O BNDES anunciou nesta sexta-feira (27) um novo pacote de financiamento de R$ 10 bilhões voltado à modernização da indústria brasileira, com foco em digitalização e sustentabilidade. O anúncio foi feito pelo presidente da instituição, Aloizio Mercadante, durante seminário promovido pela CNI, em São Paulo, que discutiu os impactos do acordo entre Mercosul e União Europeia.
Os recursos fazem parte da estratégia da Nova Indústria Brasil e serão divididos em duas frentes: R$ 7 bilhões destinados à difusão de tecnologias da indústria 4.0 e R$ 3 bilhões voltados à produção de bens de capital ligados à economia verde. As linhas de crédito terão taxa média de 6,5% ao ano.
Segundo Mercadante, a iniciativa busca acelerar a modernização do parque produtivo nacional. “São linhas de crédito fundamentais para modernizar o parque fabril no país e, com isso, gerar o aumento da produtividade, ampliando a competitividade da indústria”, afirmou.
Na quarta-feira (25), o banco já havia destinado R$ 15 bilhões para micro, pequenas e médias empresas, com foco em financiamento à exportação, dentro da Medida Provisória que institui o Plano Brasil Soberano 2. Com isso, o total de recursos voltados à indústria nesta semana chega a R$ 25 bilhões.
O tema ganhou ainda mais relevância no contexto do avanço do acordo entre Mercosul e União Europeia, que entra em fase de aplicação provisória a partir de maio, após mais de duas décadas de negociações.
Durante o evento, o vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, destacou o caráter estratégico do tratado para o país. “Quando eu não faço o acordo, eu não fiquei parado, eu fui para trás, porque alguém fez e vai ter preferência sobre o meu produto”, afirmou. Para ele, o acordo representa uma oportunidade “extraordinária” para ampliar mercados e investimentos.
O seminário também marcou o último compromisso público de Alckmin à frente do ministério, encerrando um ciclo à frente da política industrial que incluiu a formulação da Nova Indústria Brasil.
Com a entrada em vigor provisória do acordo a partir de 1º de maio, o Brasil passa a operar em uma nova fase de integração comercial com a União Europeia — hoje seu segundo principal parceiro econômico.
Dados da CNI indicam o potencial dessa relação: em 2024, cada R$ 1 bilhão exportado ao bloco europeu gerou 21,8 mil empregos no Brasil, além de R$ 441,7 milhões em massa salarial e R$ 3,2 bilhões em produção.
O acordo também deve ampliar significativamente a inserção internacional do país, elevando de 8,9% para 37,6% a cobertura dos acordos comerciais brasileiros sobre as importações mundiais, além de eliminar tarifas para mais da metade dos produtos negociados.
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