Um substitutivo apresentado pelo deputado federal e secretário de Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite, ao projeto anti-facção do governo federal, tem gerado polêmica entre especialistas em segurança pública. Segundo análises de promotores e juristas, as alterações propostas podem, na prática, desmantelar o modelo de combate ao crime organizado que funcionava no país.
A Armadilha Jurídica
O problema começa com uma mudança aparentemente técnica, mas de consequências devastadoras. Enquanto o governo federal pretendia alterar a Lei 12.850/2013, que trata de organizações criminosas, Derrite optou por modificar a Lei 13.260/2016, a lei antiterrorismo. Com isso, facções criminosas seriam equiparadas a grupos terroristas.
À primeira vista, pode parecer um endurecimento da legislação. Na prática, é o oposto. Como terrorismo é crime de competência federal, a mudança cria um limbo jurídico sobre quem investiga e quem julga esses casos.
“Isso fere a Constituição e rompe a lógica de integração que garantiu o sucesso de operações como Carbono Oculto, Zargun e Fim da Linha”, alertou o promotor Lincoln Gakiya, do GAECO de São Paulo, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo.
Quem Fica de Fora
O substitutivo apresenta duas exclusões estratégicas que chamam atenção. Primeiro, o Ministério Público simplesmente não é mencionado no texto. Segundo, a Polícia Federal só poderia atuar mediante solicitação do governador ao Ministro da Justiça — transformando uma questão de segurança pública em negociação política.
Na prática, apenas as Polícias Civis dos estados conduziriam as investigações, isoladas e sem a coordenação com órgãos federais que tem se mostrado essencial no combate ao crime organizado.
O modelo atual permite ações conjuntas entre Polícia Federal, Ministério Público, Receita Federal e Polícias Civis, com coordenação automática entre estados. O substitutivo Derrite fragmenta esse sistema, burocratizando e politizando decisões operacionais.
Velocidade Suspeita
O substitutivo foi apresentado em menos de 24 horas após a nomeação de Derrite como relator do projeto. Não houve audiências públicas, participação da sociedade civil ou consulta a especialistas — procedimentos considerados obrigatórios em matérias dessa complexidade e relevância.
A intenção objetiva do projeto foi esvaziar as investigações, anulando os principais atores no combate ao crime organizado, o GAECO e a Polícia Federal.
O Contexto Paulista
As mudanças propostas ganham significado adicional quando analisadas no contexto das decisões de Derrite à frente da Secretaria de Segurança de São Paulo. Logo ao assumir, ele promoveu a troca de 34 coronéis do comando da Polícia Militar, substituindo oficiais com perfil mais técnico por comandantes alinhados a uma política de maior confronto.
Na corregedoria da PM, o coronel Robson Cabanas Deque foi substituído pelo coronel Fábio Sérgio do Amaral, ex-comandante da ROTA (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar). A ROTA, unidade de elite da corporação, está no centro de investigações sobre infiltração do PCC na polícia paulista.
O Caso Gritzbach
O assassinato de Vinícius Gritzbach, delator do PCC executado no Aeroporto de Guarulhos em novembro de 2024, escancarou a dimensão do problema. Pelo menos 18 policiais militares foram denunciados pela Justiça Militar por envolvimento no caso.
Três PMs participaram diretamente da execução. Outros 15 atuavam como escolta ilegal para o criminoso. A investigação revelou que membros da ROTA receberam R$ 5 milhões em propina para fornecer informações que permitiram a fuga de líderes do PCC em operações anteriores.
Mensagens interceptadas mostram que o PCC mantinha uma rede de colaboradores dentro da PM para proteger líderes, facilitar fugas e coordenar ações ilegais. A investigação aponta que a cúpula da corporação estava informada ou era conivente com essas atividades.
O Legado Bolsonaro
Essas mudanças se situam em um contexto mais amplo de aproximação entre política e crime organizado, processo que se intensificou durante o governo Jair Bolsonaro.
