Conheci Pedro Herz, o dono da Livraria Cultura, em fins dos anos 80. Aos sábados ele colocava algumas mesas em frente a livraria, e tomávamos cerveja e falávamos sobre política e cultura.
Era uma turma de boa prosa, Gilberto Mansur, alguns poetas concretos, Mario Chamie, jornalistas. Durou um bom tempo.
De certa forma, tornei-me amigo dele, de frequentar casa, até o dia que ele propôs montarmos uma série de autores de economia. Na época, estava apenas com o DInheiro Vivo, na TV Gazeta e uma boa relação com o Banco Crefisul. O banco patrocinava o programa depois de uma pesquisa que mostrou uma boa penetração junto às esposas de executivos, que administravam o dinheiro dos maridos. Além disso, o presidente do banco era um argentino com profundo conhecimento de música popular brasileira.
O banco era uma sociedade de Henrique Gregori – antigo alto executivo do Commercio e Indústria de São Paulo – com o Citibank. Gregori fez fortuna como sócio brasileiro da Xerox. Depois, montou o Crefisul, mas acabou morrendo em um desastre de automóvel.
Voltando à Cultura, depois que a coleção estava encaminhada, Pedro resolveu mudar unilateralmente as condições de nossa parceria, e a amizade acabou.
Antes de Pedro, a família Herz tinha duas livrarias, uma no Conjunto Nacional, tocada por Pedro, outra em frente a PUC, de seu irmão. Não sei se a divisão entre ambos foi pacífica.
Mas, no período da amizade, deu para perceber a excelência de Pedro como livreiro. Nem se fale de seus vendedores tradicionais, permanentemente atualizados com os lançamentos, sabendo orientar os compradores, mesmo pessoas altamente ilustradas, como o ex-Ministro Luiz Carlos Bresser Pereira.
Mas Pedro também foi pioneiro no uso da informática. Montou programas para cadastrar todo o estoque, por títulos, autor, gênero. Quando a Amazon começou a venda de livros digitais, conseguiu um sistema concorrente, que permitia a venda digital.
Em um determinado momento, a economia interna explodiu e, com ela, a venda de livros. O BNDES percebeu que havia um bom caminho para diversificação dos investimentos e passou a financiar a expansão das livrarias – transformadas em lojas que vendiam de livros a eletroeletrônicos, nos moldes da francesa FNAC.
Lembro-me do orgulho nacional, de saber que São Paulo já possuía livrarias tão ricas quanto as de Buenos Aires.
A esta altura, o comando da Cultura passou para as mãos de Sérgio Herz, filho de Pedro. E, aí, houve um erro comum em períodos de bonança: o de julgar que a economia sempre continuará crescendo.
Foram montadas megastores em várias capitais. No Conjunto Nacional a Cultura ampliou enormemente suas instalações. Até que veio o baque. A economia caiu, o faturamento não mais cobria o custo dos financiamentos.
Houve uma redução atabalhoada do grupo. Em determinado momento, fez uma operação mal explicada com a FNAC, que queria sair do país. A FNAC pagou para a Cultura ficar com seus despojos, incluindo passivos trabalhistas. Esse dinheiro deu uma sobrevida à Cultura. Nem sei se os passivos trabalhistas da FNAC foram honrados.
De qualquer modo, o clima interno deteriorou-se. O ambiente entre os vendedores degringolou, houve a primeira tentativa de recuperação judicial. E, agora, a livraria tem sua falência decretada.
Alguns anos atrás, cruzei com Pedro no edifício Copan, onde ele morava. Indaguei se não temia o avanço da Amazon. Fez um muxoxo:
- Livros digitais não representam nem 10% da venda de livros.
Aparentemente, o erro fatal da Cultura foi ter minimizado as mudanças na comercialização. Na época da conversa, o jacaré tinha o tamanho de uma lagartixa. Quando ele cresceu, engoliu o mercado convencional.
André
11 de fevereiro de 2023 3:51 pmA tragédia cultural é, aparentemente, irreversível.
Músicas de péssimo gosto. Filmes e novelas ruins. Remakes é mais remakes de baixa qualidade.
Entram as redes sociais e agora os vídeos rápidos, para dilacerar qualquer capacidade de concentração.
Entram as aprovações automáticas e um coitadismo que transforma deficiências que levavam a reprovação em justificativas permanentes para aprovação. Chegam nas universidades sem saber escrever um texto ou fazer contas do segundo grau.
