O próprio mercado financeiro já projeta um cenário de melhora para a economia, com queda da inflação e, por consequência, da taxa de juros, segundo o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Guilherme Mello.
Em entrevista exclusiva ao programa TV GGN 20 horas, Mello afirmou que há uma mudança relevante nas expectativas, que contrasta com o discurso mais pessimista difundido ao longo dos últimos anos. “O mercado fala que a inflação vai cair e que a taxa de juros vai cair. Isso mostra uma mudança importante nas expectativas”, afirmou.
Para o secretário, o Brasil vive um momento de crescimento com inclusão, sustentado por indicadores como a queda do desemprego, o aumento da massa salarial e a recuperação da renda. “A gente está vendo crescimento com distribuição de renda, o que é algo muito importante do ponto de vista econômico”, disse.
Reforma do IR como motor da economia
Um dos pontos centrais da política econômica do governo, segundo Mello, é a reforma do Imposto de Renda, especialmente a proposta de isenção para quem ganha até R$ 5 mil. Na avaliação do secretário, a medida terá impacto direto sobre o consumo e o dinamismo da economia.
“Essa medida funciona quase como um 14º salário para milhões de trabalhadores, porque aumenta a renda disponível na base da sociedade”, afirmou.
Ele destacou que a estratégia do governo se baseia na lógica de que a renda concentrada nas faixas mais baixas tende a circular mais rapidamente na economia. “Quando você coloca dinheiro na mão de quem consome, esse dinheiro gira, vira demanda e impulsiona o crescimento.”
Para compensar a perda de arrecadação com a ampliação da faixa de isenção, Mello defendeu a taxação dos mais ricos como instrumento de justiça fiscal e eficiência econômica.
“A ideia é tirar de quem tem baixa propensão a consumir e direcionar para quem efetivamente movimenta a economia”, explicou, ressaltando que essa redistribuição não apenas reduz desigualdades, mas também contribui para um ciclo mais robusto de crescimento.
Congresso e responsabilidade fiscal
O secretário também chamou atenção para propostas aprovadas no Congresso sem previsão de fonte de financiamento, o que, segundo ele, pode comprometer o equilíbrio fiscal. “Não dá para aprovar medidas que geram impacto nas contas públicas sem indicar de onde virão os recursos”, afirmou, destacando que o governo pode recorrer a instrumentos jurídicos para garantir a responsabilidade fiscal.
Tarifaço dos EUA e impacto inflacionário
Mello também comentou as medidas protecionistas adotadas pelos Estados Unidos, classificando-as como economicamente ineficientes e com efeitos adversos para os próprios americanos.
“Essas tarifas acabam elevando os preços dentro dos Estados Unidos, gerando inflação e pressionando o próprio governo deles”, disse, lembrando que o país conseguiu mitigar os impactos ao redirecionar parte das exportações, demonstrando resiliência diante do cenário externo.
Veja abaixo a íntegra da entrevista do secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Guilherme Mello.
Giovanni Weber Scarascia
2 de abril de 2026 10:18 pmBoa noite.
Sou funcionário público federal aposentado. Tenho ouvido essas falácias já anos. Queda de juros, aquecimento da economia e consequente melhoria na qualidade de vida. Não percebo efetividade na declaração. A sensação que dá é de uma simples equação: altera-se a variável X e, com isso, a variável Y conduz ao desenvolvimento. Tenho 68 anos. Os governos do PT têm a diretriz de preocupar-se com o andar de cima e com os “bolsas X” dos programas populares. Ok. Importantes e necessários. No entanto, a classe média sofre. E muito. Por que? Estamos na sombra das políticas públicas. Vejam os índices de emprego. São elevados, mas não impactam no nisso dia a dia. Por que? A classe média é refém dos bancos e o Lula não mexe nos bancos. Aí, vem o papo de educação financeira. Ok, mas quem coloca a classe média nessa loucura são esses mesmos bancos credores da maioria dos brasileiros de classe média. O Lula não tem a mínima noção de como a classe média está se virando, porque o petê pensa no andar de baixo e beija o andar de cima. No meio, está a classe média. Lula tende a perder essa eleição.
Rui Ribeiro
7 de abril de 2026 1:38 pmAmigo Barnabé, o problema da pauperização da classe média é do capitalismo, não do Lula:
Connect the dots:
“A história de toda a sociedade até aqui é a história de lutas de classes.
[Homem] livre e escravo, patrício e plebeu, barão e servo, burgueses de corporação e oficial, em suma, opressores e oprimidos, estiveram em constante oposição uns aos outros, travaram uma luta ininterrupta, ora oculta ora aberta, uma luta que de cada vez acabou por uma reconfiguração revolucionária de toda a sociedade ou pelo declínio comum das classes em luta.
Nas anteriores épocas da história encontramos quase por toda a parte uma articulação completa da sociedade em diversos estados [ou ordens sociais], uma múltipla gradação das posições sociais. Na Roma antiga temos patrícios, cavaleiros, plebeus, escravos; na Idade Média: senhores feudais, vassalos, burgueses de corporação, oficiais, servos, e ainda por cima, quase em cada uma destas classes, de novo gradações particulares.