Entre as medidas citadas: ampliação da autorização para venda de armas, desmonte da fiscalização no Porto de Itaguaí (principal porta de entrada do contrabando de armas no país), abertura indiscriminada para casas de apostas online e flexibilização na regulação de fintechs.
Esses setores — bets, fintechs, investimentos imobiliários e influenciadores digitais — são apontados por investigadores como os principais destinos para lavagem de dinheiro de organizações criminosas.
A Questão Central
O debate sobre o substitutivo Derrite transcende disputas político-partidárias e coloca uma questão fundamental: o Brasil está disposto a enfraquecer deliberadamente seus mecanismos de combate ao crime organizado?
A resposta a essa pergunta dirá muito sobre o tipo de país que queremos ser — e sobre quem realmente está sendo protegido pelas leis que aprovamos.
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Rui Ribeiro
11 de novembro de 2025 9:19 amO que seria dos médicos sem doentes? O que seria do Derrite sem criminosos?
Se a condição para o Derrite ganhar dinheiro é a existência de crime, porque ele teria interesse de acabar com o crime, principalmente o crime organizado? Se os crimes acabassem, do que ele iria viver?
Mário Mendonça
11 de novembro de 2025 9:48 amAs milicias cariocas já estão em SP, só não vê quem não quer!
Rui Ribeiro
11 de novembro de 2025 10:20 amMas é justamente isso o que a extrema direita quer: Ela quer criar o problema para vender a solução.
Uma das Estratégias de Manipulação é ‘Criar problemas e depois oferecer soluções’:
Este método é conhecido como “problema-reação-solução”. Cria-se uma situação (que causará uma reação prevista no público) a fim de que seja o público quem exija medidas que se deseja fazer com que aceitem.
Um exemplo bem corriqueiro até no Brasil: deixar que se desenvolva ou se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público exija leis de segurança e cerceamento da liberdade (como as aclamações pelo retorno da ditadura militar). Também é comum criar uma crise econômica para fazer que aceitem como “males necessários” o retrocesso dos direitos sociais e desmantelamento dos serviços públicos.
https://wp.ufpel.edu.br/empauta/conheca-as-10-estrategias-de-manipulacao-midiatica/
AMBAR
11 de novembro de 2025 12:25 pmA direita sequestrou a pauta da segurança pública para ver se cacifa algum nome de importância para se opor à candidatura de Lula à presidência. Como são todos irmãos, tanto em cristo quanto em polícia e criminalidade, fica fácil cercar a esquerda e determinar um lugar de fala, só que não se sustentarão. Para o azar deles estão lutando com autoridades mais poderosas e com grande experiência em justiça e segurança pública. O Xandão, que foi carpir pés de maconha nos matos marginais de sampa quando era da segurança pública não vai deixar as polícias carioca e paulista rirem da cara dele. Ainda que o legislativo poído e poluido queira ser a força motriz dessa patranha, o STF vai conseguir tirar a esperança de toda essa cambada.
Rui Ribeiro
11 de novembro de 2025 12:55 pm“As mortes (da Operação Contenção) ocorridas são justificadas pela reação violenta dos criminosos, que teriam recebido a polícia a tiros e com drones armados. A opinião é de que mais operações como essa deveriam ocorrer para “sufocar de uma vez por todas o crime organizado””. – Deputado federal Alberto Fraga (PL-DF), líder da bancada da bala
As vítimas fugiram para a mata. Desde quando fugir do confronto é reagir?
A opinião é de que mais operações como essa deveriam ocorrer? A opinião de quem? Dos Favelados ou daqueles que sugam o sangue dos Favelados?
A opinião da população de Jerusalém há dois milênios era de que Barrabás devia ser libertado e Jesus Cristo, crucificado.
angelaneves
11 de novembro de 2025 1:22 pmEssa foi a razão dele ter sido escolhido pelo Presidente da Câmara Hugo Motta como relator do projeto, beneficiando assim o atual governador de SP que pertence ao partido do Presidente da Câmara. Eles não estão interessados em acabar com essas facções e sim continuar lucrando com elas….
