O Banco de Brasília (BRB) anunciou nesta segunda-feira (20) a assinatura de um memorando de entendimento com a gestora Quadra Capital para a estruturação de um fundo de investimento. A operação visa transferir ativos da instituição avaliados em R$ 15 bilhões, oriundos de transações com o Banco Master.
Pelo desenho do negócio, o banco do Distrito Federal deve receber entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões à vista. O montante remanescente, projetado entre R$ 11 bilhões e R$ 12 bilhões, será convertido em cotas subordinadas do novo fundo, que ficará responsável pela administração e monetização desses papéis.
Reestruturação e liquidez
A medida é o movimento mais agressivo da gestão para tentar estancar a crise de capital que atinge o banco estatal. De acordo com o comunicado enviado ao mercado, a iniciativa busca “fortalecer a estrutura de capital, aumentar a liquidez e melhorar a gestão do portfólio de ativos“.
A saúde financeira do BRB entrou sob escrutínio após a instituição injetar ao menos R$ 16,7 bilhões no Banco Master entre 2024 e 2025. Investigações do Ministério Público Federal (MPF) apontam que cerca de R$ 12,2 bilhões dessas operações possuem indícios de fraude, o que gerou um impasse sobre a real qualidade do balanço do banco.
O BRB ainda não divulgou suas demonstrações financeiras de 2025, descumprindo o prazo legal de 31 de março para companhias de capital aberto. O atraso impede o mercado de mensurar com precisão a extensão do impacto gerado pelos créditos vinculados ao grupo de Daniel Vorcaro.
O papel da Quadra Capital
A Quadra Capital, gestora paulistana que administra cerca de R$ 9 bilhões, será a responsável por gerir o Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC). Caberá à gestora a cobrança dos devedores, incluindo medidas judiciais, para garantir o retorno dos ativos.
A carteira envolvida na transferência é composta majoritariamente por recebíveis do Credcesta — crédito consignado voltado a servidores públicos —, estimados em R$ 9 bilhões. O fundo também deve absorver empréstimos imobiliários, dívidas corporativas e participações acionárias em empresas como Oncoclínicas e Ambipar.
Articulação política
O acordo ocorre após uma série de agendas intensas do governo do Distrito Federal. Na última semana, a governadora em exercício, Celina Leão (PP), e o presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, estiveram em São Paulo para reuniões com investidores, com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.
Sem fôlego fiscal para realizar aportes diretos, o governo do DF obteve autorização legislativa em março para contratar até R$ 6,6 bilhões em crédito. No entanto, a falta de garantias do Tesouro Nacional e a ausência de exceções pelo governo federal têm dificultado o acesso a juros mais baixos, tornando a venda de ativos via Quadra Capital a saída mais viável no curto prazo.
A conclusão definitiva da operação ainda depende do cumprimento de condições previstas no memorando e da aprovação final pelos órgãos reguladores.
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