O presidente norte-americano Donald Trump escolheu o economista Kevin Warsh para substituir Jerome Powell na presidência do Federal Reserve, o Banco Central dos EUA.
Ex-diretor do Fed e atualmente professor em Stanford, Warsh é bem avaliado em Wall Street e visto como uma escolha capaz de reduzir a tensão entre o mercado financeiro e a Casa Branca, após anos de embates públicos entre Trump e Powell.
A nomeação marca o fim da gestão de Jerome Powell frente à autoridade monetária – o mandato termina efetivamente em maio, e o nome de Warsh depende de aprovação do Senado.
Incertezas e investigação
O novo presidente herdará um banco central dividido. Embora o Federal Reserve tenha realizado três cortes de juros em 2025, a inflação segue acima da meta e há divergências internas sobre o rumo da política monetária em 2026.
Enquanto aliados de Trump dentro do Fed defendem novos cortes, presidentes regionais importantes se opõem a qualquer flexibilização adicional, alertando para o risco de perda de credibilidade no combate à inflação.
O cenário se agravou com a abertura de uma investigação criminal contra Jerome Powell envolvendo a reforma da sede do Fed, episódio que gerou reação negativa no Senado: parlamentares sinalizaram que podem bloquear a tramitação da nomeação de Warsh enquanto a investigação não for encerrada.
Quem é Kevin Warsh
Como explica o jornal britânico Financial Times, Kevin Warsh integrou o conselho do Federal Reserve durante a crise financeira de 2008, quando atuou como interlocutor entre o banco central e investidores, ajudando a coordenar respostas emergenciais para conter o colapso do sistema financeiro.
Desde então, tornou-se um crítico de parte dessas medidas, especialmente da expansão do balanço do Fed por meio de programas de compra de ativos. Para Warsh, o banco central passou a extrapolar seu mandato original — controle da inflação e estímulo ao emprego — assumindo funções que se aproximam da política fiscal.
Essa visão está alinhada à do atual secretário do Tesouro, Scott Bessent, que defende uma reformulação da governança do Fed e uma atuação mais restrita da autoridade monetária.
Ainda assim, analistas destacam uma aparente contradição: enquanto Trump pressiona por juros baixos, Warsh defende a redução do balanço do Fed, o que tende a apertar as condições financeiras no médio prazo.
emerson57
30 de janeiro de 2026 8:19 pmOutro Galipolo?