21 de maio de 2026

A nostalgia monetária que pode elevar os riscos no Federal Reserve

Reduzir balanço pode gerar volatilidade e exigir mais intervenções da autoridade monetária dos EUA, diz economista
Sede do Federal Reserve, o Banco Central dos EUA. Foto: Flickr Federal Reserve

Kevin Warsh pode ser nomeado presidente do Fed, reacendendo debate sobre o tamanho do balanço do banco central.
Lucrezia Reichlin afirma que o balanço do Fed reflete mudanças estruturais pós-2008, não escolha política discreta.
Reduzir agressivamente o balanço pode aumentar instabilidade e exigir intervenções emergenciais do Fed.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

A possível nomeação de Kevin Warsh para a presidência do Federal Reserve reacendeu um debate central sobre o papel dos bancos centrais no sistema financeiro contemporâneo: afinal, o enorme balanço do Fed é um desvio temporário da ortodoxia monetária ou uma peça estrutural do funcionamento dos mercados globais?

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Em artigo publicado pelo Project Syndicate, a economista Lucrezia Reichlin argumenta que a visão de Warsh — favorável a uma redução significativa do balanço do banco central americano — está ancorada em uma “nostalgia institucional” que ignora transformações profundas ocorridas desde a crise financeira de 2008.

Segundo a autora, o tamanho atual do balanço do Fed não decorre de uma escolha política discricionária, mas de mudanças estruturais na forma como a liquidez é demandada, regulada e fornecida no sistema financeiro.

Após a crise, regulações internacionais mais rígidas elevaram permanentemente a demanda dos bancos por reservas junto aos bancos centrais, consideradas hoje o ativo líquido mais seguro do sistema. Paralelamente, a capacidade do setor privado de intermediar riscos diminuiu, com a redução dos balanços de grandes intermediários financeiros — especialmente no mercado de títulos do Tesouro dos EUA.

Nesse cenário, o Fed passou a desempenhar um papel que vai além da condução da política monetária: tornou-se um garantidor da liquidez do maior mercado de dívida soberana do mundo. Tentativas recentes de reduzir esse suporte, como em 2018 e 2019, resultaram em tensões imediatas nos mercados monetários, culminando em episódios de forte volatilidade.

Reichlin ressalta que uma redução agressiva do balanço poderia gerar efeitos colaterais indesejados, como maior instabilidade financeira, necessidade recorrente de intervenções emergenciais do próprio Fed e tensões com reguladores internacionais — especialmente diante do histórico recente de escassez global de dólares.

O artigo também rebate o argumento de que um balanço inflado representa, necessariamente, um risco inflacionário. Como o Fed remunera as reservas bancárias, a expansão da base de liquidez não se traduz automaticamente em crédito excessivo ou inflação fora de controle, desde que a taxa básica de juros seja corretamente calibrada.

A economista conclui que a verdadeira escolha diante do próximo presidente do Fed não é entre ortodoxia e heterodoxia monetária, mas entre aceitar o papel estrutural do banco central como pilar do sistema financeiro moderno ou assumir um nível mais elevado de risco e instabilidade em nome de uma presença institucional reduzida.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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1 Comentário
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  1. WRamos

    6 de fevereiro de 2026 6:43 pm

    Acredito que o termo “balanço” usado neste post seja uma tentativa de traduzir “balance”, que seria melhor entendido como “saldo”.

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