Um aspecto importante a se considerar quando se fala em substituir os encargos trabalhistas por impostos sobre o faturamento é o seu efeito político sobre a classe média.
Durante o governo Lula o mix das políticas econômica e social promoveram transformações que resultaram especialmente generosas com as pontas do espectro social (rentistas e empresários, por um lado, e miseráveis e trabalhadores de baixa renda, por outro), enquanto os segmentos de renda média foram os que menos beneficiaram.
Contudo, como já representam mais da metade da população e deverão crescer ainda mais à medida em que o país se desenvolva, os humores da classe média deverão ser cada vez mais relevantes na determinação dos rumos políticos do país no futuro e, portanto, caberá a qualquer governante estar atento a suas demandas.
Pois a tal desoneração da folha de pagamentos, bem como a ampliação dos limites do Simples e dos estímulos ao microempreendedor individual (MEI), embora de operacionalização delicada, serão ações políticas que certamente impactarão de forma muito positiva o emprego e a renda da classe média. Primeiro, porque promovem uma redução de custos significativa para muitas pequenas e médias empresas, onde se concentram 90% dos empregos do país. Segundo, porque estimularão a formalização de um grande contingente de trabalhadores (garçons, vendedores, vigilantes, faxineiros, etc.). Terceiro, porque uma grande gama de profissionais autônomos (eletricista, pintor, jardineiro, etc…), quando transformados em MEI, tem acesso a um mercado muito maior – grandes empresas, setor público, etc – e melhores condições de acesso ao crédito.
Somados, esses benefícios deverão promover dar novo fôlego à espremida classe média brasileira, vertendo frutos políticos para o governo.
Deixe um comentário