Dentro da universidade alguns ficam 10 a 15 anos dando prejuízo à nação porque o coitadismo é regra e as regras de jubilação não são cumpridas.
Entram o fanatismo religioso e a teologia da prosperidade.
Entram os grupos do zap e as fake news em abundância. Criam-se realidades alternativas. Grupos de orações dentro das universidades…
Some aí a venda de um neoliberalismo fake, baseado em jornalistas e coaches ruins, empresários vigaristas e na destruição da natureza e direitos. Historicamente tem se apropriado do estado brasileiro. Olha os juros!
Para piorar, parte da esquerda ainda não entendeu o básico e amplia divergências com todes e tudes. Os 20 centavos foram ontem e não se cansam de errar.
Acho que sem uma reforma educacional profunda(olharia para o ensino alemão, japones, chinês e russo para encontrar nossas deficiêncis na parte técnica e da aplicação) e sem fortes investimentos em ciência, tecnologia e inovação, vamos entrar num buraco sem retorno.
É uma ilusão achar que sempre dá para reverter…
Oportunidades para todos, sem exceção, com escolas de qualidade.
Mas tem de identificar os melhores alunos, os que mais estudam e dar bolsas para que consigam produzir inovação e ciência que nos recoloque em condições de competir.
Esta reposição no valor das bolsas de mestrado e doutorado é absolutamente insuficiente. Ouve um esvaziamento que nunca vimos antes. Não deve reverter.
Ate porque continua muito defasado. E estas metodologias com prazos fixos, 24 e 48 meses desconsideram totalmente os problemas que estão sendo resolvidos e criam um padrão ruim. Nivela por baixo.
Particularmente gostaria de ver a volta das livrarias. Toda cidade deveria ter uma boa livraria física, afinal de contas, livros fisicos e exercícios, são essenciais para um estudo mais reflexivo e com mais assimilação.
André
11 de fevereiro de 2023 3:55 pmE como disse Noan Chomsky, o chatgpt (e outras IA), vem para destruir de vez os estudos e estabelecer o plágio como regra.
Domingos Pellegrini
11 de fevereiro de 2023 4:47 pmNassif, aqui é Domingos Pellegrini. Agradeço o elogioso comentário que há anos você fez de meu romance Terra Vermelha, que já conta com três edições equivocadas. Uma pela Moderna, que ia abrir uma linha editorial para venda em livrarias (não em escolas como faz com a literatura paradidática), mas desistiu logo após publicar o primeiro livro… Depois, pela Geração, que vendeu apenas uma edição, para governo, e… Levei o livro para Leya, que parecia bombar e era na verdade uma bomba: michou…
Agora posso distratar com a Leya e pergunto se sabe de editora que poderá se interessar.
Pode responder por email:
[email protected]
Grato e abraço!
Se me informar endereço postal quero te enviar uma biografia de que gosto tanto quanto de Terra Vermelha.
Luis Nassif
11 de fevereiro de 2023 8:08 pmGrande Domingos Pelegrini. Se souber, me informe, porque só acumulo decepções com as editoras.
Edna Aparecida Miranda
11 de fevereiro de 2023 5:36 pmQue pena!!! Quando me mudei para Ribeirão Preto a livraria Cultura era minha praia…
Que pena!!!
Mauri
11 de fevereiro de 2023 5:46 pmÉ a velha história o pai funda e o filho afunda.
É o preço por achar que sabe tudo e da acomodação.
Marco Antonio Lima
11 de fevereiro de 2023 5:55 pma queda de gigantes é sempre doída.
wanderley squillace
11 de fevereiro de 2023 6:16 pmInfelizmente mais um empurrão para o fundo do abismo cultural e sem a menor expectativa de volta, nem ao menos para os padrões aceitável.
José de Almeida Bispo
11 de fevereiro de 2023 7:39 pmSerá que vamos retornar aos “pergaminhos”? Raros, luxuosíssimos, caríssimos e inacessíveis? Quando Roma caiu, não foi somente o Estado que desapareceu; os papiros também. E o Ocidente mergulhou na ignorância da Idade Média.
Antônio Amancio de Oliveira
11 de fevereiro de 2023 8:02 pmQuer me parecer que houve uma compra do site de livros usados Estante virtual, que estava em franca ascensão. Nessa época a Cultura já estava em processo de recuperação. A compra teve por resultado a elevação dos preços dos livros usados, ocasionando a evasão dos clientes. Acho que ela não teve como levar essa aquisição adiante e o portal Estante virtual acabou nas mãos do Magazine Luiza.
