5 de junho de 2026

Apesar dos ataques midiáticos, tensão EUA-Brasil blindou setores estratégicos: confira quais

Na prática, alguns cuidados foram tomados no decreto que vigorará a partir de 6 de agosto.
O presidente Lula e o vice Geraldo Alckmin - Foto: Ricardo Stuckert/PR

A derradeira notícia do tarifaço de Donald Trump ao Brasil, em meio ao aumento das tensões bilaterais, ofusca uma proteção tomada a alguns setores estratégicos e decisivos para a sustentabilidade comercial de ambos os países. É que enquanto o presidente dos EUA faz parecer em suas redes sociais e pronunciamentos políticos uma verdadeira guerra contra o Brasil, e o presidente Lula responde em igual tom à imprensa norte-americana e internacional, na prática, alguns cuidados foram tomados no decreto que vigorará a partir de 6 de agosto.

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Isso porque, ainda que duras, as taxas que somarão 50% contra os produtos brasileiros terão uma significativa exceção: 43,4% do valor total exportado aos EUA não precisará pagar a taxa. E corresponde a setores estratégicos como petróleo, aeronaves, derivados de petróleo, sucos de frutas, carne bovina, ferro e aço, e outros que representam uma parte significativa do total exportado aos EUA.

Em 2024, o Brasil exportou cerca de US$ 40,4 bilhões para os Estados Unidos, e só nos primeiros seis meses de 2025, essas exportações somaram cerca de US$ 20 bilhões.

Dentre os principais produtos que estarão isentos da sobretaxa, destacam-se:

  • Petróleo bruto: US$ 2,378 bilhões (jan-jun 2025)
  • Aeronaves: US$ 876 milhões
  • Derivados de petróleo: US$ 830 milhões
  • Sucos de frutas (principalmente laranja): US$ 743 milhões
  • Produtos semifaturados de ferro e aço: US$ 1,518 bilhão
  • Celulose: US$ 671 milhões

Juntos, estes produtos brasileiros isentos do novo tarifaço de Trump, correspondem a uma significativa fatia do total das exportações brasileiras aos Estados Unidos. Infere-se que essa parcela corresponde a pelo menos 30% a 40% do total das exportações brasileiras para os EUA em 2025.

Segundo cálculos da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) divulgados nesta quinta (31), a lista de exceções da tarifa de importação de produtos brasileiros pelos Estados Unidos (EUA) corresponde a 43,4% do total de US$ 42,3 bilhões comercializados entre os dois países. 

Por outro lado, outros importantes itens do comércio bilateral Brasil-EUA se mantiveram na taxação, como o café, que de janeiro a junho deste ano esteve entre o terceiro produto mais exportado do Brasil ao país, somando US$ 1,172 bilhão, e a carne bovina que, no mesmo período, nos rendeu US$ 738 milhões.

“Embora essas exceções atenuem parcialmente os efeitos da tarifa de 50% anunciada, a Amcham reforça que ainda há um impacto expressivo sobre setores estratégicos da economia brasileira. Produtos que ficaram de fora da lista continuam sujeitos ao aumento tarifário, o que compromete a competitividade de empresas brasileiras e, potencialmente, cadeias globais de valor”, escreveu a Amcham Brasil.

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Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

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2 Comentários
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  1. Jotapontooomarcelo

    31 de julho de 2025 6:03 pm

    Ô THUAMP SANCIONA A GLOBO ELA TÁ FALANDO MAL DE VC TB,EU CAGUETO MESMO TÔ NEM AÍ!!!OBS.:FAERWOMAN DESCULPA NÃO QUERO ESTRAGAR O SEU ARTIGO,É SÉRIO É DE CORAÇÃO!!!

  2. J.Carlos

    1 de agosto de 2025 7:58 pm

    Parece que o Trump dessa forma está fazendo um ‘assalto’ ao dinheiro global para encher seus cofres (eu disse assalto!!), e pessoalmente ainda ganha com informação privilegiada (sim, ele as têm)!! Mas acredito, piamente, que Trump vai se arrepender a médio prazo de tudo isso que está fazendo com essas tarifas, porque o mundo vai se re-arranjar e se voltar contra os EUA, e nem vai precisar de bravatas mil, vai ser algo natural.

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