A confiança dos empresários da indústria brasileira voltou a recuar em julho e atingiu o menor nível desde o auge da pandemia de Covid-19: o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI), divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), caiu de 46,7 para 44,4 pontos, o pior resultado desde junho de 2020.
Com o novo recuo, o indicador permanece abaixo da linha de 50 pontos — que separa confiança de falta de confiança — há 19 meses consecutivos. Trata-se da segunda mais longa sequência de pessimismo da série histórica, atrás apenas do período entre 2015 e 2016, durante a recessão econômica.
Segundo a CNI, o resultado sinaliza um ambiente de maior cautela entre os empresários industriais, com potencial impacto sobre produção, investimentos e geração de empregos.
Avaliação do presente e expectativas pioram
O levantamento mostra que tanto a percepção sobre as condições atuais quanto as expectativas para os próximos meses se deterioraram.
O Índice de Condições Atuais caiu 0,7 ponto, para 41,6 pontos, indicando que os empresários avaliam que a situação da economia e das próprias empresas está pior do que há seis meses.
Já o Índice de Expectativas apresentou uma queda ainda mais intensa, recuando 3,1 pontos e chegando a 45,8 pontos. Foi a maior retração desde novembro de 2022, quando o indicador havia registrado uma queda de 10,8 pontos.
Com isso, a confiança dos industriais em relação ao desempenho de suas empresas perdeu força, enquanto aumentou o pessimismo sobre a economia brasileira – e o agravamento das tensões internacionais também contribuiu para a deterioração das expectativas dos empresários.
Entre os fatores apontados estão o aumento das incertezas provocado pelos conflitos no Oriente Médio e a possibilidade de retomada de tarifas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, cenário que pode afetar as exportações da indústria nacional.
Na avaliação da entidade, a combinação de incertezas externas e confiança deprimida tende a tornar as empresas mais conservadoras nas decisões de investimento, contratação de trabalhadores e expansão da produção nos próximos meses.
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