10 de junho de 2026

Década de 2020 pode ser período perdido para economia

Aumento do protecionismo ameaça fragmentar comércio, e impacto deve ser mais intenso entre mercados emergentes e países em desenvolvimento
Foto de Jakub Żerdzicki na Unsplash

A década de 2020 poderá ser conhecida no futuro como o período perdido para a economia global, principalmente para os mercados emergentes e economias em desenvolvimento.

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Fatores como o aumento do protecionismo, impulsionado pelas tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos e as respectivas retaliações, ameaçam fragmentar o comércio e restringir o acesso ao capital e à tecnologia.

“Os paralelos com a década de 1930 – marcada por um grande choque econômico, intensificação do protecionismo, crescimento do nacionalismo e enfraquecimento do multilateralismo – tornam o cenário ainda mais preocupante. Assim como naquela época, a geopolítica dita as regras”, dizem os economistas Erik Berglöf e Nahom Ghebrihiwet, do Asian Infrastructure Investment Bank.

Em artigo publicado no site Project Syndicate, os articulistas explicam as cadeias globais de valor estão ameaçadas pela imposição de tarifas e medidas retaliatórias, e tudo indica que a fragmentação do comércio e dos fluxos de investimento serão inevitáveis, com efeito justamente nos mercados em desenvolvimento.

“As sequelas da pandemia da COVID-19 ainda pesam sobre o crescimento, as taxas de juros globais caem mais lentamente do que o esperado e o dólar americano se fortalece. Para muitos países em desenvolvimento, os custos da dívida se tornaram insustentáveis, enquanto esses mesmos países sofrem os impactos de uma crise climática que não criaram”, destacam os economistas.

Embora o quadro atual não venha a causar uma guerra mundial ou um ciclo de grande depressão, como aconteceu nos anos 1930, tudo indica que o crescimento global será inevitavelmente afetado, e a luta contra as mudanças climáticas passará por um “retrocesso irreparável” – e o preço será pago justamente pelos países em desenvolvimento.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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