O governo da Argentina colocou em debate o fim da proibição de empréstimos em dólar para pessoas e empresas que não recebem renda na moeda norte-americana, tema que era uma espécie de tabu no país após a crise de 2001.
Em entrevista, o ministro da Economia argentino Luis Caputo chegou a declarar que o país precisa de mais empréstimos atrelados ao dólar para impulsionar o crescimento da economia, ainda considerado tímido.
A estratégia faz parte de um esforço mais amplo do governo para mobilizar cerca de US$ 170 bilhões mantidos pelos argentinos fora do sistema, segundo estimativas do banco central.
Segundo informações da Bloomberg, o plano é objetivo: dar aos bancos uma forma lucrativa de utilizar os dólares atualmente parados, direcionando-os a tomadores “de alto perfil” — indivíduos e empresas com forte histórico de crédito, incluindo incorporadoras imobiliárias — que possam usar os recursos para investir no país. Incorporadoras, empresas com bom histórico de crédito e, eventualmente, mutuários individuais seriam os principais beneficiários.
O risco central, porém, permanece o mesmo que levou à proibição original: a vulnerabilidade cambial. O peso argentino perdeu cerca de 99% de seu valor frente ao dólar na última década, e uma nova rodada de desvalorização poderia transformar empréstimos hoje baratos em dívidas impagáveis, sobretudo para famílias sem proteção cambial.
Economistas alertam que, enquanto grandes empresas tendem a ter instrumentos para administrar riscos em moeda estrangeira, tomadores individuais podem subestimar os impactos de uma crise cambial. Por isso, o banco central planeja impor regras prudenciais que limitem quem pode acessar o crédito, as garantias exigidas e a proporção dos depósitos que poderá ser emprestada.
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