Aparentemente, todos os executivos abrigados nas asas da 3G padecem do mesmo problema de manipulação de resultados. Agora é a vez de Ivan Monteiro, atual presidente da Eletrobras, acusado de manipulação no IRB (Instituto de Resseguros do Brasil) pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários).
Trata-se de um padrão, desenvolvido na Americanas, na Kraft Heinz Company, nos Estados Unidos. É o chamado modelo Jack Welch, inaugurado na compra e, depois, na demolição da General Eletric.
Suga-se a companhia aumentando desmedidamente os dividendos, com sacrifício da manutenção, do investimento e das pesquisas.
Por tudo isso, há que se colocar uma lupa na Ambev. A empresa recorre a vários artifícios de engenharia fiscal, para ampliar artificialmente o lucro tributável. Mas os resultados operacionais são pífios, como demonstra análise dos resultados do 2o trimestre por Sérgio Torggler.
Torggler se concentra nos indicadores econômicos da companhia, para avaliar o desempenho econômico e os riscos financeiros e taxas de uma empresa.
Os dois indicadores principais são o ROI – que mostra o rendimento do investimento das atividades produtivas -, o Ki – indicador do custo das dívidas com credores de renda fixa -, e o RSPL – indicador do rendimento obtido pelos credores de renda variável.
Aqui, um apanhado de ocorrências estranhas no balanço da Ambev.
Baixo rendimento médio dos acionistas
Resultados com derivativos
O resultado líquido com derivativos só gerou despesa em todos os 34 trimestres analisados. Seria esperado que em alguns trimestres houvesse algum ganho líquido com derivativo, mas isso não aconteceu.
(Observação minha: típica manobra para aumentar as despesas e reduzir o pagamento de impostos, ou então para desviar resultados para terceiros, em prejuízo dos acionistas).
Variação cambial
A variação cambial líquida teve um comportamento igualmente estranho. Em 34 trimestres, somente em um trimestre de 2016 foi registrado receita cambial líquida. Seria esperado alguma alternância de resultados com variação cambial, mas o comportamento foi extremamente enviesado para ocorrência de despesas.
Além do mais, se a maioria dos instrumentos derivativos foi feita para proteção de variação cambial em operações comerciais (exposição do CPV), seria esperado um comportamento de receitas com derivativos inversa do comportamento com variações cambiais, mas isso não acontece. O RI da AMBEV declarou que só se manifestará sobre esse questionamento diretamente a CVM onde há um processo aberto sobre o tema.

Valores anômalos do Ki
As observações sobre o custo da dívida com credores de renda fixa.
Nas análises anteriores, até o 4T23, os valores de Ki eram anormalmente elevados, muito superiores ao custo de capital de renda fixa praticado no mercado, tal como aparece na figura 1, no item anterior. Seria um problema metodológico? Seria um erro de classificação contábil? Seria resultado de alguma manipulação contábil? Os relatórios contábeis foram revisados e até então nada foi encontrado que indicasse que a fonte da anomalia fosse um erro metodológico ou de cálculo.
Essa falha foi corrigida a partir da publicação do 1T24, no entanto, a comparação entre as formas de evidenciação só é possível ser feita com os dados do 1T23, uma vez que para este período existem detalhamento nos dois formatos de evidenciação, tal como mostra a Figura 2, a seguir.
O baixo endividamento aparente
O baixo endividamento da AMBEV com credores de renda fixa denota um baixo risco financeiro, elemento atraente para os investidores. No entanto, cabe destacar, que essa baixa alavancagem é aparente, isso porque valores significativos do passivo de funcionamento são na verdade passivos onerosos e só não foram classificados como onerosos por falta de evidenciação nas demonstrações contábeis e notas explicativas. Por exemplo, não há evidenciação dos montantes de passivos responsáveis pelos juros de ajuste a valor presente de contas a pagar a fornecedores (332 MM) e dos passivos relacionados a outras despesas com juros (183 MM).
