10 de junho de 2026

Nova Economia discute os impactos da financeirização da economia

Saúde, economia de cuidados, educação superior e moradia são alguns dos setores afetados pelo processo de financeirização da economia
Crédito: Reprodução/ YouTube

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O programa Nova Economia da última quinta-feira (25) recebeu os professores Lena Lavinas e Guilherme Leite Gonçalves, autores do livro “Financeirização: crise, estagnação e desigualdade” para comentar a obra e discutir os impactos que a economia cada vez mais pautada pela geração de retorno sobre investimentos e não sobre produtividade provoca.

Uma das organizadoras da obra, Lena Lavinas comenta que o livro é composto por diversas contribuições de intelectuais que conseguem pensar criticamente o processo de financeirização da economia, descrito por ela como dominação que vai colonizando distintos setores da sociedade, a exemplo da saúde, da economia de cuidados, da educação superior e da moradia. 

“Em função disso a gente começou a pensar e, de fato, hoje existe um maná de contribuições originais, todas voltadas ao processo de desvendar como se dá esse processo de financeirização em cada setor, em cada estado, em cada país. É sempre um contexto específico, difere de um lugar para o outro, mas tem algumas característica básicas que é ter crescentemente a prevalência dos rendimentos derivados dos direitos de propriedade, não dos direitos de produção e a centralizar o capital portador de juros”, observa.

Guilherme Gonçalves comenta que o livro busca resgatar a compreensão teórica do papel das configurações financeiras na reprodução capitalista. “A partir disso, uma série de estudos que vão explicar de que maneira essa centralidade dos juros do capital portador de juros do seu desdobramento de capital fictício vai dobrar em diversos setores.”

Nesse sentido, a premissa de “Financeirização: crise, estagnação e desigualdade” é tratar a temática como um produto constitutivo da reprodução capitalista, marcada pela dominação e hegemonia do capital. 

Impactos

Lena Lavinas aponta que o processo de financeirização virou uma febre generalizada até mesmo na política social, sua área de atuação. Além de ser um grande emissor de títulos públicos, o governo criou até produtos financeiros nichados, como títulos de renda voltados para mulheres. 

Porém, este tipo de proposta contraria políticas de igualdade social e dignidade humana. “A ideia é que caminharemos em algum momento na direção de extensão de direitos, de garantias, cada vez mais ampliando a proteção. O que vimos é que também isso foi sustado com a crise que começa em 1973 e hoje em um processo de financeirização. O vemos é cada vez mais a desuniversalização dos direitos, um processo de individuação, e cada vez mais a proteção associada a direitos de propriedade. Você tem de ser detentor de um título para pensar futuramente com base em retornos financeiros para poder ter algum grau de proteção para si proprio”, avalia a docente.

Gonçalves explica a origem deste fenômeno. “Se se acreditava em um profundo processo de redemocratização, o que nós estávamos acompanhando era uma ampliação o processo de financeirização, que se materializava na privatização em massa dos anos 1990, nas políticas de austeridade, em mecanismos de conversão de prestações de serviços públicos em prestações via propriedade privada. Então, a gente via aumento de direito social, mas no fundo o que estava acontecendo era um aumento significativo de direitos de propriedade.”

Ainda que aprofunde desigualdades sociais, a financeirização segue uma forte tendência, tendo em vista que a centralização e concentração de capital são ideais para o funcionamento do capitalismo. “É uma tendência que exige juros como forma do direito se reproduzir, direito se imunizando dos problemas produtivos. Acho muito difícil que essa média geral do capitalismo baseado na centralidade dos juros possa ser combatida com regulação política e juridica”, conclui o organizador e professor. 

A obra “Financeirização: crise, estagnação e desigualdade” será lançada no dia 7 de maio, às 17h, na Casa de Rui Barbosa, no Rio de Janeiro.

Confira o debate completo no canal da TVGGN:

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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1 Comentário
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  1. Fábio de Oliveira Ribeiro

    26 de abril de 2024 4:58 pm

    O mantra do governo Bolsonaro foi “morram para a economia crescer”. Em 2023 Lula enfiou 614 bilhões de reais nas algibeiras dos banqueiros, financiou largamente os produtores rurais e diz ter salvado os famintos. Aos profissionais urbanos que prestam serviços e dependem da reativação da economia real Fernando Haddad disse: fodam-se ou façam dívidas. O neoliberalismo da pseudoesquerda gourmet não é muito diferente do neoliberalismo autoritário do capitão genocida. Os especuladores ricos continuam curtindo a vida adoidado e devorando o futuro. Todos os demais foram tratados como cidadãos de segunda classe de um país em que predominam empregos de merda mal remunerados, inadimplência e a destruição das vidas de advogados, dentistas, mecânicos, etc… que não tem nem trabalho nem renda. Não estranha muitos estarem emprestando seus nomes para lavar dinheiro do PCC, o Comando Vermelho e Milícias a fim de ganhar um trocados. Quem não faz isso (meu caso) só pode amargar a decepção política e ruminar decepção e ódio. Nunca mais votarei num candidato do PT. Isso não faz diferença nenhuma. Eles só cuidam dos interesses consolidados enquanto ficam premiando uns aos outros dizendo que salvaram o país da ditadura enquanto o neoliberalismo continua desferindo chicotadas em quem não tem nem cabedal, nem um lugar na mesa do governo, nem cargo público bem remunerado, nem salário gordo no PT, nem futuro nesse país de merda, nem dinheiro ou juventude para ir embora dele.

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