4 de junho de 2026

Construção civil volta a perder força em agosto

Jornal GGN – O índice de nível de atividade na indústria da construção recuou para 43 pontos e o indicador de número de empregados no setor ficou em 43,5 pontos em agosto. Ao se afastarem ainda mais da linha divisória dos 50 pontos, os dois indicadores confirmam o quadro de retração do setor, conforme mostra a Sondagem Indústria da Construção, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

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De acordo com a CNI, os dois indicadores – nível de atividade e número de empregados – tornam mais intenso o “quadro de retração” do setor. A situação acabou resultando na queda de 2 pontos do nível de utilização da capacidade de operação, que ficou em 67%. Os valores da pesquisa variam de zero a cem, sendo que números abaixo de 50 revelam redução na atividade e no emprego. Tal redução ocorre após o setor ter vivido um boom entre 2010 e 2012, devido aos estímulos feitos pelo governo federal por meio de programas como o Minha Casa, Minha Vida e o de Aceleração do Crescimento.

As perspectivas para os próximos seis meses não mostram melhora, apresentando expectativas de queda em todos os indicadores, segundo a CNI. O indicador de expectativa de novos empreendimentos e serviços ficou em 48,5 pontos, o de nível de atividade caiu para 48,4 pontos e o de número de empregados recuou para 47,7 pontos. “Todos os indicadores ficaram abaixo de 50 pontos”, ressaltou o economista da CNI Marcelo Azevedo. “O setor viveu um momento fabuloso durante muito tempo. No entanto aumentou muito os custos das empresas, principalmente com a mão de obra”, destacou ele.

Segundo o economista, o baixo desemprego no país está entre os fatores que acabam aumentando esse custo para o setor. “Isso não seria problema se houvesse também aumento de produtividade. Outro grande problema – este mais relacionado à qualificação dó trabalhador – é a alta rotatividade, natural no setor, e a baixa qualidade da educação básica do trabalhador. O esforço e o custo para treiná-lo ficam maiores, tanto para a empresa quanto para o trabalhador, que precisa se esforçar ainda mais [para conseguir melhorar sua qualificação]”.

Porém, como a indústria já está reduzindo seus quadros, esse problema de falta de trabalhador qualificado vai diminuir, “perdendo, então, importância para outros problemas, como a falta de demanda decorrente da incerteza no mercado”.

“Incerteza é algo muito prejudicial ao mercado. E um fator que amplia essa incerteza é o período eleitoral, quando são inevitáveis discussões sobre mudanças de rumos”, disse ele. “Mas não temos ainda como precisar o peso do período eleitoral tem para a pesquisa. O que sabemos é que, antes, já havia indicativos de desaquecimento, e que ele foi potencializado ainda mais por estarmos em período eleitoral”, explicou.

A pesquisa foi feita entre 1º e 10 de setembro com 604 empresas, das quais são 202 pequenas, 257 são médias e 145 são de grande porte.

 

 

 

(Com Agência Brasil)

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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