23 de junho de 2026

Em meio a críticas contra o Pix, EUA propõem tarifa de 25% ao Brasil

Proposta do governo Trump abre consulta pública e fixa prazo até julho; lista de exceções poupa carnes, café e aviões
Trump por Gage Skidmore

▸ EUA propõem tarifa de 25% sobre produtos brasileiros após investigação sobre políticas do governo Lula.

▸ Pix e decisões judiciais sobre redes sociais são alvos das críticas do relatório do Escritório do Representante Comercial dos EUA.

▸ Audiência pública sobre tarifas será em 6 de julho; prazo final para medidas é 15 de julho de 2026.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

O governo dos Estados Unidos propôs a imposição de uma tarifa de 25% sobre uma ampla lista de produtos importados do Brasil. A medida foi anunciada após o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) concluir uma investigação, iniciada em julho de 2025, que classificou como “irrazoáveis” e prejudiciais ao comércio norte-americano diversas políticas adotadas pela administração do governo Lula (PT).

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O processo foi conduzido sob a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mesmo instrumento jurídico que Washington utiliza para punir práticas consideradas desleais ou discriminatórias. Embora a taxação proposta seja abrangente, o documento oficial estabelece uma lista de isenções para mitigar o impacto sobre a própria economia americana. Ficam de fora do imposto itens como carne bovina, café, frutas, fertilizantes, aeronaves, peças e minerais de terras raras.

O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, afirmou que as negociações bilaterais se intensificaram, mas não foram suficientes para sanar as desavenças.

Ao longo do último ano, o presidente Trump e eu tivemos várias reuniões construtivas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o seu gabinete, que se intensificaram nas últimas semanas. Contudo, continuamos a ter divergências substanciais na resolução das questões identificadas nesta investigação“, disse Greer.

Pix e redes sociais na mira de Washington

O relatório final do USTR, que soma 107 páginas, detalha críticas a seis eixos da política brasileira. Um dos principais alvos é o Pix. O governo americano acusa o Banco Central do Brasil de atuar simultaneamente como regulador e operador do sistema, gerando um conflito de interesses. O texto aponta que as regras nacionais forçam empresas americanas, como Visa e Mastercard, a promover o competidor local sem compensação, exigindo gratuidade e destaque na tela principal dos aplicativos bancários.

O documento também questiona decisões do Judiciário brasileiro envolvendo plataformas digitais. Segundo o USTR, tribunais do país emitiram ordens sigilosas para a remoção de conteúdo político e suspensão de perfis de residentes nos EUA, proibindo as empresas de notificar os usuários e aplicando multas e bloqueios de ativos em caso de descumprimento.

No campo ambiental e comercial, os EUA afirmam que o Brasil falha em aplicar de forma eficaz a legislação contra o desmatamento ilegal e criticam a lentidão do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) na análise de patentes, sobretudo na área biofarmacêutica. Há ainda contestações sobre a falta de reciprocidade no mercado de etanol desde 2017 e os acordos tarifários preferenciais que o Brasil mantém com o México e com a Índia.

Calendário e contexto político

A ofensiva tarifária ocorre em meio a um cenário de fricção diplomática. Recentemente, os dois países divergiram publicamente após Washington classificar as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, medida criticada pelo presidente Lula.

A proposta atual surge também como uma alternativa jurídica para a política externa de Donald Trump. Após a Suprema Corte dos EUA decidir, em fevereiro, que o Executivo não poderia criar tarifas de forma unilateral por meio da Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA), a Casa Branca passou a recorrer a investigações individualizadas por país, como a Seção 301, para fundamentar as barreiras alfandegárias.

O cronograma legal da consulta pública já está definido. O USTR estabeleceu o dia 22 de junho como data limite para pedidos de participação nas audiências e 1º de julho para o envio de comentários por escrito. A audiência pública será realizada em 6 de julho, e o prazo final para a adoção de eventuais medidas corretivas expira em 15 de julho de 2026.

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Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

2 Comentários
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  1. GalileoGalilei

    2 de junho de 2026 11:44 am

    As sucessivas ações do governo Trump em relação o Brasil não deixam mais dúvidas de que os EUA estão em guerra declarada contra o Brasil. Guerra esta estimulada por brasileiros criminosos e traidores. A justiça tem que alcançá-los.

  2. Carlos

    2 de junho de 2026 12:13 pm

    Precisamos nos preocupar com estas sobretaxas? Afinal a balança comercial é favorável para eles. Como antes, redirecionar para outros mercados é solução.
    PIX é bom para o brasileiro. F****-se cartões de crédito e seus juros extorsivos.
    Sobre classificar CV e PCC, li há pouco que já tinham decidido há 3 meses. Chamaram os traidores da pátria apenas para sair na foto (eu até escrevi isto dias atrás aqui no GGN) sinalizando a intervenção deste eua nas eleições, capitaneada pelo imigrante rubio

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