Paulo Dantas
11 de fevereiro de 2023 8:07 pmFaço sempre uma piada quando fecham estes itens culturais, injusta pois não explica tudo mas PIADA,TODO MUNDO GOSTA DA {o que for o caso} MAS NÃO A PONTO DE {comprar, assistir, ir etc}, mas no caso das livrarias é pior pois junta a crise com uma concentração quase desleal.
Mas as editoras creio que tem lá sua parcela de culpa pois alimentam monstros que vão devorá-las.
Mas pelo que vi aqui na Cultura teve problema de gestão.
De qualquer forma nunca é bom uma falência.
Ébano Assumpção
11 de fevereiro de 2023 11:19 pmTrabalhei na livraria cultura em 2008. Hoje tenho meus negócios, mas da minha carteira de trabalho sem espaço para mais registros, a livraria cultura é a única empresa que sinto saudade. A remuneração era baixa mas o aprendizado incalculável. Tenho muitas coisas que só aprendi lá.
Rita
12 de fevereiro de 2023 6:19 amLamentável, mas previsto. Ganância. Dar o passo maior que a perna.
Estão voltando as pequenas (mas importantes) livrarias. Ainda bem.
ITALO CARVALHO FERRAZ
12 de fevereiro de 2023 7:37 amEu imaginava esse fim quando frequentava a Livraria Cultura aqui em Recife e observava várias pessoas apenas passeando, ou deitadas no cantinho para crianças lendo algum livro ali mesmo, mas não comprando e levando para casa. Como as megastores se pagariam?
+almeida
12 de fevereiro de 2023 8:37 amAcredito que devemos dar alguns passos para trás e desfazer os erros de omissão, que contribuíram cruelmente para o fim das antigas bibliotecas particulares, e/ou públicas, de bairros. Lembro muito bem que elas estimulavam bastante o encanto e o interesse pela leitura. Ainda que o tempo atual, carregado de tecnologias velozes, ferozes, dinâmicas e de fácil acesso, possa ser visto como uma presa totalmente dominada por imbatíveis transformes jagunços do capital e de um mercado desalmado pela ganância e sede de poder, quem sabe se o retroceder poderá criar um novo avanço e um novo e inesperado David cultural? Quem sabe alguém acredite mais nas novas e futuras gerações, e ajude a espalhar esse fantástico estimulante cultural do saber, que se traduz nas antigas bibliotecas de bairros? Assim, as sementes das livrarias (quem sabe?) poderiam voltar a germinar em grande estilo por todo o país.
David Nascimento
12 de fevereiro de 2023 10:42 amPossuir, gostar de ler, valorizar, preservar um bom livro ou literatura, etc. são virtudes encontradas em poucas pessoas e principalmente nos mais jovens a quem mais cabe a nobre missão de levar adiante o tesouro do conhecimento acumulado pelos seus, bem como por tantos outros que se empenharam em transcrever em páginas, fórmulas e ensaios, suas ideias ou fundamentos necessários ao amadurecimento intelectual de outrem, já frequentei algumas das mais famosas livrarias em minha cidade Natal, hoje não existem mais – lamentável o fato.
Infelizmente novamente leio e continuo a não acreditar, entretanto no mundo real em que vivemos, caminhamos cada vez mais rápido a um momento onde não nos reconheceremos mais o que somos (homo sapiens), é muito triste.
Jair Rossetto Filho
12 de fevereiro de 2023 11:02 amEu só tenho a lamentar.
Eu gostava daquele ambiente, gostava de ir, gostava de estar lá. Me sentia bem lá. Leio um dois livros por ano… mas ir à Cultura era como ir a Igreja Católica, mesmo sem saber rezar o Pai Nosso. Era purificador.
Henrique
12 de fevereiro de 2023 11:17 amAs próximas vítimas serão as lojas de roupas (já está acontecendo), só comparar o preço de uma bermuda na shein com uma bermuda na Renner, quase 50% de diferença. Só questão de tempo até a compra pela internet se massificar.
