4 de junho de 2026

CNI aponta menor atividade industrial desde 2010

Jornal GGN – O desempenho abaixo do esperado apresentado pelas grandes empresas ajudou a reduzir a atividade industrial no mês de dezembro: pesquisa elaborada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que o índice de evolução da produção da indústria brasileira caiu para 40,2 pontos, o menor da série histórica mensal iniciada em 2010. Nas grandes empresas, a retração foi ainda maior e alcançou 38,3 pontos. Pela metodologia da Sondagem Industrial da entidade, os indicadores variam de zero a cem. Abaixo de 50 indicam queda na produção e no número de empregados. 

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O levantamento mostra ainda que as  empresas de grande porte também foram as que mais demitiram. O índice de evolução do número de empregados caiu para 46,4 pontos em dezembro. Mesmo assim ficou acima dos 45,9 pontos registrados nas grandes indústrias. 

Com a produção menor, o nível de utilização da capacidade instalada em relação ao usual recuou para 41,7 pontos em dezembro – neste caso, valores abaixo de 50 pontos mostram que a utilização da capacidade instalada foi menor que o usual para o mês. Quanto mais distante de 50, maior o desaquecimento da indústria. 

A média de utilização da capacidade instalada (UCI) da indústria recuou 4 pontos percentuais entre novembro e dezembro, para 70%. Nas grandes indústrias, a queda na foi de 5 pontos percentuais, superior aos 2 pontos percentuais verificados nas pequenas e aos 4 pontos percentuais das médias empresas. 

Segundo a CNI, o cenário preocupa pois as grandes empresas são “as forças motrizes das cadeias produtivas”, com alto poder de influência sobre as demais empresas. “Suas dificuldades, caracterizadas pelos resultados de dezembro, podem vir a inibir a atividade das empresas de pequeno e médio porte nos próximos meses”, avalia a entidade. 

A pesquisa mostra ainda que parte da retração da grande indústria foi provocada pelo aumento dos custos dos insumos e das matérias-primas.  No ranking dos principais problemas enfrentados no quarto trimestre, o alto custo das matérias-primas foi assinalado por 38,3% das empresas consultadas e só perdeu para a elevada carga tributária. 

No entanto, o alto custo da matéria-prima foi assinalado como obstáculo por 49,5% dos empresários que atuam nas grandes empresas, superou a elevada carga tributária, e pela primeira vez desde 2000, ficou em primeiro lugar na lista dos obstáculos enfrentados no quarto trimestre de 2013. “A solução para essa questão é cada vez mais cristalina: é preciso reduzir o Custo Brasil e aumentar a competitividade da economia brasileira”, recomenda a CNI. 

No quarto trimestre do ano passado, os empresários ficaram insatisfeitos com a margem de lucro e com a situação financeira das empresas. O índice de satisfação com as margens de lucro recuou para 45,1 pontos e o de satisfação com a situação financeira permaneceu em 49,2 pontos, ambos inferiores à linha divisória de 50 pontos, o que revela a insatisfação dos empresários. 

O índice de preços das matérias-primas utilizadas pela indústria diminuiu de 65,8 pontos no terceiro trimestre para 62,7 pontos no quarto trimestre de 2013. O indicador acima da linha divisória de 50 pontos revela aumento dos preços das matérias-primas no trimestre. 

Além disso, as empresas afirmaram que, no quarto trimestre, o acesso ao crédito continuou mais difícil que o usual. O índice de acesso ao crédito ficou em 42,2 pontos, abaixo da linha divisória de 50 pontos. 

Conforme a Sondagem Industrial, os empresários esperam o crescimento da demanda e das exportações nos próximos seis meses. O índice de expectativa de demanda aumentou de 53 pontos em dezembro de 2013 para 55,8 pontos em janeiro de 2014. O aumento do otimismo é um movimento esperado para o período, pois a demanda da indústria é mais fraca em dezembro. Mesmo assim, o indicador de janeiro é o menor para o mês desde 2009. 

O índice de expectativa de exportações aumentou para 51,1 pontos, o de número de empregados passou para 50,1 pontos e o de compras de matérias-primas subiu para 53,6 pontos.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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