5 de junho de 2026

Mercado apela para OVNIs estatísticos para segurar a Selic, por Luís Nassif

Obviamente, como todo estudo para jornal publicar, não se abrem os números porque, se abertos, poderiam ser questionados.

Em um momento em que o IPCA-15 mostra queda, e até os analistas de mercado vêem arrefecimento naqueles ítens mais sujeitos à demanda, o sempre inventivo mercado resolve apresentar sua inovação: um indicador que separa o IPCA de Demanda (mais suscetível de influência pela política monetária) e o de Oferta.

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

Como sempre, a manchete é nervosa: “Inflação de demanda acelera mais depressa e pesa sobre o IPCA”. O estudo é da ASA e constata que em 12 meses, até junho, “a inflação gerada pela pressão de demanda acumula alta de 6,52%, 0,6 ponto percentual acima do observado até maio. Enquanto isso, a inflação pressionada pela oferta oscilou menos, de 0,81% até maio para 0,84% até junho”. Logo…. Logo…. Adivinharam: tem que aumentar a Selic. Obviamente a instituição está na ponta que aposta na alta da Selic.

Os autores dizem ter se baseado em estudo do FED de São Francisco. É uma metodologia flexível, que permite aos alquimistas escolher, a cada rodada, o que consideram pressionado pela oferta e pela demanda.

Obviamente, como todo estudo para jornal publicar, não se abrem os números porque, se abertos, poderiam ser questionados.

Eu, daqui de minha humilde planilha, fiz algumas simulações;

  1. Divide os preços nos 9 principais grupos.
  2. Define subjetivamente o que é influenciado pela Oferta e pela Demanda.
  3. Usei os dados do último IPCA, de agosto.

Os resultados foram esses:

  1. Na primeira coluna define o que considero grupos afetados pela Demanda (D) e pela Oferta (O).
  2. Depois, montei duas tabelas auxiliares, uma com os grupos da Demanda, outra com os grupos da Oferta.
  3. Peguei os pesos (que medem a influência de cada grupo no IPCA final) e recalculei dentro do novo universo. 
  4. Depois apliquei sobre as variações apuradas pelo IBGE.

O resultado foi o seguinte:

IPCA: 4,24%

IPCA de Demanda: 4,27%

IPCA de Oferta: 4,25%.

Mas como os rapazes calcularam sobre o IPCA anual de junho, vamos refazer em cima de junho.

Ó, surpresa! Deu o mesmo resultado.

Vamos mudar as classificações, então, e incluir as duas maiores altas – Educação e Alimentação – em Demanda. No mês de junho ficaria assim:

Para agosto, ficaria assim.

Poderia dourar a pilula efetuando os cálculos por subgrupos. Mas a diferença não seria significativa.

Obviamente, os bravos economistas da ASA deram asas à imaginação (perdão pelo trocadilho) e seguramente aplicam uma metodologia muito mais sofisticada que meus cálculos.

Por que o Valor, que é um dos veículos que preza pela objetividade da informação, não levanta com eles os cálculos e publica?

Certamente ajudaria ou a aprimorar as metodologias de cálculo da inflação ou a desmontar mais um blefe estatístico.

Leia também:

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

8 Comentários
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. JOEIDES PEREIRA DA PAZ

    26 de setembro de 2024 9:03 am

    O artigo, “A perplexidade como responsabilidade frente o presente, de José Mário Neves, é muito esclarecedor para entender essa manipulação dos donos do capital financeiro. Estou muito preocupado com meus netos.

  2. +almeida

    26 de setembro de 2024 1:10 pm

    Acredito que ousadia e o desrespeito de supostos economistas, que insistem em subestimar seguidamente a inteligência da população e que se soma a autoconfiança viciante que já lhes domina a mente, o corpo e a sua própria crença é sinal que estão deixando de ser profissionais, para se tornarem totalitários charlatões do alarmismo ganancioso e impatriótico. Acreditam e levam a sério os seus vergonhosos comportamentos e suas alucinadas e pueris análises e justificativas do tipo OVNI, Saci Pererê, Mula sem Cabeça ou o raio que os partam. Penso que arrogância e a prepotência já se enraizaram até na aparência, do mesmo modo que a brilhantina, o Botox, a plástica, etc. Talvez a exceção seja a alma, que possivelmente já não mais lhes pertencem.