Antonio Uchoa Neto
12 de fevereiro de 2023 12:03 pmFim de uma era…não sou (nem quero ser) nenhum Fukuyama, e espero estar tão errado quanto ele, mas creio que o que está chegando ao fim é a própria Cultura, entendida como fazer humano com vistas ao aprimoramento do próprio homem, e com vistas também a um melhor entendimento do mundo e das relações sociais. Ao Estado da Natureza seguiu-se o Estado da Cultura, e agora estamos no limiar do Estado do Algoritmo. O fazer inumano dessa entidade não visa qualquer tipo de ampliação da capacidade cognitiva e intelectual de seu criador, o Homem, visa apenas reproduzir valor para acumular. Nas próprias mãos, bem entendido. Se o prezado leitor lê um livro, ao fim desse ato – que durará, dependendo do número de páginas, apenas algumas horas, consecutivas ou intercaladas – ele estará alguns centímetros mais inteligente, mais bem informado, mais apto a compreender o mundo e os seus semelhantes, e, na maioria dos casos, mais capaz de compaixão e entendimento. E após assistir a um desses inacreditavelmente estúpidos videozinhos de alguns segundos dos kwais da vida, como estará o nosso amigo da era digital? Com sorte, estará apenas alguns segundos mais velho, e, na pior das hipóteses, alguns centímetros mais idiotizado. No longo prazo, terá voltado à era da comunicação por grunhidos ou rosnados. Há muitos anos, meu pai desencorajou-me da ideia de ser escritor, apontando a incongruência de querer ganhar a vida com livros em um país de analfabetos, ou de pessoas que tem dificuldade em discernir uma oração subordinada quando deparam com uma. Mas, como todo idiota é, em geral, persistente, até hoje estou nessa, colecionando, como o Nassif, desilusões com editoras. E sinto que vivo os estertores de uma era, onde o livro ainda tinha um papel a desempenhar. O século XX trouxe o primado do som e da imagem – principalmente esta última – e agora vivemos o início do primado do dígito. O raciocínio, além de enfadonho, consome muito tempo das pessoas. Pensar hoje é dispensável; basta ver, e quanto mais breve e sintético o que houver para ver, melhor. Uma tiragem de 1.000 livros pode levar meses, anos, para ser vendida; nesse espaço de tempo, é possível assistir a milhões de vídeos do kwai e tiktok (os mais uptodate entre os leitores do GGN me perdoem se eu estiver mencionando coisas que não existem mais, mas da última vez que eu toquei no assunto, Kwai e Tiktok eram as plataformas mais conhecidas e utilizadas; hoje, 12/02/2023, já podem ser outras, de que não tomei conhecimento). Quando o transporte rodoviário foi introduzido no Brasil, as ferrovias deixaram de ser construídas. Quando o Rádio, o Cinema, a Televisão invadiram o lado lúdico e intelectual do ser humano, a palavra tornou-se dispensável, e entrou em declínio – hoje, está definhando e em perigo de extinção. Fecham-se as livrarias, não há mais consumidores. O mundo está com a cara enfiada nos celulares, essa praga moderna que põe no chinelo seus similares do Egito ou de qualquer outro lugar. Nem quero saber como será essa Idade do Algoritmo que ora se inicia, mas desconfio que distopia nenhuma já imaginada pelo Homem a igualou ou antecipou. E tenho pena daqueles que a viverão. Eu não. Não tenho nem pretendo ter filhos, não vou transmitir a nenhuma criatura a miséria de viver num mundo sem livros e ideias.
Dilnei Bittencourt dos Santos
12 de fevereiro de 2023 3:17 pmNão tive a oportunidade de frequentar a Livraria Cultura, mas pude alimentar minha paixão por livros sendo sócio do antigo Círculo do Livro por alguns anos.
A adesão ao Círculo era gratuita, porém, só poderia associar-se sendo convidado por alguém que já era sócio.
A única regra: comprar ao menos um item a cada três meses. Minha primeira compra foi um livro entitulado Cimarron. Contava a história de uma família desbravando o oeste selvagem nos primórdios dos Estados Unidos.
Que saudades daquele tempo!
De uma coisa eu tenho certeza: o “sabor” de um livro feito com papel e tinta é muitíssimo superior ao das mídias eletrônicas.
Eliandro Gonçalves
12 de fevereiro de 2023 4:31 pmNão é somente uma falência, é a decadência de nós como humanos, como pessoas, o aumento da desigualdade, a cultura de indiferença entre nós, e muito mais.
