4 de junho de 2026

Os malefícios da Selic elevada

Por PABLO RODRIGO DA SILVA

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O controle da inflação não passa necessariamente pelas mãos da diretoria do BC, cujas decisões sobre as taxas de inflação não afetam nem 20% da economia.

É um delírio afirmar que a taxa Selic controla alguma coisa neste país, pois boa parte da produção independe das funestas decisões dos sábios da bola de cristal do BC. Os juros altos, além de emperrar o fluxo da liquidez, por estimular excessivamente a compra de títulos públicos, acaba tornando o crédito ao produtor e ao consumidor mais caro, o que ocasiona de fato aumento dos custos, que os empresários gaiatamente repassam aos consumidores finais. Isso é que causa boa parte da inflação de custos.

Os juros altos do BC não incidem sobre os preços dos alimentos, ultimamente com os preços em alta, mas onera os empréstimos do BB, que tanto capta no varejo quanto no atacado (via Tesouro), que é responsável pelo financiamento das grandes safras, como também torna caro o financiamento do PRONAF, a cargo do BNB, que empresta com subsídios aos pequenos agricultores, pois se praticasse os juros de mercado, a agricultura familiar não andaria.

Acontece que os subsídios são custeados pelo contribuinte, pois as taxas elevadas do BC tornam a tomada de recursos junto aos investidores muito cara, de modo que o governo só consegue fechar o caixa com mais empréstimos, pois o aumento da tributação é algo complexo e demorado e os gastos com o pagamento de juros, irresponsavelmente mantido nas alturas, causa um paradoxo surreal: a transferência absurda de recursos produtivos da sociedade como um todo, via impostos, para o bolso sem fundo dos rentistas parasitários, cuja atitude para com a sociedade se assemelha à do terrível personagem de Patrick Süskind, na obra O Perfume, o inominável Grenouille, para quem o mundo deveria saciá-lo com odores em troca de seus excrementos. 

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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