5 de junho de 2026

Desconfiança impulsiona rendimentos dos títulos do Tesouro americano

Tensões geopolíticas, dívida pública e questões fiscais colocam em dúvida status de título como ativo de segurança global
Foto de engin akyurt na Unsplash

As crescentes preocupações com as políticas econômicas impostas por Donald Trump nos Estados Unidos têm abalado a confiança dos investidores no país, o que se reflete na alta dos rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano.

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O rendimento dos títulos do Tesouro de dez anos saltou para 4,6% em menos de um mês e, apenas no mês de maio, a taxa dos Títulos do Tesouro de 30 anos subiu 30 pontos-base, ultrapassando brevemente 5%.

Em artigo publicado no site Project Syndicate, a economista Dambisa Moyo lista quatro fatores-chave que estão impulsionando os rendimentos dos títulos norte-americanos: “enfraquecimento da credibilidade governamental de longo prazo; crescentes dúvidas sobre a eficácia das políticas atuais dos EUA; aprofundamento da incerteza política interna e internacional; e volatilidade do mercado alimentada pelo sentimento”.

Segundo a articulista, o aumento dos rendimentos dos títulos está diretamente relacionado com “uma profunda perda de confiança na formulação de políticas econômicas dos EUA (e isso em um momento em que apenas 41% dos americanos confiam em seu governo)”.

Cálculos do Escritório de Orçamento do Congresso projetam que os gastos deficitários atingirão US$ 1,9 trilhão em 2024-25 – o terceiro maior da história americana.

O déficit federal anual já ultrapassa 6% do PIB, bem acima da média de 3,8% dos últimos 50 anos, e deve permanecer elevado até 2035. Ao mesmo tempo, a dívida federal bruta deve aumentar de 123% para 135% do PIB na próxima década.

“A recente decisão da Moody’s de rebaixar a dívida soberana dos EUA de AAA para Aa1 ressalta esses desafios fiscais estruturais e reconhece que, embora improvável, a possibilidade de um calote americano não pode ser descartada”, alerta a economista.

O aumento dos rendimentos dos títulos do Tesouro pode repercutir nos mercados financeiros e na economia real, elevando os custos de empréstimos para famílias e empresas, desestimulando investimentos e reformulando as decisões de portfólio. Segundo Dambisa Moyo, “as perspectivas não são nada animadoras”.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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2 Comentários
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  1. JOSE OLIVEIRA DE ARAUJO

    10 de junho de 2025 7:48 am

    O mercado de títulos do Tesouro dos EUA, já começa a dar sinais do começo da fase bang-bang. Nessa fase, quem sacar primeiro vai se dar bem os demais correm o risco de ficar a ver navios no porto seguro do império. Como diz a letra de de Vandré: “É a volta do cipó de aroeira do lombo de quem mandou dar”.

  2. Rui Ribeiro

    10 de junho de 2025 12:34 pm

    O Duck Donald, achando pouco ainda vai cortar impostos, principalmente para os ricos, o que vai reduzir a arrecadação/receitas públicas, aumentando o déficit público, que precisará vender mais títulos da dívida pública, com maiores juros, para atrair magnatas para investir numa divida que se torna cada vez mais impagável. Será uma dívida que se retroalimentará cada vez mais exponencialmente.

    O Trump pressiona po Fed pela redução da taxa de juros. Nessa hipótese, ninguém vai investir nos títulos públicos. Os serviços públicos vão parar

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