11 de junho de 2026

BC contesta no TCU decisão que autoriza inspeção no caso Banco Master

A autoridade monetária argumenta que fiscalização sobre o fim do banco de Daniel Vorcaro exige aval do colegiado da Corte
Banco Central do Brasil
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

▸ Banco Central recorre ao TCU para suspender inspeção presencial sobre liquidação do Banco Master em novembro.

▸ BC questiona decisão monocrática do ministro Jhonatan de Jesus e pede deliberação colegiada na Primeira Câmara do TCU.

▸ TCU busca apurar decisões do BC e possíveis fraudes, com inspeção in loco devido a sigilo dos documentos.

Esse resumo foi útil?

Resumo gerado por Inteligência artificial

O Banco Central (BC) apresentou um recurso ao Tribunal de Contas da União (TCU) para suspender a inspeção presencial determinada pelo ministro Jhonatan de Jesus. A diligência visa investigar os bastidores e os fundamentos técnicos que levaram à liquidação extrajudicial do Banco Master, ocorrida em 18 de novembro.

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

A ofensiva jurídica da autoridade monetária questiona o rito processual adotado. No recurso protocolado na última segunda-feira (5), a Procuradoria do BC sustenta que a realização de uma inspeção, instrumento de fiscalização para apurar denúncias ou lacunas de informação, não pode ser determinada de forma monocrática.

Questionamento de rito

Segundo o regimento interno da Corte de Contas, o BC defende que tal medida é de competência exclusiva das Câmaras do Tribunal, exigindo uma deliberação coletiva.

Ocorre que, a dispor sobre a organização dessa egrégia Corte de Contas, seu regimento interno atribuiu às Câmaras do Tribunal a competência para deliberar colegiadamente sobre a realização da inspeção“, afirma o texto do recurso. O BC solicita que a omissão sobre a falta de uma decisão colegiada seja sanada e o pedido submetido à Primeira Câmara do TCU.

A disputa ocorre após o ministro Jhonatan de Jesus autorizar que técnicos do Tribunal realizem uma varredura in loco nos documentos do BC. O objetivo é verificar se a decisão de liquidar a instituição financeira de Daniel Vorcaro foi motivada e coerente, além de apurar se o regulador ignorou alternativas de mercado antes de encerrar as atividades do banco.

Falta de provas e sigilo

A decisão pela inspeção “com máxima urgência” foi motivada, segundo o TCU, por uma insuficiência de dados enviados pelo Banco Central. O ministro Vital do Rêgo, presidente da Corte, formalizou a autorização na segunda-feira, pontuando que a nota técnica enviada pelo BC limitou-se a uma cronologia simples, sem apresentar as provas documentais de fraudes ou desvios que embasaram a liquidação.

Como o acervo documental é protegido por sigilo legal e não pode ser deslocado, a solução encontrada pelos técnicos foi a inspeção direta na sede da autarquia. O tribunal quer rastrear a evolução dos alertas de supervisão e como foram tratadas as propostas de venda apresentadas por Vorcaro antes do colapso.

Incerteza no mercado financeiro

O movimento do TCU gera apreensão em agentes do mercado financeiro. O relator Jhonatan de Jesus não descartou a adoção de medidas cautelares caso encontre atos de difícil reversão, como a desmobilização acelerada de ativos do Master. Uma eventual intervenção do Tribunal poderia, em última análise, paralisar ou modificar o processo de liquidação.

Por outro lado, o presidente do TCU reafirmou a prerrogativa constitucional do órgão em fiscalizar autarquias. “Nos arts. 70 e 71 da Constituição, o TCU é investido do controle externo da administração pública federal direta e indireta, abrangendo a fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial dos órgãos e entidades, inclusive autarquias como o Banco Central“, declarou Vital do Rêgo.

A crise no Banco Master ganhou contornos criminais em novembro, quando a Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero. Daniel Vorcaro foi preso sob acusação de fraude financeira e venda de títulos de crédito falsos, eventos que precipitaram a intervenção do Banco Central.

O caso também foi comunicado ao ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), que relata processos correlatos à instituição financeira na Corte máxima.

LEIA TAMBÉM:

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Recomendados para você

Recomendados