A eventual confirmação de Kevin Warsh como presidente do Federal Reserve pode marcar uma mudança relevante na política monetária dos Estados Unidos.
Ex-diretor do banco central durante a crise de 2008, Warsh tornou-se um crítico consistente do intervencionismo adotado pelo Fed nas últimas décadas e do crescimento contínuo de seu balanço, hoje em torno de US$ 6,6 trilhões.
Indicado por Donald Trump, Warsh questiona pilares da atuação dos bancos centrais modernos, como a forte dependência de indicadores de curto prazo, o uso intensivo de projeções e a prática de forward guidance (mecanismo onde o Banco Central sinaliza publicamente as intenções futuras da taxa de juros e as condições econômicas que guiarão suas decisões).
Embora Warsh indique que tais estratégias tenham criado uma falsa sensação de controle da economia, o principal ponto abordado em suas críticas é o chamado afrouxamento quantitativo (QE).
O economista avalia que os programas de compra massiva de ativos, intensificados após 2008 e retomados na pandemia, distorceram preços, incentivaram endividamento excessivo e contribuíram para o surto inflacionário de 2021 e 2022 – e o Fed legitimou uma expansão fiscal “sem precedentes” ao sinalizar que sempre estaria disposto a intervir.
Na visão da agência norte-americana Axios, a proposta de Warsh parte da redução do balanço do Fed para permitir juros mais baixos, uma vez que a retirada gradual de ativos acumulados em crises passadas seria capaz de abrir espaço para cortes sem afetar a inflação.
Entretanto, uma venda acelerada de títulos hipotecários elevaria os juros imobiliários, e uma contração excessiva da liquidez pode gerar disfunções nos mercados monetários — como ocorreu em 2019, quando o Fed precisou intervir para recuperar o controle das taxas de curto prazo.
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