Apesar de garantir R$ 75 bilhões de investimentos em áreas sociais, o arcabouço fiscal proposto pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), é visto com preocupação pelo economista e e pesquisador do Centro de Estudos de Conjuntura e Política Econômica (CECON), Pedro Rossi.
Em entrevista exclusiva ao TV GGN nesta segunda (3), Rossi acredita ser arriscada o novo modelo fiscal do governo, tendo em vista que não há uma projeção de crescimento expressivo da economia ao longo da gestão Lula 3.
“A própria projeção do governo, da Secretaria de Política Econômica, fala em 1,6% esse ano, 2,5% no ano que vem. Não chegaremos a 3% de crescimento no governo Lula, segundo a projeção do governo. A do mercado é pior”, pontua.
Investimento público pode ser maior
O segundo ponto destacado pelo economista é o avanço do teto de gastos, em que o Executivo contará com R$ 75 bilhões anuais para investir em saúde, educação e na área social. No entanto, o montante representa apenas 1% do Produto Interno Bruto (PIB) do País, valor que poderia chegar até a 4% do PIB de acordo com o economista.
“Para isso, o governo teria de antes planejar o investimento, ter um plano de infraestrutura e só depois fazer o arcabouço fiscal em que os gastos caibam. Acho que essa seria a ordem mais correta: qual é o gasto com saúde? Com educação? Depois ver qual é a regra fiscal em que isso tudo cabe.”
Pedro Rossi, economista
Ao contrário do teto de gastos aprovado no mandato de Michel Temer (MDB), um projeto em que a prioridade era reduzir o tamanho do Estado na economia, a proposta de Haddad é descrita por Rossi como um projeto de curto prazo, pautado pelo superávit fiscal e estabilização da dívida pública.
Estado sem manutenção
O economista ressalta que a atual política, no entanto, não garante a manutenção do Estado, tendo em vista que o tamanho da máquina varia de acordo com o aumento da arrecadação de impostos.
“Me parece que o Ministério da Fazenda vai ficar pautado por uma agenda tributária para tentar aumentar a arrecadação, para aumentar o gasto e assim dar alguma condição dentro da máquina pública de expansão do gasto social”, continua Rossi.
Assim, ainda que a política fiscal seja um instrumento para estimular a economia, a prioridade do governo deveria ser emprego e crescimento e não resultado fiscal e estabilização da dívida. “Fico com o receio de que o governo não consiga entregar crescimento e emprego e, ao final do período, a extrema direita volte”, emenda.
Confira a entrevista completa na TV GGN, no Youtube. Não esqueça de se inscrever no canal e acompanhar as análises de Luis Nassif e convidados sobre as principais notícias do dia, de segunda a sexta, às 20h.
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AMBAR
4 de abril de 2023 6:20 pmParece-nos que o professor considerou apenas o aspecto econômico da questão. Vejamos que com o banco central que temos, uma taxa de juros exorbitantes e uma situação política instável, que outro plano ele esperaria? A circunstância não permite planejamento de médio ou longo prazo. O governo ainda tem que se livrar de muitos oponentes para se estabilizar, e só então administrar a economia com a segurança de crescimento.
Miriam
5 de abril de 2023 9:59 amE o iluminado do Lula falando que a Micro, pequena e média economia vai bem… kkkk Só a Macro, grande e enorme vai mal né?