João Arbeiten
12 de fevereiro de 2023 7:23 pmAs livrarias na Internet ajudam na compra de livros impressos – para quem possui esse hábito de leitura. Resolvem algumas questões, como eventuais dificuldades de deslocamento a uma livraria física, por exemplo. Existe também a possibilidade de se fazer busca do livro por autor, título, gênero, assunto etc. (Se esses sites forem eventualmente bem organizados e não houver uma “indução prévia” a determinados títulos ou autores, essa busca pode ser interessante.) Apesar disso, sinto muita falta do ambiente de livrarias físicas, ambiente esse cada vez menos disponível, e onde todos aqui já tiveram boas experiências, creio eu. Uma coisa bacana, por exemplo, era sair pelas estantes das livrarias físicas olhando títulos de autores desconhecidos. Eventualmente comprar esses livros, lê-los e descobrir, com algum tempo, que se tinha feito uma ótima leitura! Quanto aos livros em arquivo digital, adquiri um uma vez e tive muita dificuldade em lê-lo – não que o conteúdo fosse ruim, mas por conta do inconveniente de ler um livro inteiro em uma tela eletroeletrônica. Lê-los no papel, eu acho muito bom. Pode ser que eu esteja sendo muito idealista, mas acho que podem existir as livrarias físicas, juntamente com as virtuais; podem existir os livros impressos, juntamente com a opção dos livros digitais.
Antonio ALB
13 de fevereiro de 2023 7:49 amHa muitos anos tive uma experiencia infeliz com a Cultura quando tentei fazer compra on line e meu cartao de credito foi recusado varias vezes. So ocorreu nesse site, (verifiquei em outros pra ver se era problema do cartao). Depois desse dia passei a usar a Amazon. A Cultura nao perdeu so uma venda ,perdeu um fregues, e me fez pensar ja na epoca em gestao ruim com cadastro equivocado
Luiz Passamani
13 de fevereiro de 2023 8:20 amO BNDES agora vai financiar a Livraria Paulo Freire, aqui e no exterior.
Primeiro lançamento
‘Engatando a ré’
Lenine Alves dos Santos
13 de fevereiro de 2023 8:58 amA Livraria Cultura foi durante algum tempo um programa cultural importantes para mim em São Paulo, com o café Viena sendo ponto de encontro, o Teatro Eva Herz, as noites de autógrafos e seções especializadas, com vendedores preparados, que em sua maioria eram estudantes universitários.
Até o momento em que amigos meus que ali trabalhavam me descreveram o ambiente tóxico em que viviam, chegando a precisar de terapia e ansiolíticos para continuar.
O limite para mim foi quando visitei a livraria para assistir a uma peça e encontrei montes de livros do Olavo de Carvalho espalhados por toda a livraria, evidenciando a participação ativa dos donos da Livraria na divulgação daquela ideologia nefasta.
Daí para frente o lugar de tornou um foco de ofensas e ataques a personalidades ligadas à esquerda que ali se encontrassem.
A análise da derrocada da Livraria não deve ser feita, a meu ver, sem se levar em conta esse alinhamento político incompatível com um negócio que é intrínsecamente ligado à educação e a cultura.
Leonardo
13 de fevereiro de 2023 9:24 amLamento muito o fim da Cultura.
No entanto não consigo parar de rir dos erros de português nos comentários.
Infelizmente tenho que admitir que foi tarde já que não tinha muita serventia
Andrea Faria
13 de fevereiro de 2023 10:02 amA mais perfeita explicação: “É a velha história o pai funda e o filho afunda”, trabalhei diretamente com o Pedro, conheço sua integridade, inteligência, visão. Seu maior erro: ter entregue a sociedade e gestão de negócio aos filhos que sequer sabiam o que é trabalho. Lamentável!
Marcius
13 de fevereiro de 2023 10:16 amAqui em Brasília a Cultura teve duas lojas enormes localizaras nos melhores shoppings da cidade. Tudo era perfeito. Atendimento, estoque e instalações. Na loja tinha muita coisa e ainda podia encomendar. Era parte da rotina semanal gastar horas da tarde de sábado lá. Tenho livros e cds lacrado até hoje comprados na Cultura, inclusive em São Paulo. Não acho que tenham havido erros de gestão. A Cultura fechou pq o volume de vendas caiu decorrente de novas tecnologias. Claro um vacilo aqui outro ali sempre tem. Por exemplo, aqui a sala de jazz virou lojinha pra aborrecente comprar jogos. Também passou a prever muita auto ajuda e besteirol literário. Mas a essência estava lá. Bons livros. Ótimo local e atendimento. Hoje tenta-se dar ares glamorosos a pequenas livrarias de baixo e sebos. Porém não são nada perto da Cultura. São apenas locais de baixo custo operacional que se encaixam na modinha de comprar coisa velha. Se vc queria poder escolher um livro entre centenas de boas opções. Se queria tomar um café folheando seu livro novo (com cheiro de novo). Se vc queria conhecer uma garota bonita e inteligente. À Cultura era o lugar certo. Só temos que agradecer ao empresário que a fundou e geriu com dedicação. Seu legado e contribuições à sociedade serão inesquecíveis e inestimáveis.
