10 de junho de 2026

PEC 65 abre porta de risco contra soberania econômica, diz SINAL

Projeto que transforma Bacen em ente de direito privado abre brecha para jurisdição estrangeira e afeta blindagem institucional
Antonio Cruz - Agência Brasil

As agressões norte-americanas contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), só são inócuas pelo fato de o Banco Central brasileiro ser um órgão de Estado.

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Porém, a autoridade monetária poderia ser legalmente compelida a acatar as sanções impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a Moraes mesmo em território brasileiro caso a PEC 65 estivesse em vigor.

O projeto em questão propõe a transformação do Banco Central em uma entidade de direito privado – o que não é um detalhe técnico, uma vez que isso pode representar a abertura de uma brecha onde pressões externas podem se infiltrar na soberania econômica nacional.

“A proposta de transformação do BC em ente de direito privado expõe a autoridade monetária nacional à jurisdição estrangeira e fragiliza sua blindagem institucional, abrindo brechas para ingerência da OFAC e outros órgãos internacionais sobre ativos e operações críticas, como o próprio PIX”, alerta o Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central (SINAL).

Problemas jurídicos

De acordo com o sindicato, um Bacen juridicamente reclassificado com ativos em instituições financeiras internacionais, passaria, do ponto de vista legal, a estar mais exposto à jurisdição estrangeira, especialmente norte-americana.

“Nesse cenário, poderia ser compelido a acatar sanções da OFAC – Office of Foreign Assets Control, agência ligada ao Departamento do Tesouro dos Estados Unidos responsável por administrar e aplicar sanções econômicas e comerciais conforme a política externa americana -, sob pena de ter seus próprios ativos congelados ou suas operações bloqueadas”, destaca o SINAL.

Para o sindicato, o impacto direto e concreto de tal situação poderia atingir inclusive o PIX uma vez que, sendo o Banco Central o operador e gestor dessa infraestrutura crítica de pagamentos, qualquer ordem estrangeira exigindo restrição de acesso a usuários sancionados, como o ministro Alexandre de Moraes, criaria um conflito jurídico grave.

O Banco Central se veria entre cumprir a lei brasileira, que garante a continuidade dos serviços de pagamentos, e enfrentar retaliações internacionais, caso não obedecesse a ordens de sanções externas aplicadas em jurisdições onde mantenha ativos.

“Em tempos de crescente tensionamento político-ideológico no cenário internacional, a blindagem das instituições nacionais contra sanções unilaterais é de primazia republicana e exigência constitucional. O Estado brasileiro não pode delegar funções essenciais, como a emissão de moeda, a supervisão do SFN, a gestão da liquidez bancária ou a operação da rede de pagamentos, a um ente que, juridicamente, possa ser tratado como empresa privada no exterior”, reitera o SINAL.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

2 Comentários
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  1. Jose carlos lima

    1 de agosto de 2025 8:42 pm

    E por acaso teoos CF?
    Se um Congresso sem poder constituinte pode reescrever a CF escrita por ums Assembleia Navional Constituinte, é a mesma coisa que não ter CF
    Logo o centrao e extrema direita que nafa conseguiu aprovar na ANC de 88 agora pode reescrever a CF
    E nao vejo ninguem a teclamar desse absurdo

  2. Rodrigo Grimaldi

    9 de agosto de 2025 3:45 pm

    Sindicato desconectado com a base. Perdeu filiados e o rumo. Hoje nem representa mais a maioria dos auditores em atividade. Já foi anunciado na impresa que a PEC 65 terá artigos para fortificar o PIX. É a PEC do PIX. Acabou a narrativa.

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