Em um momento em que o IPCA-15 mostra queda, e até os analistas de mercado vêem arrefecimento naqueles ítens mais sujeitos à demanda, o sempre inventivo mercado resolve apresentar sua inovação: um indicador que separa o IPCA de Demanda (mais suscetível de influência pela política monetária) e o de Oferta.
Como sempre, a manchete é nervosa: “Inflação de demanda acelera mais depressa e pesa sobre o IPCA”. O estudo é da ASA e constata que em 12 meses, até junho, “a inflação gerada pela pressão de demanda acumula alta de 6,52%, 0,6 ponto percentual acima do observado até maio. Enquanto isso, a inflação pressionada pela oferta oscilou menos, de 0,81% até maio para 0,84% até junho”. Logo…. Logo…. Adivinharam: tem que aumentar a Selic. Obviamente a instituição está na ponta que aposta na alta da Selic.
Os autores dizem ter se baseado em estudo do FED de São Francisco. É uma metodologia flexível, que permite aos alquimistas escolher, a cada rodada, o que consideram pressionado pela oferta e pela demanda.
Obviamente, como todo estudo para jornal publicar, não se abrem os números porque, se abertos, poderiam ser questionados.
Eu, daqui de minha humilde planilha, fiz algumas simulações;
- Divide os preços nos 9 principais grupos.
- Define subjetivamente o que é influenciado pela Oferta e pela Demanda.
- Usei os dados do último IPCA, de agosto.
Os resultados foram esses:
- Na primeira coluna define o que considero grupos afetados pela Demanda (D) e pela Oferta (O).
- Depois, montei duas tabelas auxiliares, uma com os grupos da Demanda, outra com os grupos da Oferta.
- Peguei os pesos (que medem a influência de cada grupo no IPCA final) e recalculei dentro do novo universo.
- Depois apliquei sobre as variações apuradas pelo IBGE.
O resultado foi o seguinte:
IPCA: 4,24%
IPCA de Demanda: 4,27%
IPCA de Oferta: 4,25%.
Mas como os rapazes calcularam sobre o IPCA anual de junho, vamos refazer em cima de junho.
Ó, surpresa! Deu o mesmo resultado.
Vamos mudar as classificações, então, e incluir as duas maiores altas – Educação e Alimentação – em Demanda. No mês de junho ficaria assim:
Para agosto, ficaria assim.
Poderia dourar a pilula efetuando os cálculos por subgrupos. Mas a diferença não seria significativa.
Obviamente, os bravos economistas da ASA deram asas à imaginação (perdão pelo trocadilho) e seguramente aplicam uma metodologia muito mais sofisticada que meus cálculos.
Por que o Valor, que é um dos veículos que preza pela objetividade da informação, não levanta com eles os cálculos e publica?
Certamente ajudaria ou a aprimorar as metodologias de cálculo da inflação ou a desmontar mais um blefe estatístico.
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JOEIDES PEREIRA DA PAZ
26 de setembro de 2024 9:03 amO artigo, “A perplexidade como responsabilidade frente o presente, de José Mário Neves, é muito esclarecedor para entender essa manipulação dos donos do capital financeiro. Estou muito preocupado com meus netos.
+almeida
26 de setembro de 2024 1:10 pmAcredito que ousadia e o desrespeito de supostos economistas, que insistem em subestimar seguidamente a inteligência da população e que se soma a autoconfiança viciante que já lhes domina a mente, o corpo e a sua própria crença é sinal que estão deixando de ser profissionais, para se tornarem totalitários charlatões do alarmismo ganancioso e impatriótico. Acreditam e levam a sério os seus vergonhosos comportamentos e suas alucinadas e pueris análises e justificativas do tipo OVNI, Saci Pererê, Mula sem Cabeça ou o raio que os partam. Penso que arrogância e a prepotência já se enraizaram até na aparência, do mesmo modo que a brilhantina, o Botox, a plástica, etc. Talvez a exceção seja a alma, que possivelmente já não mais lhes pertencem.
WRamos
26 de setembro de 2024 3:09 pmA média anualizada dos últimos 4 meses do IPCA-15 é 3,05%. Dos últimos 6 meses, 2,95%. O mercado só ouve as mães Dinah financistas. Se olharem os fatos e como só miram o alvo central, já poderiam alardear que a inflação está abaixo da meta. O mercado trata o 3% como se fosse a meta. Isto não existe, a meta é uma faixa entre 1,5% e 4,5%. O alvo tem vários círculos, não é preciso acertar bem no meio.
ed.
26 de setembro de 2024 4:49 pmRessalto que nestes cálculos, Nassif desconsiderou negligentemente o risco da nave Voyager 1 se descontrolar e dar um cavalo de pau em direção à Terra, podendo atingir a “Would Lime”, localmente conhecida como Faria Lima, daqui a 12 anos.
Favor corrigir as premissas. Obrigado.
Jotage
26 de setembro de 2024 6:52 pmDarwin criou teoria da evolução, que é brilhante. Campos Neto criou a teoria da involução, onde salário e emprego aumenta a inflação e não podem ser suportados. Se ninguém barrar este gênio em pouco tempo só existirão banqueiros e que irão comer dinheiro.
JOSE OLIVEIRA DE ARAUJO
27 de setembro de 2024 7:40 amCom a parceria entre o clube da usura e o agrotóxico, o Brasil dificilmente vai superar seu atraso econbômico. Embora o hercúleo empenho do atual governo para desenvolver o Brasil, o conluio das nossas elites mai retógradas, são quase insuperáveis. De um lado, os beneficiários dos juros extorsivos, limando os recursos do tesouro nacional, do outro lado, o pessoal do agrotóxico promovendo incêndios criminosos, além dos incêndios naturais, que já não são poucos. Com relação ao aumento abusivo dos juros, sugiro que seja abolido o COPOM, pois para executar uma função que na prática é comandada pelo mercado finaceiro, não precisa do país pagar 9 diretores bem remunerados pelo estado, basta utilizar um software de IA.
José de Almeida Bispo
27 de setembro de 2024 8:32 amÉ perfeitamente natural que caçadores procurem encurralar a caça, assim como a caça reagir, inclusive, infringindo danos ao caçador para não ser abatida.
O que o governo tem é que governar. Limitar e ter o controle dos limites dos permissionários. Incluindo os operadores da moeda.
Os “mágicos” da Faria Lima têm todo o direito de querer saquear os cofres públicos mediante juros cada vez mais extorsivos. Mas o governo, obrigado a manter o Estado, o mesmo Estado que permite viver e ficarem ricos, os goelas da Faria Lima (entre outros), não pode deixar janelas abertas. TEM QUE GOVERNAR.
Sem Estado estaremos todos perdidos.
Silvio Torres
27 de setembro de 2024 8:08 pmFiquei espantado assistindo parte do jornal Hoje de quarta-feira. O Tralli, com aquela cara de indignação e reprovação que conhecemos de longa data, anunciou catastrófico que o défcit em transações correntes nos doze meses encerrados em agosto de 2024 foi de 386 BILHÕES de dólares!! E afirmava com toda autoridade que a notícia foi divulgada pelo Banco Central. Quase caí da poltrona e pensei: as reservas do Brasil se lascaram! Mas, mineiro que sou, resolvi checar na página do BC. A rede globo e seu títere tinham errado só uma virgulazinha. O valor correto era de 38,6 bilhões. Ainda assisti mais dois blocos do jornal esperando uma correção que, claro, não veio. Burrice? Má fé? Golpismo? Todas as opções anteriores?