Alisson Pinheiro
13 de fevereiro de 2023 1:32 pmCom o livro virtual, deixei de comprar livros físicos. Chegou a concorrência com muitas promoções.. Estes foram os dois fatores deste desastre cultural que estamos vivenciando.
Claudio CALMO livreiro Porto Alegre-RS
15 de fevereiro de 2023 10:17 amSobre o fechamento da Livraria Cultura, o peixe grande que tantas livrarias pequenas devorou Brasil adentro.
Por Sergio Cohn
“Quando tinha uns 18 anos, trabalhei por pouco tempo na Livraria Cultura do Conjunto Nacional. Não durei muito, até mesmo porque aquele moleque cabeludo com roupas rasgadas não era exatamente o modelo de vendedor do que já era um supermercado de livros. Mas guardei ao menos duas histórias bastante difíceis da minha experiência lá.
A primeira foi quando um senhor bastante pobre, com roupas e jeito muito simples, entrou na livraria e me perguntou, bastante tímido, se eu tinha um livro que ele precisava comprar para a sua filha. Ele era analfabeto, então a filha tinha escrito, com uma letra de criança, o nome do autor e o título num pedaço de papel. Eu peguei o papel e fui procurar o livro. Quando voltei, com o livro na mão, não encontrei mais o senhor. Perguntei para o segurança se ele tinha visto, e ele me disse que havia retirado o senhor da loja, porque ele estava “afastando outros clientes”. Corri pelo Conjunto Nacional, fui em todas as saídas, procurei na rua, mas nem sinal dele. Sentei então no chão, na calçada, com aquele papel manuscrito na mão, e chorei, pensando naquele homem voltando para a casa humilhado e sem o livro para a filha. Eu estava com o papel que ao menos possibilitaria ele procurar o livro em outra livraria.
A outra situação foi quando um comprador me perguntou por um livro do William Blake. Opa, ali eu estava em casa. Ele estava procurando uma antologia que havia acabado de ser publicada no Brasil, mas ficamos conversando e acabei o convencendo a comprar uma obra completa, em inglês, com capa de couro e tudo o mais. Me senti o melhor vendedor do mundo: ele queria comprar um livro de 20 reais, saiu feliz da vida com um de 150. Mas a minha alegria durou pouco: logo levei uma grande bronca do gerente, que me disse para nunca mais demorar tanto tempo atendendo um só cliente.
A Livraria Cultura, no começo dos anos 1990, já era isso: um lugar desumanizado, mais preocupado com números do que com letras. E continuou sendo. Depois, com a editora, sofríamos com os pedidos pingados que a Cultura fazia com a gente: um livro num dia, outro dois dias depois. Queriam imediatamente a entrega e ameaçavam de ruptura comercial se não fizéssemos, mesmo com nosso argumento de que o custo de envio praticamente comia toda a nossa margem de lucro com a venda do livro. Jogavam duro demais, e podiam, porque possuíam uma imensa fatia do mercado e estavam turbinados com empréstimos públicos e tudo o mais.
Quando fui do Plano Nacional das Artes, em 2015-16, argumentei que mais do que investir em grandes redes, era preciso investir em livrarias de rua. Não apenas por simpatia, mas para evitar essa concentração. A falência da Livraria Cultura é também sintoma de um sistema que não funciona mais. Estão surgindo novas pequenas livrarias de rua, espero que agora alguma coisa mude.”
Moacir Aliano
18 de fevereiro de 2023 9:00 pmTriste, mas é a realidade de nosso país, há uma geral crise de burrice na população , você entra em um estabelecimento para comprar algo e é mau atendido e observa o comportamento da falta de treinamento, capacidade intelectual e outras coisas mais , cada livraria que morre junto leva milhares para esse fim, as consequências são graves, um povo sem ler é igual a um carro sem as rodas , não vai sair dali nunca,os que lêem que é a minoria ficará cercada pelos milhões de ignorantes,que por sua vez transforma a sociedade num cais.