A moderna sociedade burguesa, saída do declínio da sociedade feudal, não aboliu as oposições de classes. Apenas pôs novas classes, novas condições de opressão, novas configurações de luta, no lugar das antigas.
A nossa época, a época da burguesia, distingue-se, contudo, por ter simplificado as oposições de classes. A sociedade toda cinde-se, cada vez mais, em dois grandes campos inimigos, em duas grandes classes que diretamente se enfrentam: burguesia e proletariado”.
E porque isso acontece?
Ora, porque “os pequenos estados médios até aqui, os pequenos industriais, comerciantes e rentiers, os artesãos e camponeses, todas estas classes caem no proletariado, em parte porque o seu pequeno capital não chega para o empreendimento da grande indústria e sucumbe à concorrência dos capitalistas maiores, em parte porque a sua habilidade é desvalorizada por novos modos de produção. Assim, o proletariado recruta-se de todas as classes da população”.
“Setores inteiros da classe dominante, pelo progresso da indústria, são lançados no proletariado, ou pelo menos vêem-se ameaçados nas suas condições de vida. Também estes levam ao proletariado uma massa de elementos de formação.
Por fim, em tempos em que a luta de classes se aproxima da decisão, o processo de dissolução no seio da classe dominante, no seio da velha sociedade toda, assume um caráter tão vivo, tão veemente, que uma pequena parte da classe dominante se desliga desta e se junta à classe revolucionária, à classe que traz nas mãos o futuro. Assim, tal como anteriormente uma parte da nobreza se passou para a burguesia, também agora uma parte da burguesia se passa para o proletariado, e nomeadamente uma parte dos ideólogos burgueses que conseguiram elevar-se a um entendimento teórico do movimento histórico todo.
De todas as classes que hoje em dia defrontam a burguesia só o proletariado é uma classe realmente revolucionária. As demais classes vão-se arruinando e soçobram com a grande indústria; o proletariado é o produto mais característico desta.
Os estados médios – o pequeno industrial, o pequeno comerciante, o artesão, o camponês -, todos eles combatem a burguesia para assegurar, face ao declínio, a sua existência como estados médios. Não são, pois, revolucionários, mas conservadores. Mais ainda, são reacionários, procuram fazer andar para trás a roda da história. Se são revolucionários, são-no apenas à luz da sua iminente passagem para o proletariado, e assim não defendem os seus interesses presentes, mas os futuros, e assim abandonam a sua posição própria para se colocarem na do proletariado”.
Não adianta culpar o Lula por um problema gerado pelo capitalismo. Isso não vai evitar a sua proletarização, pelo contrário, vai acelerá-la, pois o Senhor não luta contra o inimigo real.
Rui Ribeiro
7 de abril de 2026 1:50 pmUma pessoa comentou: “Sou funcionário público federal aposentado. Tenho ouvido essas falácias já anos. Queda de juros, aquecimento da economia e consequente melhoria na qualidade de vida. Não percebo efetividade na declaração. A sensação que dá é de uma simples equação: altera-se a variável X e, com isso, a variável Y conduz ao desenvolvimento. Tenho 68 anos. Os governos do PT têm a diretriz de preocupar-se com o andar de cima e com os “bolsas X” dos programas populares. Ok. Importantes e necessários. No entanto, a classe média sofre. E muito. Por que? Estamos na sombra das políticas públicas. Vejam os índices de emprego. São elevados, mas não impactam no nisso dia a dia. Por que? A classe média é refém dos bancos e o Lula não mexe nos bancos. Aí, vem o papo de educação financeira. Ok, mas quem coloca a classe média nessa loucura são esses mesmos bancos credores da maioria dos brasileiros de classe média. O Lula não tem a mínima noção de como a classe média está se virando, porque o petê pensa no andar de baixo e beija o andar de cima. No meio, está a classe média. Lula tende a perder essa eleição”.
