A guerra contra o Irã iniciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, interrompeu um ciclo de recuperação da economia global e elevou os riscos de inflação persistente e desaceleração do crescimento em diversos países.
Em análise publicada no Project Syndicate, os economistas Eswar Prasad e Caroline Smiltneks explicam que o cenário antes do conflito era de retomada moderada, mesmo diante de desafios estruturais como endividamento público elevado, tensões comerciais e fragmentação geopolítica.
Indicadores como o Brookings-FT TIGER apontavam para mercados financeiros aquecidos e recuperação da confiança do setor privado. Nos Estados Unidos, o crescimento era sustentado pelo consumo, investimentos em inteligência artificial e ganhos de produtividade, enquanto a inflação dava sinais de estabilização.
Esse cenário mudou rapidamente com o avanço do conflito, com efeito imediato via pressão sobre os preços de energia, que tende a se espalhar pela economia global e gerar um novo choque inflacionário. A duração e a intensidade desse efeito dependerão da extensão da guerra e de eventuais danos à infraestrutura energética no Oriente Médio.
Os países mais vulneráveis, no entanto, são as economias de baixa renda. Fortemente dependentes de importações de energia e alimentos, e com pouca capacidade de resposta fiscal, esses países devem enfrentar impactos severos sobre o crescimento e o custo de vida.
Diante desse cenário, autoridades monetárias enfrentam um dilema clássico: conter a inflação sem sufocar ainda mais a atividade econômica. Com níveis elevados de dívida pública e juros em alta, a margem de manobra dos governos é cada vez mais limitada.
Para os articulistas, a guerra reforça a necessidade de políticas voltadas à resiliência econômica em um mundo marcado por choques frequentes e crescente instabilidade.
Rui Ribeiro
10 de abril de 2026 10:29 pmMeu amigo tá me convidando prá irmos tarrafear lá no Estreito de Ormuz. Fiquei de dar uma resposta em 27 horas. É difisso