21 de maio de 2026

Bacha e a paródia do papelzinho azul que originou o Plano Real, por Luis Nassif

Não me lembro de outra contribuição de Bacha para a economia. No Plano Real, foi um coadjuvante apagado

Se pudesse eleger a maior transformação negativa da economia, apontaria sem dúvida Edmar Bacha. Em algum momento, no início dos anos 90, tinha alguma credibilidade. Depois, descobriu a teoria dos déficits gêmeos – o déficit externo é função do déficit interno – e ficou faturando em cima da tese por alguns anos.

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

Não me lembro de outra contribuição de Bacha para a economia. No Plano Real, foi um coadjuvante apagado. Se não me engano, foi diretor do BNDES.

É curioso que o livro sobre o Real tenha como autores ele, Pedro Malan e Gustavo Franco. Malan ainda teve alguma atuação na negociação da dívida externa na gestão FHC. E apenas isso. Gustavo Franco tinha uma tese sobre o Encilhamento e se especializou em estudar a hiperinflação alemã, mas não teve nenhuma participação no Real. Bacha era apenas o boa praça, que passou de forma apagada pelo Cruzado.

Agora, os três se apresentam como criadores do Real. E Bacha vendendo o ridículo do tal papelzinho azul que ele rascunhou na mesa de reuniões e convenceu FHC da urgência de implementar o plano.

O mais incrível é que vários veículos caíram em sua esparrela. 

O Plano Real valeu-se do mais antigo dos expedientes de estabilização, a âncora cambial – disfarçado em URV. Logo após o fracasso do Cruzado, vários economistas, entre eles Yoshiaki Nakano, da FGV, alertavam que o único caminho seria um reforço nas reservas e a âncora cambial.

A URV foi uma criação de Pérsio Arida e André Lara Rezende, que assumiram funções executivas no plano – Pérsio como presidente do Banco Central, André, fora do governo, mas como orientador da política cambial.

Atuei intensamente nesse período. A partir de maior de 1995 tornei-me crítico feroz da política cambial adotada, principalmente depois que Pérsio promoveu uma alta para conter uma corrida contra o Real, e saiu do governo – depois de um mal entendido de uma visita à fazenda da Fernão Bracher. Em seu lugaar assumiu Gustavo Loyolla que manteve o maior período de taxas absurdas do BC, arruinando as contas públicas e as contas externas.

Em nenhum momento vi Bacha atuando. Malan muito menos, mas pelo menos tinha o cargo de Ministro da Fazenda. E Gustavo Franco pegou como bandeira única a defesa da manutenção do câmbio baixo, até explodir com as contas brasileiras em fins de 1998.

Agora, vem Bacha vendendo a história do papelzinho azul. E a brava imprensa brasileira comprando a história, como quem compra armarinhos na 25 de março.

Leia também:

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.
luis.nassif@gmail.com

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

8 Comentários
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. Jicxjo

    25 de junho de 2024 2:08 pm

    Bacha seria o bucha se o plano desse errado. E só. Hj é um economista de mercado que só sabe repetir frases de efeito pró-rentismo, o que ainda lhe garante alguns palcos na mídia porca do 1%.

  2. Luiz

    25 de junho de 2024 2:15 pm

    A mídia brasileira é uma tristeza só. Quebrada, os pobres (?) dos jornalistas e colunistas ficam na redação imaginando esse tipo de coisa engraçada para justificar posições conservadoras de interesse dos donos do jornal. Ninguém nessas geringonças se queixa mais da falta de leitores. Aliás, há pelo menos 20 anos nenhum reparte (como se chamava os pacotes de impressos) chega às cidades, principalmente do interior. Depois, o jornal digital repete tolices que tais, quando poderia ser bem melhor com os recursos tecnológicos disponíveis. Oh, dor…

    1. DARCIO DE C VIEIRA

      26 de junho de 2024 11:59 am

      Tem muito Anderson Polga se comportando como se fosse o Ronaldo Fenômeno. Se bem o zagueiro nunca quis ser mais que alguém na conquista do Penta. Agora, no Plano Real o que tem de pai da criança não está escrito

  3. José de Almeida Bispo

    25 de junho de 2024 8:45 pm

    Cara-de-pau é o que não falta. Rsrs

  4. emerson57

    26 de junho de 2024 10:03 am

    É uma guerra de narrativas.
    Quem consegue impor a pauta vence. Seja ela a visita do Papa, acidente de princesas, etc.
    Lamentável ver todos correndo atrás do que o PIG destaca para ocupar os auto falantes. Até shows de madonas, cavalos caramelos, abortos, etc são contemplados por toda a gente.
    Puro serviço de mágicos. Enquanto eles mostram a mão direita a mão esquerda faz a magia e a boiada continua passando.
    E tome privatização da SABESP à troco de alguns ROLEX. E tome bolçonário solto e fazendo campanha. Tome escolas militarizadas formando a “Juventude Hitlerista”. Tome TERRORISTA que é apanhado ao tentar detonar o aeroporto da capital solto com tornozeleira. Tome milicada golpista TRAIDORA da pátria perdoada, prestigiada e com soldos regiamente atualizados. E tome juros pela hora da morte. Tome empresários da fé riquíssimos e isentos de impostos.
    Quando o governo vai ditar a pauta?

  5. DARCIO DE C VIEIRA

    26 de junho de 2024 11:56 am

    A vitória sempre tem muitos pais. A derrota é sempre órfã

  6. Pedro Carlos

    27 de junho de 2024 9:24 am

    Só críticas, seu Nassif? Nenhum economista lá dos tempos de Itamar e FHC teve algum valor? Sempre lembro do Lula2 dizendo que se voltasse a ser presidente iria convidar a Miriam Leitão para o ministério da Fazenda…

  7. Geraldo

    3 de julho de 2024 10:52 am

    Entre brechas, bachas, broxas, aridas, chicos e armínicos congêneres, a economia brasileira continua em seu descaminho, refém do deus mercado, que, de isento, não tem absolutamente nada. Que o diga Bob Fields III…

Recomendados para você

Recomendados