15 de julho de 2026

Comer é mais caro onde há mais comida: Centro-Oeste e Sul, por Luís Nassif

Índice Prato Feito da Universidade da Associação Comercial de SP traz alguns dados interessantes sobre o custo do PF por regiões do Brasil.
Foto de Lucio Caramori / Pfismos

Índice Prato Feito registra preço médio nacional de R$ 31,90 em junho de 2026, alta de 7,2% no ano.
Sul e Centro-Oeste têm os maiores custos regionais, enquanto Nordeste e Norte apresentam os menores preços.
Custo do prato pesa mais no orçamento do Norte e Nordeste, apesar de preços até 14% menores que a média.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

O Índice Prato Feito é um indicador interessante, feito pela Universidade da Associação Comercial de São Paulo.

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O último Índice registrou preço nacional de referência de R$ 31,90 em junho de 2026, com alta de 5,4% no trimestre e 7,2% no ano. Quem almoça fora nos dias úteis gasta cerca de R$ 638/mês; famílias com dois trabalhadores fora de casa superam R$ 1.000. O relatório atribui a alta não só aos alimentos, mas à cadeia completa de custos (aluguel, mão de obra, energia, juros sobre capital de giro, recomposição de margens). A base foi de 887 observações válidas, a maior da série.

Análise do recorte regional

Houve enorme rebuliço nas cortes bolsonaristas, com a alta registrada. Quando se fazem os cortes regionais, no entanto, há uma surpresa. O Sul e o Centro-Oeste registram os maiores custos em relação à média nacional, enquanto Nordeste e Norte apresentam os menores valores.

RegiãoPreçovs. média nacional
SulR$ 34,90+9,4%
Centro-OesteR$ 34,45+8,0%
SudesteR$ 31,99+0,3%
NordesteR$ 30,00−6,0%
NorteR$ 29,99−6,0%

Pontos que merecem destaque:

1. O Sul, e não o Sudeste, lidera. Contraintuitivo, já que o Sudeste concentra os aluguéis comerciais mais caros do país. A liderança do Sul (e do Centro-Oeste logo atrás) sugere que renda local, custo de mão de obra e estrutura de concorrência pesam mais que o imóvel. No Sudeste, a densidade de estabelecimentos e a competição intensa (especialmente em SP) provavelmente comprimem margens e seguram o preço perto da média.

2. Centro-Oeste caro apesar de produzir a comida. A região é o celeiro do arroz, feijão e carne, mas tem o 2º PF mais caro. Evidência de que a proximidade da produção agrícola não barateia a refeição pronta — o insumo alimentar é fração pequena do preço final, como o próprio relatório argumenta na seção de cadeia de custos.

3. Nordeste e Norte praticamente empatados. A diferença de R$ 0,01 (R$ 30,00 × R$ 29,99) é estatisticamente irrelevante e sugere preços psicológicos de cardápio (patamar “abaixo de R$ 30”). Na prática, há dois blocos: Sul/CO em torno de R$ 34,50 e NE/N em torno de R$ 30, com o Sudeste ancorando a média nacional.

4. A distância entre extremos (16,4%, ou R$ 4,91) é menor que a disparidade de renda regional, o que implica que o PF pesa proporcionalmente mais no orçamento do trabalhador do Norte e Nordeste: o prato é ~14% mais barato, mas a renda média regional é bem mais que 14% menor. O custo relativo da refeição básica é maior justamente nas regiões mais pobres.

Limitações a considerar: o relatório não divulga a variação trimestral por região (só os níveis de junho), então não dá para saber qual região puxou a alta de 5,4%; e as 887 observações nacionais, divididas em cinco regiões, podem deixar células regionais pequenas — a média nacional colada no Sudeste (R$ 31,90 × R$ 31,99) sugere forte peso amostral dessa região. Como o próprio documento admite, é índice complementar, não substituto do IPCA.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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