21 de maio de 2026

OCDE: incertezas e tarifas afetam crescimento econômico

Instituição reduz estimativa do PIB global para 3,2% em 2025 e 2,9% em 2026; efeitos do tarifaço norte-americano começam a ser vistos
Foto de Jakub Żerdzicki na Unsplash

A OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) reduziu seus prognósticos para o crescimento da economia global por conta das incertezas políticas, tarifas mais altas e a queda no ritmo da antecipação de pagamentos.

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A estimativa para o PIB global passou de 3,3% em 2024 para 3,2% em 2025 e 2,9% em 2026, com destaque para a queda no ritmo de crescimento anual do PIB nos Estados Unidos, que deverá cair de 2,8% em 2024 para 1,8% em 2025 e 1,5% em 2026 “à medida que o forte crescimento do investimento em setores de alta tecnologia for mais do que compensado por tarifas mais altas e uma queda na imigração líquida”.

No caso da zona do euro, o crescimento estimado deverá ser de 1,2% em 2025 e 1,0% em 2026, com o aumento dos atritos comerciais e da incerteza geopolítica parcialmente compensados ​​por condições de crédito mais favoráveis.

Já o crescimento na China está projetado para 4,9% em 2025 e 4,4% em 2026, “à medida que a antecipação de gastos diminui, tarifas mais altas entram em vigor e o apoio fiscal diminui”, pontua a OCDE. Para o Brasil, a expectativa é de crescimento de 2,3% em 2025 e 1,7% em 2026.

A inflação deve cair na maioria das economias do G20, à medida que o crescimento econômico se modera e as pressões do mercado de trabalho diminuem. A inflação geral deve cair de 3,4% em 2025 para 2,9% em 2026 nas economias do G20, com a inflação subjacente nas economias avançadas do G20 permanecendo amplamente estável em 2,6% em 2025 e 2,5% em 2026.

Efeito das tarifas

Em linhas gerais, as tarifas que os Estados Unidos impuseram sobre as importações de quase todos os países atingiram uma taxa efetiva estimada em 19,5% no mês de agosto, a mais alta desde meados da década de 1930.

Segundo a OCDE, o impacto total desse aumento segue em desenvolvimento, mas seus primeiros sinais podem ser vistos no comportamento do consumidor, nos mercados de trabalho e nos preços.

Além disso, a instituição ressalta que “os mercados de trabalho estão enfraquecendo, com maior desemprego e menos vagas de emprego em algumas economias, enquanto a desinflação estagnou em muitas economias, com o aumento dos preços dos alimentos e a persistência da inflação nos serviços”.

Os prognósticos para o futuro não são dos mais otimistas uma vez que, segundo a OCDE, “novos aumentos de tarifas, maiores preocupações com riscos fiscais e novas pressões inflacionárias podem pesar sobre o crescimento”.

Preocupações adicionais podem ser adicionadas mediante a reprecificação do mercado financeiro, incluindo a de criptoativos voláteis. No lado positivo, a flexibilização das restrições comerciais ou avanços mais rápidos na IA podem sustentar resultados mais fortes.

Veja mais a respeito na íntegra do relatório divulgado pela OCDE.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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