Michel Temer (MDB) nunca deixou o tabuleiro do poder, apenas passeia entre os bastidores do Congresso e da Faria Lima. O ex-presidente e advogado agora reforça a defesa banco falido Cruzeiro do Sul, controlado pela família Indio da Costa, em uma disputa judicial bilionária contra o Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A entrada de Temer no caso, horas antes da sessão marcada, resultou no adiamento do julgamento em segunda instância. As informações são do Valor Econômico.
A ação judicial, que atrai grande atenção no setor financeiro, apura a responsabilidade da quebra do Cruzeiro do Sul. Em primeira instância, o FGC foi condenado a pagar R$ 4,3 bilhões ao banco.
Adiado o julgamento no TJSP
O julgamento estava previsto para a última semana na 1ª Câmara Reservada de Direito Empresarial do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP). No entanto, a sessão foi adiada logo após a petição do escritório do ex-presidente.
No pedido, Temer argumentou que a causa é de “alta complexidade” e que é necessário tempo adicional para ouvir todas as partes envolvidas. Ele ressaltou que a Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi) e a Associação Brasileira de Bancos (ABBC) ingressaram como amicus curiae (terceiro interessado), e o Cruzeiro do Sul não teve oportunidade de se manifestar sobre a adesão.
O ex-presidente também destacou que o Ministério Público mudou sua posição ao longo do processo, passando a defender a tese do FGC.
A nova data para o julgamento no TJSP foi reagendada para o dia 19 deste mês. Inicialmente, a votação será conduzida por três desembargadores; caso a decisão não seja unânime, outros dois magistrados serão convocados.
Disputa e a condenação bilionária
A família Indio da Costa, acionista do Cruzeiro do Sul, acusa o FGC de ser um dos responsáveis pela falência da instituição. O argumento central é que o Fundo teria interrompido aportes financeiros previstos em um acordo firmado entre as partes em 2011.
Por sua vez, o FGC alega que a decretação da liquidação extrajudicial pelo Banco Central (BC) frustrou a finalidade do contrato, desobrigando-o de continuar os aportes.
Na primeira instância, o juiz Ralpho Waldo De Barros Monteiro Filho, da 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, rejeitou a tese do Fundo. Ele afirmou que a entrada do Cruzeiro do Sul em liquidação não o eximia de cumprir o acordo.
Outros casos e atuação no setor
A atuação de Michel Temer na defesa do Cruzeiro do Sul não é isolada. Recentemente, o ex-presidente também foi contratado para mediar dificuldades enfrentadas pelo Banco Master, de Daniel Vorcaro.
Temer confirmou, durante o programa “Roda Viva”, da TV Cultura, que foi convidado a atuar como mediador nas tratativas do Master com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, em relação a transação com o BRB (Banco de Brasília), que foi indeferida pelo BC devido ao risco de sucessão de passivos.
Vale ressaltar que, paralelamente ao processo principal, a disputa entre o Cruzeiro do Sul e o FGC se desdobra em pelo menos quatro ações distintas. Em um dos casos, os acionistas acusam o Fundo de usar relatórios da empresa IMS para fraudar a contabilidade do banco. Além disso, o Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) move uma ação civil pública contra o FGC, pedindo indenização por danos morais coletivos devido a prejuízos a milhares de credores do banco.
Em um desdobramento separado, o ex-banqueiro Luis Octavio Indio da Costa, que controlava o Cruzeiro do Sul, foi condenado em 2024 a mais de cinco anos de prisão por crimes contra o sistema financeiro.
Sérgio Santos
11 de novembro de 2025 4:03 pmNo caso Copercucar ele era presidente e, supostamente, era amigo do advogado que defendia essa cooperativa, a qual ganhou uma causa de alto valor, como essa.