  3. WRamos

    26 de setembro de 2024 3:09 pm

    A média anualizada dos últimos 4 meses do IPCA-15 é 3,05%. Dos últimos 6 meses, 2,95%. O mercado só ouve as mães Dinah financistas. Se olharem os fatos e como só miram o alvo central, já poderiam alardear que a inflação está abaixo da meta. O mercado trata o 3% como se fosse a meta. Isto não existe, a meta é uma faixa entre 1,5% e 4,5%. O alvo tem vários círculos, não é preciso acertar bem no meio.

  4. ed.

    26 de setembro de 2024 4:49 pm

    Ressalto que nestes cálculos, Nassif desconsiderou negligentemente o risco da nave Voyager 1 se descontrolar e dar um cavalo de pau em direção à Terra, podendo atingir a “Would Lime”, localmente conhecida como Faria Lima, daqui a 12 anos.
    Favor corrigir as premissas. Obrigado.

  5. Jotage

    26 de setembro de 2024 6:52 pm

    Darwin criou teoria da evolução, que é brilhante. Campos Neto criou a teoria da involução, onde salário e emprego aumenta a inflação e não podem ser suportados. Se ninguém barrar este gênio em pouco tempo só existirão banqueiros e que irão comer dinheiro.

  6. JOSE OLIVEIRA DE ARAUJO

    27 de setembro de 2024 7:40 am

    Com a parceria entre o clube da usura e o agrotóxico, o Brasil dificilmente vai superar seu atraso econbômico. Embora o hercúleo empenho do atual governo para desenvolver o Brasil, o conluio das nossas elites mai retógradas, são quase insuperáveis. De um lado, os beneficiários dos juros extorsivos, limando os recursos do tesouro nacional, do outro lado, o pessoal do agrotóxico promovendo incêndios criminosos, além dos incêndios naturais, que já não são poucos. Com relação ao aumento abusivo dos juros, sugiro que seja abolido o COPOM, pois para executar uma função que na prática é comandada pelo mercado finaceiro, não precisa do país pagar 9 diretores bem remunerados pelo estado, basta utilizar um software de IA.

  7. José de Almeida Bispo

    27 de setembro de 2024 8:32 am

    É perfeitamente natural que caçadores procurem encurralar a caça, assim como a caça reagir, inclusive, infringindo danos ao caçador para não ser abatida.
    O que o governo tem é que governar. Limitar e ter o controle dos limites dos permissionários. Incluindo os operadores da moeda.
    Os “mágicos” da Faria Lima têm todo o direito de querer saquear os cofres públicos mediante juros cada vez mais extorsivos. Mas o governo, obrigado a manter o Estado, o mesmo Estado que permite viver e ficarem ricos, os goelas da Faria Lima (entre outros), não pode deixar janelas abertas. TEM QUE GOVERNAR.
    Sem Estado estaremos todos perdidos.

  8. Silvio Torres

    27 de setembro de 2024 8:08 pm

    Fiquei espantado assistindo parte do jornal Hoje de quarta-feira. O Tralli, com aquela cara de indignação e reprovação que conhecemos de longa data, anunciou catastrófico que o défcit em transações correntes nos doze meses encerrados em agosto de 2024 foi de 386 BILHÕES de dólares!! E afirmava com toda autoridade que a notícia foi divulgada pelo Banco Central. Quase caí da poltrona e pensei: as reservas do Brasil se lascaram! Mas, mineiro que sou, resolvi checar na página do BC. A rede globo e seu títere tinham errado só uma virgulazinha. O valor correto era de 38,6 bilhões. Ainda assisti mais dois blocos do jornal esperando uma correção que, claro, não veio. Burrice? Má fé? Golpismo? Todas as opções anteriores?

Recomendados para você

Recomendados