Receita de impostos sobre o lucro
Nas figuras acima, é observável que em 8 trimestres as alíquotas aparentes foram negativas, isto é, nestes períodos a tributação sobre o lucro gerou receitas em vez de despesas. Além disso, a dispersão dos dados das alíquotas aparentes é relativamente alta, conforme a Tabela 4, a seguir.
Os valores estremos das alíquotas têm forte efeito nos valores do ROI, do Ki e do RSPL. Algumas vezes, os valores calculados sofrem tamanha distorção que se tornam inúteis para comparação com as referências.
A alternativa adotada para amenizar este problema foi usar em todos os trimestres uma alíquota aparente única correspondente ao valor da média ponderada de todos os trimestres. Este procedimento suaviza os efeitos de alíquotas estremas sem alterar o lucro líquido acumulado de todos os trimestres.
Qualquer outra alíquota que fosse arbitrada para substituir as alíquotas aparentes das DRE para suprimir os desvios exacerbados promoveria resultados acumulados superiores ou inferiores ao acumulado na série histórica analisada pelas alíquotas aparentes de cada trimestre.
Aqui, a íntegra do relatório.
José de Almeida Bispo
22 de agosto de 2024 12:04 pmMais podridão. E ainda querem acabar o Estado, que, bem ou mal, serve de colchão de amortecimento à essas semvergonhices e seus resultados deletérios na sociedade.
+almeida
22 de agosto de 2024 3:11 pmComo entender a liberdade imensa, imune, impune e desenvolta que premiou com pleno sucesso algumas tragédias anunciadas, alertadas e alardeadas amplamente por por jornalistas e especialistas do mercado econômico e financeiro? Como foi possível que tantos olhos fechados, tantas visões vendadas e tantos ouvidos tapados, das autoridades que teriam como dever e como obrigação fiscalizar e impedir que tais crimes viessem a ter o sucesso que tiveram? Como conseguiram se manter invisíveis, camuflados e blindados? Como justificar as espúrias passagens das boiadas produtoras dos famosos golpes financeiros e econômicos, fabricadas pelos altos escalões de grandes conglomerados industriais, comerciais e financeiros? Golpes covardes, traiçoeiros, planejados e premeditados intelectualmente pelas mentes rentistas, irresponsáveis e criminosas que denigrem o setor do mercado das aplicações financeiras sem o mínimo respeito as leis, aos investidores e aos trabalhadores e trabalhadoras, que, em verdade, são as vítimas principais por conta de toda desestruturação e o terrível abalo que suas vidas, seus objetivos, suas metas e seus sonhos sofrem tragicamente. Todas as vitimas (acionistas, investidores e as negociações legais e de boa fé realizadas), assistiram indefesas as suas finanças e os seus patrimônios físicos e econômicos ruírem inapelavelmente pela traição e a covardia praticada por aqueles em que confiaram e acreditaram que eram éticos, que eram honestos e que eram honrados.
Há muito que assistimos denúncias contra a AMBEV e, pelo andar da morosa carruagem, em breve uma nova explosão de prejuízos e ganhos fabulosos surgirá, mais um capítulo libertino e imoral, que estará na listagem repugnante das picaretagens que mais prejuízos causaram ao lado fraco e maior lucro gerou para o lado trambiqueiro.
Viva o Brasil e as autoridades fiscalizadoras e reguladores do país.
HENRIQUE
24 de agosto de 2024 9:14 amParabéns!!!!
Isso é a pura verdade verdade.
Josenoggn.marcelooo
22 de agosto de 2024 5:03 pmNassif quando eu ficar Bilionário vou comprar a Veja ou a Globo só por capricho e vou colocar vc Pra administrar mas sem safadeza no pis confins,inss ou no fgts hein?NÃO PRECISA SER INESCRUPULOSO!!!
Georges
23 de agosto de 2024 7:18 amTodos os empresários dessa terra são muito criativos na hora de pagar impostos ou chorar uma isenção. E o Estado faz de conta que acredita ou não faz a mínima questão de analisar as mutretas como você o fez. Aí só resta o pagador de impostos pata ser espoliado e bancar a farra