O impacto fiscal dos juros altos na dívida pública brasileira foi lembrado pelo presidente em exercício, Geraldo Alckmin, quando questionado sobre a decisão do Banco Central que manteve a taxa básica de juros em 13,75% mesmo com os sinais inflacionários em queda.
“Não há oposição do governo ao Banco Central e nem ao Copom; agora a crítica, ela é importante”, advertiu o presidente em exercício, em entrevista coletiva realizada nesta quinta-feira (22/06).
“A manutenção da taxa Selic não prejudica apenas a atividade econômica, na medida em que inibe investimento, dificulta o comércio, prejudica a indústria e o setor do agro. Mas ela também tem outro impacto que é do ponto de vista fiscal, porque quase metade da dívida pública brasileira é ‘selicada’”, explicou.
Pelos cálculos do vice-presidente, que também é o o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, cada um ponto percentual da taxa Selic custa R$ 38 bilhões.
Na prática, se a taxa estiver cinco pontos percentuais acima do aceitável, o custo da dívida aumenta R$ 190 bilhões.
“Você fica fazendo economia de R$ 1 bilhão, de meio bilhão, e acaba gastando quase R$ 200 bilhões a mais, em razão de ter uma taxa Selic nessa altura”, esmiuçou Alckmin.
Além de falar sobre a inflação em queda no Brasil, Alckmin citou a situação externa, onde a inflação também está em queda e os juros estão negativos.
“Veja que, em 2020, a inflação era maior”, comparou. Hoje ela está em 3,9%, enquanto em 2020 era um pouco acima de 4% (e a taxa Selic era 2%). Você tinha juros negativos de 2%; inflação de 4%; taxa Selic de 2%. É claro que em determinados momentos você tem que subir. O problema é manter por tanto tempo, essa que é a questão”, concluiu.
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