ERNESTO
11 de novembro de 2025 2:38 pmNa língua predileta da extrema direita nacional: quite fishy…
Marcus
11 de novembro de 2025 3:44 pmEsse Derriti, age como sabotador/traidor infiltrado, fala como sabotador/ traidor, e parece querer sabotar/trair os esforços do Brasil, facilitando a vida da CIA e dos EUA. É a herança de Bolsonaro e da direita entreguista de sempre: traição.
Rui Ribeiro
11 de novembro de 2025 6:35 pmNikolas é evanjegue. Foi cevado pelo dízimo dos fieis idiotas como ele. O 1° mandamento da Lei do Deus em que ele diz acreditar e seguir é nao matar. Após o megamassacre de favelados, o hipócritas respondeu a um internauta: “É só matar os outros 120”.
Paga dízimo pra cenário esse verme hipócrita
IVO MENEZES
11 de novembro de 2025 7:58 pmPolitizar a Segurança ou deliberadamente proteger as facções?
Ora, não há o que discutir. O governo deve vetar as anomalias. Se o Congresso derrubar o veto presidencial, ação de inconstitucionalidade no Supremo.
AFFdoJota.marcelo
11 de novembro de 2025 8:32 pmO segredo é este Nassfão,dizer q vai fazer uma coisa e faz outra totalmente ao contrário no Brasil SEMPRE FOI ASSIM, já vi vídeos de políticos ainda em preto e branco dizendo as mesmas coisas dos políticos de atualmente,AFF,muita gente ganha com o MERCADO DA MISÉRIA,quando o objetivo é só dinheiro…AFF !!!Vimos isto na escravidão dos seres humanos de cor negra,explorando sem lhes pagar um real ou uma ceiptomoeda AFF,isto está gerando muita Distorção,quem ganha,ganha muuuoto dinheiro e ainda acha pouco, só analisarmos a lista dos mais ricos do mundo ou isoladamente de cada País,AFf e algo muito aberrante,vejam o q ganha um jogador de futebol,um cantor sertanejo ou mcs,AFF e toda a sociedade aceita e acha muito normal tudo isto,ainda têm a pachorra de achar ruim aumentar um real aos seus funcionários ou DEVOLVER UM REAL EM IMPOSTOS ao seu pais q lhes deu tudo,AFF QUANTO AFF,AFF !!!Obs.:Sem mais AFF !!!Obs2.:Lula fazendo coisas muito construtivas e as pessoas preocupadas q ele tá parecendo cearense com a cabeça chata,AFF !!!
fabricio coyote
11 de novembro de 2025 9:38 pmSun Tzu disse: ___________________________________________________
Vencer sem lutar
Um chefe que está bem instruído em operações militares faz com que o inimigo se renda sem lutar, captura as cidades do inimigo sem atacá-las violentamente, e destrói o Estado do inimigo sem operações militares demoradas.
O prêmio maior de uma vitória é triunfar por meio de estratagemas, sem usar as
tropas.
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Se não é vantajoso, nunca envie suas tropas; se não lhe rende ganhos, nunca utilize seus homens; se não é uma situação perigosa, nunca lute uma batalha precipitada.
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Um soberano jamais deve colocar em ação um exército motivado pela raiva; um líder jamais deve iniciar uma guerra motivado pela ira.
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Toda operação militar tem o logro como base. Por isso quando capazes de atacar, devemos parecer incapazes; ao utilizar nossas forças devemos parecer inativos, quando estivermos perto, devemos fazer o inimigo acreditar que estamos longe; quando longe, devemos fazê-lo acreditar que estamos perto.
Rui Ribeiro
12 de novembro de 2025 8:17 amAlguém disse:
“Se os governadores apostam em normalizar a matança para colher ganhos eleitorais, podem se surpreender com um outsider, mais radical e sem amarras a partidos ou empresários”.
Quer dizer que os açougueiros humanos insiders não são páreos para os açougueiros humanos outsiders?
Hidelbrandos Paschoais triunfarão. A carne negra é a mais barata do mercado, disse a Elza. Vai ser uma carnificina