Ávila. São de uma pobreza intelectual extrema, pertencem ao submundo intelectual do liberalismo. No entanto, conseguem espaço na mídia para repetir os mesmos mantras de  25 anos atrás.

Ora, o liberalismo é composto apenas de antas intelectuais? É evidente que não. No entanto, abre-se espaço apenas para os que repetem mantras simplórias, já assimiladas pela imprensa econômica. Não há diferença entre esse tipo de jornalismo e o gado de Bolsonaro, que só aceita a anti-ciência dele.

Poderiam ser apenas menções breves e esporádicas para um tipo de pensamento ultrapassado, mas não, a essas tolices é dedicado o espaço nobre das seções econômicas, e mesmo repórteres experientes – de outras áreas – embarcam nessa história do “cheque em branco”.

Lembro-me de um jornalista de Brasília, bastante prestigiado em um canal de notícias, que periodicamente escrevia artigos atribuindo declarações a “fontes do mercado”. Não era do ramo da economia, nem do mercado, o universo de empresários com que convivia era o de Brasília, que está longe de ser um exemplo genérico de “fontes do mercado”. Mas dia sim, dia não, vinha ele com as tais “fontes do mercado”.

Há um longo caminho de reconstrução nacional pela frente. Mas ele passa, fundamentalmente, pela melhoria da qualidade da imprensa, especialmente a econômica, pela compreensão correta dos fatores que promovem desenvolvimento, civilização e igualdade.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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5 Comentários
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  1. Helder Chaia Toledo Miranda

    7 de outubro de 2022 10:33 am

    O melhor amigo do mercado é ter o bolso cheio.
    Vidas humanas….ahhh essas preocupações supérfluas
    Essa é a alma do mercado que vive nos desalmados

  2. NALDO

    7 de outubro de 2022 11:19 am

    Pois é “seo” Nassif, o erro é chamar abutres carniceiros de “mercado”, mercado é aquele em que compro minhas frutas…..a segunda é alguem acreditar que essa malta está precupada com o futuro, preferem a terra arrasada e o bolso cheio, além da miséria do povo que os permitem praticar todos os abusos, até os mais obscenos…..o fituro? Até la estaremos mortos….
    Esta certo PNB, ELES são a barbarie….

  3. José de Almeida Bispo

    7 de outubro de 2022 11:48 am

    Volta e meia eu lembro da musiquinha da Blitz, no início dos 80: “Aí a gente enlouqueceu”. Rsrsrsrsrsrsrsrs Não tem jeito: a mania de lógica escorpiônica ao atravessar rios caudalosos no pessoal da grana permanece. Não hesitarão em ferroar mortalmente o sapo pelas costas, mesmo com toda a certeza de que também morrerão.

  4. Paulo Dantas

    7 de outubro de 2022 2:47 pm

    Sem falar que muitas vezes “mercado” é mercado financeiro , quase sempre uma entidade abstrata sem rosto , talvez se ouvissem seu Zé do mercadinho desse menos ruim.

  5. José Carvalho

    8 de outubro de 2022 1:50 pm

    O mercado mundial sempre está procurando onde colocar capital. Vários tipos de capital formam a representação que recebe o nome. É o local quem determina o tipo de capital que atrai, está na expectativa futura o papel desempenhado por esses recursos, se o local tem onde receber investimentos que dêem remuneração satisfatória em fábricas, infraestrutura, serviços e etc, esse capital seja ele nativo ou estrangeiro, terá esse papel. Há muitos interesses em jogo quando analistas fazem as suas análises. Empresas de consultoria recebem para dar opiniões e conselhos para quem contrata seus serviços. Não há a venda de comentários, mas existem interesses por trás de cada argumento. O que o País tem apresentado para esse amontoado de interesses que é o mercado, tem sido um lugar sem muitas perspectivas de crescimento conjuntural. Os investimentos públicos são necessários e até obrigatórios. Ocorre que sem caixa não dá pra fazer tudo e com o País sem multiplicar a renda e a riqueza gerada, a pressão exercida é pela redução de gastos para o cumprimento do regime fiscal. Esse empobrecimento do País, das partes de sua sociedade, toma recursos do setor privado e do setor público deixando-o estagnado. De que forma encontrar um caminho de crescimento e desenvolvimento que fortaleça o Brasil. Essa equação resolve boa parte dos problemas brasileiros.

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