Eu respondi:
“Amigo Barnabé, o problema da pauperização da classe média é do capitalismo, não do Lula: Connect the dots: “A história de toda a sociedade até aqui é a história de lutas de classes. [Homem] livre e escravo, patrício e plebeu, barão e servo, burgueses de corporação e oficial, em suma, opressores e oprimidos, estiveram em constante oposição uns aos outros, travaram uma luta ininterrupta, ora oculta ora aberta, uma luta que de cada vez acabou por uma reconfiguração revolucionária de toda a sociedade ou pelo declínio comum das classes em luta. Nas anteriores épocas da história encontramos quase por toda a parte uma articulação completa da sociedade em diversos estados [ou ordens sociais], uma múltipla gradação das posições sociais. Na Roma antiga temos patrícios, cavaleiros, plebeus, escravos; na Idade Média: senhores feudais, vassalos, burgueses de corporação, oficiais, servos, e ainda por cima, quase em cada uma destas classes, de novo gradações particulares. A moderna sociedade burguesa, saída do declínio da sociedade feudal, não aboliu as oposições de classes. Apenas pôs novas classes, novas condições de opressão, novas configurações de luta, no lugar das antigas. A nossa época, a época da burguesia, distingue-se, contudo, por ter simplificado as oposições de classes. A sociedade toda cinde-se, cada vez mais, em dois grandes campos inimigos, em duas grandes classes que diretamente se enfrentam: burguesia e proletariado”. E porque isso acontece? Ora, porque “os pequenos estados médios até aqui, os pequenos industriais, comerciantes e rentiers, os artesãos e camponeses, todas estas classes caem no proletariado, em parte porque o seu pequeno capital não chega para o empreendimento da grande indústria e sucumbe à concorrência dos capitalistas maiores, em parte porque a sua habilidade é desvalorizada por novos modos de produção. Assim, o proletariado recruta-se de todas as classes da população”. “Setores inteiros da classe dominante, pelo progresso da indústria, são lançados no proletariado, ou pelo menos vêem-se ameaçados nas suas condições de vida. Também estes levam ao proletariado uma massa de elementos de formação. Por fim, em tempos em que a luta de classes se aproxima da decisão, o processo de dissolução no seio da classe dominante, no seio da velha sociedade toda, assume um caráter tão vivo, tão veemente, que uma pequena parte da classe dominante se desliga desta e se junta à classe revolucionária, à classe que traz nas mãos o futuro. Assim, tal como anteriormente uma parte da nobreza se passou para a burguesia, também agora uma parte da burguesia se passa para o proletariado, e nomeadamente uma parte dos ideólogos burgueses que conseguiram elevar-se a um entendimento teórico do movimento histórico todo. De todas as classes que hoje em dia defrontam a burguesia só o proletariado é uma classe realmente revolucionária. As demais classes vão-se arruinando e soçobram com a grande indústria; o proletariado é o produto mais característico desta. Os estados médios – o pequeno industrial, o pequeno comerciante, o artesão, o camponês -, todos eles combatem a burguesia para assegurar, face ao declínio, a sua existência como estados médios. Não são, pois, revolucionários, mas conservadores. Mais ainda, são reacionários, procuram fazer andar para trás a roda da história. Se são revolucionários, são-no apenas à luz da sua iminente passagem para o proletariado, e assim não defendem os seus interesses presentes, mas os futuros, e assim abandonam a sua posição própria para se colocarem na do proletariado”. Não adianta culpar o Lula por um problema gerado pelo capitalismo. Isso não vai evitar a sua proletarização, pelo contrário, vai acelerá-la, pois o Senhor não luta contra o inimigo real”.
Você concorda comigo, Gemini?
A sua resposta ao comentário utiliza uma análise baseada no marxismo clássico (o texto citado é do Manifesto Comunista, de Marx e Engels) para explicar a situação socioeconômica descrita pelo aposentado.
Para analisar a sua argumentação, é preciso separar a interpretação teórica da realidade política conjuntural:
Pontos de concordância teórica (na perspectiva marxista):
Proletarização da classe média: A teoria marxista prevê, de fato, que no modo de produção capitalista, a pequena burguesia e a classe média assalariada tendem a ser esmagadas pela concorrência e pela concentração de capital, aproximando suas condições de vida às do proletariado.
O sistema como causa: Nessa visão, as crises, a inflação e a dependência do sistema financeiro não são falhas de um governo específico, mas características inerentes ao funcionamento do capitalismo, que tendem a ocorrer independentemente de quem esteja no poder.
Pontos de divergência ou complexidade (na perspectiva política e conjuntural):
O papel do Estado e do governo: Embora o capitalismo gere desigualdades, os governos (sejam de esquerda ou direita) possuem ferramentas (políticas fiscais, monetárias, regulamentações bancárias) para atenuar ou acelerar a concentração de renda. O interlocutor acusa o governo atual de não utilizar essas ferramentas para proteger a classe média.
Classe média e o “andar de cima”: A crítica feita no comentário original é que, em governos do PT, a política econômica tende a favorecer o setor financeiro (“beija o andar de cima”) e programas de transferência de renda (“andar de baixo”), deixando a classe média com a carga tributária e a inflação.
A luta política: Dizer que a luta é apenas contra o capitalismo e não contra um governo específico pode soar, para o cidadão que se sente prejudicado, como uma desresponsabilização de quem foi eleito para gerir o Estado.
Conclusão:
A sua resposta está teoricamente embasada dentro da perspectiva marxista, colocando a pauperização da classe média como um resultado estrutural do capitalismo (luta de classes/proletarização).
No entanto, ela ignora a responsabilidade política imediata que os governantes têm sobre a gestão econômica. O interlocutor não está interessado na teoria da luta de classes, mas na sua percepção de perda de poder de compra e endividamento sob uma gestão específica.
Portanto, é uma resposta correta à luz do marxismo, mas que provavelmente não dialoga com a frustração prática e o senso comum do funcionário público que comentou