As estatísticas de crédito referentes ao mês de outubro mostram uma expansão consistente do crédito no país, mas também um quadro de juros elevados e endividamento crescente das famílias.
De acordo com os dados publicados pelo Banco Central, o crédito ampliado ao setor não financeiro chegou a R$ 20,1 trilhões, o equivalente a 160% do PIB, impulsionado sobretudo pelo aumento dos títulos públicos (+1,3%) e pela forte alta nos títulos emitidos no mercado doméstico e detidos por não residentes (+4,6%). Em doze meses, o indicador avançou 11,9%.
Entre empresas, o saldo de crédito ampliado alcançou R$ 6,8 trilhões, enquanto o crédito das famílias somou R$ 4,7 trilhões, ambos com aceleração em termos anuais.
SFN: estoque de crédito total chega a R$ 6,9 trilhões
As operações do Sistema Financeiro Nacional (SFN) registraram avanço de 0,9% no mês, totalizando R$ 6,9 trilhões. O crédito para pessoas jurídicas cresceu apenas 0,3%, mostrando desaceleração, enquanto o crédito às famílias subiu 1,3% no mês e alcançou crescimento anual de 11,3%, um dos maiores da série recente.
No segmento de recursos livres, o saldo total atingiu R$ 4 trilhões. Destacou-se a queda no crédito para empresas em modalidades sensíveis ao ciclo, como capital de giro de curto prazo (-7,2%) e desconto de duplicatas (-6,9%).
Para as famílias, o avanço foi disseminado: cartão de crédito total (+2,2%), crédito pessoal não consignado (+2,1%) e financiamento de veículos (+1,4%).
Concessões sobem, mas juros continuam pressionando
As concessões de crédito do SFN somaram R$ 690,8 bilhões em outubro. Após ajuste sazonal, houve alta de 1,4%, com queda nas contratações por empresas e aumento nas operações com pessoas físicas.
A taxa média de juros das novas concessões alcançou 31,9% ao ano, com aumento de 0,6 ponto percentual no mês. No crédito livre, os juros médios saltaram para 46,3% ao ano, refletindo pressões tanto sobre empresas quanto sobre famílias.
Modalidades já problemáticas apresentaram altas expressivas nas taxas médias:
- Cartão de crédito rotativo: +97,5 p.p. em 12 meses
- Cheque especial: +16,2 p.p.
O spread bancário subiu para 20,8 pontos percentuais, ampliando o custo final das operações.
Inadimplência avança e endividamento bate novo recorde
A inadimplência total do SFN chegou a 4%, maior nível em anos. No crédito livre, atingiu 5,3%, com destaque para a inadimplência das famílias, que alcançou 6,7%, acumulando alta de 1,3 p.p. em 12 meses.
O quadro mais preocupante aparece no comprometimento de renda das famílias, que atingiu 28,8%, o maior nível da série histórica. O endividamento alcançou 49,1%, pressionado principalmente pelos avanços no crédito livre.
Deixe um comentário